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Após décadas de perseguição Rafael Marques condecorado em Angola
Mundo 3 min. 08.11.2019

Após décadas de perseguição Rafael Marques condecorado em Angola

Após décadas de perseguição Rafael Marques condecorado em Angola

foto: DR
Mundo 3 min. 08.11.2019

Após décadas de perseguição Rafael Marques condecorado em Angola

Sob a liderança do Presidente João Lourenço, jornalista Rafael Marques passou de "inimigo do Estado" a aliado presidencial na “luta” contra a corrupção.

O activista angolano Rafael Marques foi condecorado na quinta-feira pelo Presidente da República, João Lourenço, pelo trabalho realizado na luta contra a corrupção.

Já em Maio de 2018, o Instituto Internacional da Imprensa (IPI) justificava a atribuição do seu prémio de 70º Herói Mundial da Liberdade de Imprensa com o facto de Rafael Marques de Morais ter “enfrentado décadas de assédio e processos jurídicos por revelar a corrupção e os abusos de direitos humanos” em Angola.

Com efeito, na vigência da governação do ex-Presidente José Eduardo dos Santos, Rafael Marques foi perseguido e alvo de inúmeros processos judiciais.

O autor do livro "Diamantes de Sangue" foi condenado no dia 28 de Maio de 2015 pelo Tribunal Provincial de Luanda a uma pena de seis meses de prisão, suspensa pelo período de dois anos.

Na ocasião, a Amnistia Internacional denunciou que a pena suspensa e as condições expressas na sentença restringiam gravemente o trabalho de defensor de direitos humanos de Rafael Marques e constituíam uma violação do direito de expressão".

Agora, sob a liderança de João Lourenço, Rafael Marques passou de inimigo do Estado a aliado preferencial na luta contra a corrupção.

"O nosso foco continua a ser a boa governação, a defesa do rigor e da transparência em todos os actos públicos...a luta contra a corrupção e a impunidade...a moralização da sociedade no seu todo", afirmou o Presidente no seu último discurso sobre o estado da nação.

Na atribuição da condecoração, João Lourenço destacou a figura do jornalista de investigação, reconheceu as múltiplas leituras que serão feitas desta distinção e terminou dizendo que ainda são “poucos luta contra a corrupção”.

"Decidimos reconhecer os feitos de alguém que, desde muito cedo, teve a coragem de se bater contra a corrupção crescente que acabou por se enraizar na nossa sociedade, porque a super-estrutura dava um mau exemplo e, por isso, não tinha moral para combater o monstro que ela própria criou e do qual se alimentava".

Para o chefe de Estado angolano, Rafael Marques é um activista cívico que "muito cedo abraçou a bandeira da luta contra o saque desenfreado do erário público é contra o nepotismo e corrupção".

“Este reconhecimento terá leitura e reacções díspares, a julgar pelos estereótipos criados ao longo do tempo quando a corrupção era encarada como algo normal em função de quem a praticava, mas conforta-nos saber que encontrará na grande maioria da opinião pública nacional e internacional a maior e melhor aceitação pela justiça dos princípios que nortearam tal decisão”, afirmou João Lourenço.

 "Somos poucos na luta contra a corrupção", reconheceu João Lourenço.

O activista reagiu com surpresa à medalha de mérito civil atribuída pelo chefe de Estado angolano afirmando: "Foi uma surpresa e um grande reconhecimento por parte do Senhor Presidente da República que muito agradeço e que muito me honra. Continuarei a dar o meu melhor para que a luta contra a corrupção seja um instrumento fundamental para a moralização dos titulares dos cargos públicos e da própria sociedade. Continuaremos com este estímulo presidencial a ser mais acutilantes e a fazer melhor o nosso trabalho".

O jornalista angolano, de 48 anos, iniciou a sua carreira no Jornal de Angola, detido pelo Estado angolano, passando depois a escrever em vários jornais independentes, antes de criar o site Maka Angola, onde denunciou casos de corrupção e abusos ao nível dos direitos humanos no país.

Entre as personalidades condecoradas por João Lourenço estão os empresários Carlos Cunha e Rui Santos, o músico Eduardo Paim, o jornalista Sousa Jamba, a bióloga Adjany Costa, a campeã africana de xadrez, Luzia Pires, entre outros. 

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