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António Guterres: O moderador do mundo
António Guterres deverá assumir o cargo de secretário-geral da ONU em janeiro de 2017

António Guterres: O moderador do mundo

Foto: UNHCR
António Guterres deverá assumir o cargo de secretário-geral da ONU em janeiro de 2017
Mundo 3 min. 13.10.2016

António Guterres: O moderador do mundo

No cargo de secretário-geral da ONU, que António Guterres deverá assumir no mês de janeiro de 2017, terá de ser diplomata, mediador e – para dar razão a Franklin D. Roosevelt – um moderador.

No cargo de secretário-geral da ONU, que António Guterres deverá assumir no mês de janeiro de 2017, terá de ser diplomata, mediador e – para dar razão a Franklin D. Roosevelt – um moderador.

Quem chamou assim ao secretário-geral da ONU foi o presidente dos Estados Unidos Franklin D. Roosevelt. O estadista norte-americano fez esta afirmação numa altura em que as Nações Unidas eram uma organização embrionária e cuja capacidade de ação parecia limitada pela divisão do mundo em dois blocos.

Quase 70 anos depois, a Organização das Nações Unidas continua a estar limitada pelo direito de veto dos membros permanentes do Conselho de Segurança, mas a sua presença no mundo e na vida de todos nós é cada vez mais relevante, da saúde ao trabalho, passando pelo comércio, sobretudo graças à ação das suas agências especializadas.

Segundo a Carta das Nações Unidas, o cargo que António Guterres vai ocupar a partir de 1 de janeiro de 2017 é simplesmente o de “chefe administrativo oficial” da organização. Mas o secretário-geral é muito mais: trata-se do porta-voz da organização e uma espécie de vigilante. A Carta estipula que ele deve alertar o Conselho de Segurança sobre “qualquer assunto que, em sua opinião, possa ameaçar a manutenção da paz e da segurança internacionais”. Ainda que o secretário-geral não possa influenciar as decisões do Conselho, cabe-lhe definir a agenda das reuniões e estabelecer assim o que é importante discutir a nível mundial.

O secretário-geral tem, assim, de ser diplomata, mediador e – para dar razão a Roosevelt – um moderador.

Os distintos secretários-gerais desde 1946 optaram quase sempre por defender assuntos que foram escolhendo como prioritários, embora a forma como exerceram a ação política foi diferente de um para outro.

Os desafios do novo secretário-geral da ONU não são fáceis.

Guterres já deixou transparecer algumas das temáticas centrais do seu futuro mandato, tendo resumido o desafio que o espera com a “terrível complexidade dos dramas do mundo moderno”.

Num mundo onde guerra e terrorismo se confundem, onde as forças que o manipulam são múltiplas e onde o movimento de pessoas atinge proporções históricas, os desafios que se colocam ao novo secretário-geral da ONU não são fáceis nem simples.

Guterres está bem posicionado para colocar com mais ênfase a problemática dos refugiados na agenda internacional por ter exercido o cargo de Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados entre 15 de junho de 2005 e 31 de dezembro de 2015.

Ao nível interno, da própria estrutura da ONU, a tarefa mais árdua do novo secretário-geral será a tão esperada reforma do Conselho de Segurança: tentar convencer os cinco membros permanentes, que são os vencedores da Segunda Guerra, a deixarem de ter direito de veto, ou se outros o deverão adquirir. O Conselho de Segurança é composto por 15 membros, sendo os cinco permanentes China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos. Para a maior parte dos observadores o direito de veto dos cinco “grandes” é uma espécie de interferência monárquico-imperial dentro de um sistema que se espera democrático.

A eleição de Guterres foi um primeiro sinal dessa nova vaga democrática na ONU. O processo de seleção a que foi sujeito o português pretendeu ser um passo no sentido de uma maior transparência na escolha do secretário-geral, utilizando uma série de escrutínios em que os membros do Conselho de Segurança foram “eliminando” por sucessivas sugestões os candidatos. Apesar de pressões de vários países e/ou forças políticas, Guterres acabou por ser o nome recomendado pelo Conselho de Segurança, estando prevista a sua nomeação pela Assembleia Geral em novembro.

Raúl Reis

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