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Amnistia Internacional diz que Kiev terá de investigar mais de 10.000 crimes de guerra
Mundo 2 min. 16.05.2022
Guerra na Ucrânia

Amnistia Internacional diz que Kiev terá de investigar mais de 10.000 crimes de guerra

Guerra na Ucrânia

Amnistia Internacional diz que Kiev terá de investigar mais de 10.000 crimes de guerra

Foto: AFP
Mundo 2 min. 16.05.2022
Guerra na Ucrânia

Amnistia Internacional diz que Kiev terá de investigar mais de 10.000 crimes de guerra

Lusa
Lusa
Autoridades ucranianas terão de lidar com mais de 10.000 casos de violações, assassínios extrajudiciais e de torturas, executados por tropas russas em territórios provisoriamente ocupados no leste da Ucrânia.

A diretora executiva da Amnistia Internacional (AI) na Ucrânia, Oksana Pokalchuk, revelou esta segunda-feira à Lusa que as autoridades ucranianas já abriram investigações a mais de 10.000 casos de crimes durante a invasão russa.

De passagem por Lisboa, Pokalchuk mostrou-se preocupada com a real eficácia do sistema judicial ucraniano em lidar com a “enorme quantidade” de violações de direitos humanos por parte das forças russas.

A representante da AI na Ucrânia explicou que, num futuro próximo, as autoridades ucranianas terão de lidar com mais de 10.000 casos de violações, assassínios extrajudiciais e de torturas, executados por tropas russas em territórios provisoriamente ocupados no leste da Ucrânia.

“Há 10 dias, a Procuradoria-Geral da Ucrânia disse que abriu investigações a mais de 10.000 casos criminais. E isto é apenas o início”, denunciou Pokalchuk, dizendo estar convencida que o número de situações de violações de direitos humanos vai aumentar substancialmente, à medida que as forças ucranianas vão libertando territórios que estiveram nas mãos das tropas russas.

   O número de juízes (nos tribunais ucranianos) não é suficiente  

A representante da AI acredita nas boas intenções do Tribunal Criminal Internacional e no seu empenho em julgar alegados crimes de guerra cometidos pelas forças comandadas desde Moscovo, mas explicou que essa organização apenas poderá lidar com o topo da hierarquia das tropas russas.

“As investigações devem ser feitas, sobretudo, ao nível intermédio e ao nível mais baixo do exército russo. Foi a esse nível que foram cometidas as maiores atrocidades. E para esses casos terá de ser a justiça ucraniana a atuar”, explicou Pokalchuk.

“Desde logo, não há juízes. O número de juízes (nos tribunais ucranianos) não é suficiente”, lamentou a representante da Amnistia Internacional, temendo que as investigações aos casos que têm sido detetados possam arrastar-se por cerca de uma década.

“O número de casos é imenso. Pode demorar qualquer coisa como 10 anos a investigar as atrocidades” alegadamente cometidas pelos soldados russos, denunciou Pokalchuk.

Há uma forma de acelerar esse processo, admite a diretora executiva da AI, mas para encurtar as investigações será necessária a intervenção da comunidade internacional.

“Terá de haver ajuda da comunidade internacional ou de organizações internacionais. Não ao nível dos juízes, mas ao nível das investigações”, disse Pokalchuk, lembrando que há alguns países que já abriram as suas próprias investigações ao que está a suceder durante a invasão russa da Ucrânia.

A diretora executiva da AI explicou que a situação é ainda mais complicada com as mulheres, ao nível de casos de violência sexual, mas mostrou-se sobretudo preocupada com a variedade de estratégias de repressão e de tortura que as tropas russas estão a aplicar à população ucraniana nas zonas ocupadas.

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