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Amnistia critica a UE e exige ação após incêndio em Moria
Mundo 2 min. 09.09.2020

Amnistia critica a UE e exige ação após incêndio em Moria

O campo está em quarentena há uma semana, depois de ter sido detetado o primeiro caso de covid-19.

Amnistia critica a UE e exige ação após incêndio em Moria

O campo está em quarentena há uma semana, depois de ter sido detetado o primeiro caso de covid-19.
Foto: AFP
Mundo 2 min. 09.09.2020

Amnistia critica a UE e exige ação após incêndio em Moria

Lusa
Lusa
O Governo grego anunciou esta quarta-feira que vai declarar estado de emergência na ilha de Lesbos, na sequência do incêndio.

A Amnistia Internacional exigiu hoje uma ação europeia imediata face a “emergência humanitária” no campo de refugiados de Moria, destruído esta madrugada por um incêndio, atribuindo às “políticas imprudentes” da União Europeia o desencadear da atual situação.

“As políticas imprudentes da União Europeia (UE) levaram a condições de vida perigosamente sobrelotadas e miseráveis, com o campo [de Moria] a acolher mais do quádruplo [de pessoas] da sua capacidade prevista”, afirmou a investigadora de Amnistia Internacional (AI) Adriana Tidona, numa reação ao incêndio no campo localizado na ilha grega de Lesbos (no mar Egeu), que destruiu praticamente todo o local e deixou cerca de 13.000 pessoas desalojadas.

Numa nota enviada às redações, a investigadora da AI para a área das Migrações defendeu que as autoridades gregas, a UE e os Estados-membros do bloco comunitário “devem agir imediatamente para garantir a segurança de todas as pessoas afetadas”.


Migrants sit inside the burnt Moria Camp on the Greek island of Lesbos on September 9, 2020, after a major fire. - Thousands of asylum seekers on the Greek island of Lesbos fled for their lives early September 9, as a huge fire ripped through the camp of Moria, the country's largest and most notorious migrant facility. Over 12,000 men, women and children ran in panic out of containers and tents and into adjoining olive groves and fields as the fire destroyed most of the overcrowded, squalid camp. The blaze started just hours after the migration ministry said that 35 people had tested positive at the camp. (Photo by Anthi PAZIANOU / AFP)
Grécia declara estado de emergência em Lesbos após incêndio em Moria
O Governo grego anunciou esta quarta-feira que vai declarar estado de emergência na ilha de Lesbos, na sequência do incêndio no campo de refugiados de Moria, que destruiu praticamente todo o local e deixou cerca de 13.000 desabrigados.

Entre as medidas necessárias deve “aumentar os esforços de realocação" e "transferir as pessoas para alojamentos mais seguros", uma vez que isso "é agora mais urgente do que nunca”, afirma.

"Existe neste momento uma emergência humanitária em Lesbos. Durante a noite, quase 13.000 pessoas no campo de refugiados de Moria perderam o escasso abrigo e saneamento que tinham. Já tinham suportado deixar as suas vidas, casas e bens quando fugiram para a Europa. Agora, este incêndio destruiu provavelmente tudo o que lhes restava, incluindo documentos essenciais, artigos pessoais e medicamentos", prosseguiu a representante.

Adriana Tidona reforçou: “Quando a UE lançar o seu novo Pacto sobre Migração e Asilo, deve ter em conta que a sua política atual para os campos de refugiados fracassou".

Cerca de cinco anos após a crise migratória que atingiu a Europa entre 2015 e 2016, considerada então a maior das últimas sete décadas, os países da UE ainda não conseguiram alcançar um consenso sobre as questões migratórias, nomeadamente sobre a reforma do sistema europeu comum de asilo e a distribuição dos requerentes de asilo.

É expectável que a Comissão Europeia apresente em breve uma proposta, muito aguardada e entretanto várias vezes adiada, para uma reforma da política de migração e asilo na UE.

Fontes citadas pelos ‘media’ internacionais durante o verão indicaram que poderia ser em setembro.

A investigadora da AI também mencionou que este incêndio ocorreu numa altura em que casos da doença covid-19 foram detetados naquele campo de processamento e de acolhimento para migrantes e refugiados, também conhecidos como 'hotspots'.

“Esta tragédia acontece depois de pelo menos 35 requerentes de asilo terem testado positivo à covid-19 em Moria, onde o distanciamento social é impossível e o saneamento básico é inadequado”, afirmou Adriana Tidona.

A investigadora ainda criticou a estratégia adotada pelo Governo da Grécia no campo de refugiados de Moria, considerado um dos maiores e com piores condições da Europa.

“O Governo grego reagiu e colocou todo o campo em quarentena, (…) essa medida não deveria ter sido aplicada, devido às difíceis condições de vida dos residentes”, disse a representante, concluindo que os direitos básicos destas pessoas ficaram “bastante afetados".

De acordo com os relatos disponíveis, o incêndio começou por volta da meia-noite e não existem informações, até ao momento, de possíveis vítimas mortais.


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