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Americanos "desviam" máscaras com destino ao Grand Est
Mundo 2 min. 04.04.2020 Do nosso arquivo online

Americanos "desviam" máscaras com destino ao Grand Est

Americanos "desviam" máscaras com destino ao Grand Est

Foto: AFP
Mundo 2 min. 04.04.2020 Do nosso arquivo online

Americanos "desviam" máscaras com destino ao Grand Est

Corrida ao material de proteção individual, maioritariamente fabricado na China, está a criar uma espécie de "faroeste", com encomendas a serem redireccionadas para os que pagam mais.

 Um carregamento de milhões de máscaras que estava para descolar, esta semana, de Xangai com destino a França, para ser posteriormente entregue às autoridades de saúde do Grand Est acabou por ser "desviado" para os EUA, ainda no aeroporto. 

A revelação foi feita por Renaud Muselier, presidente da região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, à RT France, que disse que um colega seu - o presidente da região do Grand Est - tinha perdido um carregamento de milhões de máscaras oriundas das China, em pleno aeroporto de Xangai, para um grupo desconhecido de americanos que tinha pago o triplo do valor, em dinheiro, no local. 

A situação foi confirmada por Jean Rottner, o presidente da região de Grand Est, à RTL.

 "Lutamos 24 horas por dia, e, na pista [do aeroporto], os americanos pegam no dinheiro e pagam três ou quatro vezes mais pelos pedidos que fizemos", lamentou.


Turquia retém um carregamento de respiradores comprado por Espanha
O material produzido na Turquia e comprado por Espanha destinava-se ao combate ao novo coronavírus e foi retido por Ancara para o caso de vir a ser necessário naquele país.

A corrida mundial às máscaras para aumentar a proteção de profissionais e população contra a covid-19 está a levar a alguma escassez no material, ao consequente aumento de preços e a práticas comerciais, por vezes, pouco transparentes e a ocasionais bloqueios das próprias autoridades chinesas.

Autosuficiência até 2020

Essa dependência quase total da China em relação a um material que agora se revela vital fez com que o presidente francês, Emmanuel Macron, viesse esta semana reclamar uma "soberania francesa e europeia" na capacidade de produzir produtos básicos e essenciais. 

O governante quer que até ao final deste ano, a França consiga uma "independência plena" na produção de máscaras.

"A nossa prioridade é produzir mais em França e na Europa. Esta crise ensina-nos que se impõe uma soberania europeia em relação a certos bens, produtos e materiais", disse na terça-feira, aos jornalistas, durante uma visita a uma fábrica que está a fazer máscaras, nos arredores de Paris.

Enquanto essa independência não se concretiza as encomendas a fabricantes chineses continuam, mesmo com as dificuldades crescentes.

Este sábado o ministro da Saúde da França, Olivier Véran, anunciou que a França encomendou cerca de dois mil milhões de máscaras a fabricantes da China.

“Devemos estar perto de dois mil milhões de exemplares de máscaras já encomendadas à China, mas vamos continuar a encomendar mais”, disse o ministro, em entrevista ao jornal online Brut, citada pela agência Lusa.

Apesar disso, reconheceu que os pedidos feitos pelo governo francês "são muito maiores" do que o que receberam e estão sujeitos a uma “competição mundial”, sublinhou, lembrando os esforços da França para, ao mesmo tempo, aumentar a sua produção nacional de máscaras de proteção.

  “Temos de ser capazes de produzir máscaras para pessoas que não são cuidadoras, pessoas de segunda linha, que entrarão em contacto com o público ou, no futuro, para proteção de todos. Estamos a discutir isso com o conselho científico, com especialistas em virologia, agências de saúde, e vamos pedir que reavaliem a doutrina”, adiantou. 

AT

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