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Ameaça da guerra paira sobre Irão
Mundo 14 3 min. 24.06.2019

Ameaça da guerra paira sobre Irão

Ameaça da guerra paira sobre Irão

Foto: AFP
Mundo 14 3 min. 24.06.2019

Ameaça da guerra paira sobre Irão

Bruno AMARAL DE CARVALHO
Bruno AMARAL DE CARVALHO
Washington terá lançado ataque cibernético contra sistema informático militar iraniano.

 O assessor de segurança nacional dos Estados Unidos, John Bolton, avisou o Irão, a partir de Israel, neste domingo, para não confundir a prudência de Washington com fraqueza. “Como disse o presidente Trump, esta sexta-feira, o nosso exército está pronto para entrar em ação”, afirmou. O assessor da Casa Branca sustentou que “o Irão não quer a paz” e acusou Teerão de transferir armas ilegalmente para o Iraque, Síria, Líbano, Iémen e Afeganistão.

Já o presidente dos Estados Unidos anunciou sanções adicionais contra o Irão a partir da segunda-feira passada. “[O uso da força] está sempre em cima da mesa, até resolvermos isto”, avisou, citado pela agência americana AP.

É mais uma escalada numa guerra que só é de palavras porque Donald Trump recuou no último momento quando já havia ordenado um ataque ao Irão, na quinta-feira, depois de ver abatido um drone norte-americano que tinha entrado no espaço aéreo persa, de acordo com Teerão. Contudo, não é um sinal de distensão. Nesse mesmo dia, de acordo com a Yahoo News, o comando cibernético do exército dos Estados Unidos lançou um ataque digital contra o sistema informático militar iraniano que já estava a ser preparado há várias semanas, senão meses, segundo militares anónimos citados pela Associated Press. As fontes da agência afirmam, ainda, que o Pentágono já teria mostrado vontade de lançar uma operação deste tipo depois do ataque, há quase duas semanas, a dois petroleiros no Golfo de Omã cuja autoria Washington atribui ao Irão.

Este país rejeita qualquer responsabilidade e acusa Bolton, Netanyahu e adeptos de uma política agressiva com o Irão de terem orquestrado os ataques aos navios para acusar Teerão e declarar a guerra. O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros apontou o dedo, na sua conta no Twitter, ao que chamou “Equipa B”, referente às iniciais de Bolton, Bibi (Netanyahu, primeiro-ministro israelita) e Bin Zayed e Bin Salman (líderes da Arábia Saudita).

Neste jogo do puxa e empurra, as alegações da Casa Branca não convencem a União Europeia que não vê razões para mudar a sua postura em relação ao Irão até prova em contrário. Mergulhada no processo de escolha do novo presidente da Comissão Europeia, os dirigentes europeus mantêm confiança na ideia de que Teerão vai cumprir o acordo assinado, em 2015, que fixou um limite ao enriquecimento de urânio, apesar de o Irão ter anunciado que vai ultrapassar esse valor. "Hoje começou a contagem regressiva para ultrapassar os 300 quilos de reservas enriquecidas de urânio e daqui a 10 dias, ou seja, em 27 de junho, vamos ultrapassar esse limite", afirmou o porta-voz da Organização iraniana de Energia Atómica.

A administração Trump rompeu com o acordo histórico que o Irão tinha assinado com o chamado grupo P5+1 - China, França, Reino Unido, Rússia, Alemanha e Estados Unidos - que determina que o Irão só pode produzir urânio enriquecido até um limite de 300 quilogramas e não pode exceder os níveis de baixo enriquecimento, de 3,67%. A decisão da Casa Branca de voltar a impor sanções a Teerão, apesar do cumprimento do acordo, recebeu a oposição de todos os outros países. "Até agora, o Irão tem sido cumpridor com os seus compromissos, como esperávamos que fosse", declarou Federica Mogherini, chefe da diplomacia da UE, que insistiu que iria aguardar pelo próximo relatório da agência da Organização das Nações Unidas para os assuntos nucleares, a Agência Internacional de Energia Atómica. Mas tudo pode mudar se Teerão ultrapassar os 300 quilogramas de urânio enriquecido dentro de dois dias como anunciou.

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