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Alterações Climáticas. Ecologistas paralisam centro de Londres

Alterações Climáticas. Ecologistas paralisam centro de Londres

Foto: AFP
Mundo 25 1 3 min. 16.04.2019

Alterações Climáticas. Ecologistas paralisam centro de Londres

Milhares responderam ao apelo dos ambientalistas Extinction Rebellion e bloquearam várias zonas do centro da capital do Reino Unido.

 Apelam à desobediência civil para travar o aquecimento global. Um mês antes de se despirem na Câmara dos Comuns durante um debate sobre o Brexit, os ambientalistas do grupo Extinction Rebellion despejaram 200 litros de sangue falso à porta de Theresa May, no número dez da Downing Street. A partir desta segunda-feira estão na rua. São milhares, gritam que é “pela última oportunidade de sobreviver”.

Em poucas horas, já bloquearam momentaneamente a Ponte Waterloo com árvores e painéis solares, estacionaram um barco rosa choque na Oxford Circus e estão a impedir a circulação entre o Marble Arch e o Hyde Park, onde montaram um acampamento já baptizado de “ilegal” pelas autoridades britânicas.

As portas giratórias da sede da petroleira Shell, em Londres, foram vandalizadas e a Sky News diz que pelo menos quatro pessoas foram levadas para a esquadra central da Polícia Metropolitana.

Os protestos também chegaram à Escócia, onde outros quatros homens foram detidos. Escalaram o gidastre Finnieston Crane para pendurar uma faixa estrategicamente virada para os estúdios na BBC em Glasgow. Dizia “Ciência, Não Silêncio”.

Assumido, o objetivo dos ambientalistas é converter ao caos, controlado, o centro da capital britânica para pressionar o governo a declarar o que chamam de “estado de calamidade ambiental”.

Em 2025 não querem ouvir falar da emissão de gases poluentes que exigem ver reduzida a zero. É a exigência número um dos ativistas que também propõe a criação de assembleias alargadas de cidadãos para debater estratégias capazes de travar as alterações climáticas.

Nos briefings à comunicação social, a Polícia Metropolitana de Londres apela à normalidade e pede à população que evite áreas congestionadas ou de grande concentração. Diz que “há planos de contingência adequados” para todas as situações e que está a “acompanhar com atenção” este que é o primeiro grande protesto do grupo de ativistas.

Dispostos a ser presos”

É como o nome indica, criado em maio de 2018, com a benção de cem académicos no Reino Unido, o movimento Extinction Rebellion, que numa tradução literal significa “Rebelião contra a Extinção”, surge em resposta aos alertas das Nações Unidas que, no Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas, garante que o planeta está a 11 anos de atingir níveis desastrosos de aquecimento.

Estão nas redes sociais e têm canais de youtube. Dizem que só a resistência não-violenta pode evitar o colapso do clima, minimizar o risco de extinção humana e caos ecológico. Neste vídeo dão um workshop sobre a prisão, arma, dizem, para romper a invisibilidade da causa ambiental.

Os vídeos 360 não têm suporte aqui. Ver o vídeo na aplicação Youtube.


À CNN , um dos fundadores do grupo, Roger Hallam, conta que a 8 de abril mais de 10 mil pessoas em todo o mundo assinaram uma petição onde assumem que estão “dispostas a ser presas”, três mil no Reino Unido. O investigador do King’s College acredita que só a mobilização e a desobediência são capazes de promover uma mudança social.


Guilherme Serôdio. “O poder político está a perder legitimidade porque não faz face à crise climática”
Um dos fundadores do Extinction Rebellion, o grupo que "invadiu" nu o Parlemento do Reino Unido, é português. Já foi detido várias vezes e considera que a sobrevivência do planeta depende de uma mudança política global. Para isso, é preciso fazer muito mais que manifestações. Até porque os governos têm feito orelhas moucas aos cidadãos.

“30 anos de campanha ambiental e não deu em nada”, lamenta outro membro dos Extinction Rebellion à cadeia de televisão norte-americana. “Agora é a sério. As pessoas sabem que não há outra opção”, continua Paluch-Machnik.

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