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Alemanha. Unidade de elite pode ser extinta devido a infiltração da extrema-direita
Mundo 2 min. 02.07.2020

Alemanha. Unidade de elite pode ser extinta devido a infiltração da extrema-direita

Alemanha. Unidade de elite pode ser extinta devido a infiltração da extrema-direita

Foto: dpa
Mundo 2 min. 02.07.2020

Alemanha. Unidade de elite pode ser extinta devido a infiltração da extrema-direita

Redação
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A ministra alemã da Defesa, Annegret Kramp-Karrembauer, denunciou "comportamentos extremistas" numa unidade de elite alemã e vai ser investigada a desaparição de explosivos e de munições na unidade KSK. Para já, uma das companhias vai ser extinta.

Pela primeira vez, desde que a Bundeswer foi criada em 1955, para substituir a Wermacht nazi, uma das suas unidades vai ser parcialmente dissolvida. A KSK (Comando de Forças Especiais, em português), com base em Calw, na floresta negra, em Bade-Wutemberg, é acusada de albergar vários membros da extrema-direita e estar envolvida num desvio de explosivos e munições para o exterior, numa altura que se se multiplicam atentados atribuídos à extrema-direita alemã. 

"A KSK não pode continuar a existir na sua forma atual", informou a ministra da Defesa, numa conferência de imprensa convocada para a passada quarta-feira.  A titular da Defesa anunciou uma série de medidas, entre as quais a dissolução de uma das quatro companhias da KSK. Essa companhia ficou conhecida em 2017 por fazer a saudação nazi durante a festa de despedida de um dos seus oficiais e tocar rock de bandas neonazis. 

A ministra Kramp-Karrembauer também anunciou que a participação da KSK em operações internacionais estava suspensa e que toda a formação do pessoal da unidade seria revisto e que, caso a unidade não acabasse dissolvida, seriam impedidos os seus 1.400 elementos de fazer toda a sua carreira nela. 

As declarações da ministra foram feitas depois de ser conhecidas as conclusões de um inquérito, conduzido pelo chefe de estado maior da Budeswher, Eberhard Zorn, que foi apresentado ao Parlamento alemão. Nesse documento de 55 páginas era revelado que a presença de elementos de extrema-direita nessa unidade das forças especiais não era um problema recente nem conjuntural, "havendo uma cultura e um terreno favorável ao desenvolvimento destas tendências extremistas, sendo necessário quebrar as práticas que permitem essa deriva", nomeadamente a cultura de impunidade e o muro de silêncio que permitiram o crescimento da extrema-direita nas suas fileiras. 

O inquérito revelou também o desaparecimento de 37 mil munições e 62 quilos de explosivo militar de alta potência dos paióis da KSK. A ministra da Defesa anunciou que um inventário rigoroso do material militar ia ser feito, para saber com rigor a quantidade de material desaparecido e a quem teria sido entregue.

Este caso dá-se no contexto de um aumento significativo da violência e atentados de extrema-direita nos últimos tempos, como o assassínio do presidente da câmara de Cassel, Walter Lübke, por um neonazi em junho de 2019; o atentado contra a sinagoga de Halle, em outubro de 2019; e o metralhar de vários bares árabes em Hanau, já em fevereiro de 2020. 

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