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Alemanha. Transmissão do vírus é maior em zonas de grande votação na extrema-direita
Mundo 2 min. 26.01.2021

Alemanha. Transmissão do vírus é maior em zonas de grande votação na extrema-direita

Alemanha. Transmissão do vírus é maior em zonas de grande votação na extrema-direita

Foto: Christoph Soeder/dpa
Mundo 2 min. 26.01.2021

Alemanha. Transmissão do vírus é maior em zonas de grande votação na extrema-direita

Membro do Governo de Angela Merkel associa este fenómeno com a propagação de teorias negacionistas associadas a comportamentos de risco.

Independentemente da zona geográfica, a extrema-direita tem ocupado a agenda mediática com protestos negacionistas contra a gestão da pandemia em vários países. É o caso da Alemanha onde a AfD contesta o uso obrigatório de máscaras em locais fechados ou as restrições aplicadas pelo governo alemão para travar a propagação da doença como o encerramento do comércio não essencial. Num dos protestos, os eleitos do partido no parlamento regional do estado de Hessen apareceram com máscaras com as palavras "burca de Merkel". 

Mas vários analistas mostram-se agora preocupados com a maior incidência do vírus em áreas com de maior influência eleitoral da extrema-direita. É uma correlação estatística que tem despertado a curiosidade da imprensa alemã. Acontece especialmente nos estados do leste onde a AfD obteve níveis de votação entre os 25% e os 35% nas eleições legislativas de 2017. 

Um dos membros do partido de Angela Merkel acha que não é coincidência. O comissário para os Assuntos do Leste, Marco Wanderwitz, afirmou que aqueles que rejeitam as medidas de contenção contribuem para a propagação do vírus.

O Instituto para a Democracia e Estudos da Sociedade Civil em Jena está a examinar os dados para ver se é possível concluir que as posições políticas da AfD causam contágio, encorajando certas atitudes e comportamentos. O seu diretor, o especialista em extrema-direita Matthias Quent diz que a correlação estatística é "muito clara". Mas adverte: "A correlação não é a causa. Outros fatores poderiam explicar porque é que a segunda vaga da pandemia explodiu precisamente onde a extrema direita triunfou, tais como o rendimento dos habitantes destas áreas, a distribuição da população ou a qualidade e acessibilidade dos serviços de saúde. Todos estes fatores têm de ser tidos em conta, e temos de verificar se, se os excluirmos, o voto na extrema-direita continua a ser uma causa", cita o El País.

Wanderwitz está convencido de que a relação é uma relação de causalidade. "Claro que ninguém está infetado por votar na AfD", disse ontem numa entrevista com vários meios de comunicação regionais, referida pela EFE. Mas de acordo com o seu raciocínio, se os eleitores e apoiantes do partido de extrema-direita seguirem os seus slogans e não respeitarem as restrições, estão a facilitar a ocorrência de mais contágios. 

Para além da AfD, Wanderwitz mencionou outros grupos negacionistas como o Reichsbürger (Cidadãos do Reich), um movimento anti-semita de extrema-direita que não reconhece a legitimidade do governo alemão e círculos esotéricos. "Se rejeitarem as medidas, acabam por ajudar o vírus a propagar-se", afirmou. O comissário também ligou a tendência para negar a realidade que, na sua opinião, se verifica em algumas regiões da extinta RDA, ao que aconteceu nos Estados Unidos com os eleitores de Donald Trump na campanha eleitoral de 2016.

No Verão passado, vários milhares de pessoas manifestaram-se em Berlim para protestar contra as medidas de prevenção do coronavírus sob o lema "fim da pandemia, dia de liberdade". Foram organizados por Querdenken (pensamento lateral), um movimento de Estugarda que reúne ativistas anti-vacinas, libertários, conspiradores e extremistas de direita que procuram desestabilizar através questionando a crise do coronavírus.

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