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Alemanha quer ter reservatórios de gás a 90% até novembro
Mundo 4 min. 15.06.2022
Crise energética

Alemanha quer ter reservatórios de gás a 90% até novembro

Crise energética

Alemanha quer ter reservatórios de gás a 90% até novembro

Foto: Axel Heimken/dpa
Mundo 4 min. 15.06.2022
Crise energética

Alemanha quer ter reservatórios de gás a 90% até novembro

AFP
AFP
A Alemanha está a trabalhar arduamente para consolidar as suas reservas de gás antes do inverno, uma corrida que está a decorrer nos campos da Baviera, a 1.600 metros de profundidade, numa das maiores instalações de armazenamento do país.

No meio de terrenos agrícolas perto do rio Inn, o antigo jazigo mineral de gás natural de Bierwang serve agora como reservatório operado pela empresa de energia alemã Uniper.

A sua capacidade de mais de 800 milhões de metros cúbicos de gás seria suficiente para abastecer a cidade de Munique durante oito meses.

Entre dois invernos, a unidade de Bierwang, como todos os outros reservatórios alemães, tem de reforçar as suas reservas.


Alemanha anuncia redução da dependência energética da Rússia
A dependência do carvão diminuiu de forma considerável, de 50% para 8%, confirma um relatório do Ministério da Economia alemão.

Este ano, o risco é ainda maior: com a guerra da Rússia na Ucrânia, Moscovo pode decidir a qualquer momento cortar ou reduzir o seu fornecimento de gás à Alemanha.

Na terça-feira, o grupo russo Gazprom anunciou que iria reduzir a sua capacidade de entrega diária à Alemanha através do gasoduto Nord Stream em mais de 40%, evocando um problema técnico.

Dependência de gás russo caiu 20% nos últimos meses

"A segurança do abastecimento no próximo inverno dependerá de dois fatores: quão cheias estão as instalações de armazenamento e quanto gás fresco chega de forma contínua", disse Sebastian Herold, professor de economia da energia na Universidade de Ciências Aplicadas de Darmstadt (centro).

Foi neste contexto de tensão que Berlim aprovou uma lei de emergência que exige que os reservatórios do país estejam 90% cheios até novembro.

O conjunto dos locais de armazenamento da Alemanha têm uma capacidade equivalente a 25% do consumo nacional de gás. Caso haja problemas, são complementados pelos fluxos entregues pelos oleodutos.

"Em ambos os casos (reservatórios e oleodutos), as entregas russas desempenham um papel fundamental", realça Sebastian Herold, uma vez que a Alemanha, apesar da guerra na Ucrânia, continua a comprar muito gás à Rússia.


Governo alemão anuncia acordo no Qatar para fornecimento de gás
Habeck disse que o apoio do Emir do Qatar foi maior do que o esperado. "O dia ganhou ímpeto", comentou, citado pela agência espanhola Europa Press.

No entanto, o país está a tentar reduzir a sua dependência, tendo a quota das importações de gás russo caído de 55% para 35% nos últimos meses.

Em Bierwang, uma rede de tubagens ligadas a edifícios com grandes turbinas permite que o gás seja comprimido antes de ser injetado na rocha porosa, sobre uma área subterrânea cujo tamanho equivale a cerca de um terço da cidade de Paris.

Este método de armazenamento não está a progredir tão rapidamente como o método de injeção do gás em enormes cavidades naturais das salinas, que está mais difundido no norte do país.

Mas "estamos no bom caminho para garantir a segurança do fornecimento de gás este inverno", aponta Doug Waters, diretor-geral de armazenamento na Uniper, que opera nove reservatórios na Alemanha.

Indústria consome mais de um terço do gás anualmente
 

A taxa de abastecimento das instalações alemãs estava a 55% na terça-feira. Isto é "melhor do que em anos anteriores, mas ainda não é suficiente", de acordo com o chefe da Agência Federal da Rede, Klaus Müller.

Principal potência económica da União Europeia (UE), que deverá desativar as suas últimas centrais nucleares no final do ano, a Alemanha ainda precisa de gás, pois mais de um terço do seu consumo anual cabe à indústria.

Os comerciantes e fornecedores de gás estão a reservar capacidade de armazenamento em Bierwang e noutros locais para assegurar posteriormente as entregas aos seus clientes, empresas e autoridades municipais.


UE aprova embargo ao petróleo russo
À uma da manhã desta terça-feira, foi anunciado o acordo que horas antes parecia impossível. Segundo von der Leyen, 90% do petróleo russo não entrará nos portos europeus até ao fim do ano.

Por enquanto, "os preços por grosso são tais que os nossos clientes têm um bom incentivo para encher as instalações", observa Michael Schmöltzer, diretor da Uniper na Áustria.

Contudo, a situação é mais incerta para o enorme reservatório de Rehden, na Baixa-Saxónia (norte), que era propriedade da empresa russa de energia Gazprom até à primavera. Berlim suspeita que o grupo manteve deliberadamente o armazenamento a um nível baixo no verão anterior à invasão da Ucrânia, como forma de exercer pressão sobre a Alemanha.

Em abril, o governo alemão assumiu o controlo do local e de outras infraestruturas estratégicas pertencentes à Gazprom na Alemanha.

Na terça-feira, Berlim anunciou um plano de resgate multimilionário para impedir a falência da antiga filial da Gazprom e não pôr em risco a segurança energética do país.

Com uma capacidade de 4 mil milhões de m3, o reservatório de Rehden, o maior da Europa, está atualmente apenas a 7,95%.

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