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Alemanha prepara pacote ambiental de 40 mil milhões
Mundo 4 min. 20.09.2019

Alemanha prepara pacote ambiental de 40 mil milhões

Alemanha prepara pacote ambiental de 40 mil milhões

Foto: AFP
Mundo 4 min. 20.09.2019

Alemanha prepara pacote ambiental de 40 mil milhões

Bruno AMARAL DE CARVALHO
Bruno AMARAL DE CARVALHO
Governo alemão prevê investir 40 mil milhões de euros em pacote ambiental de medidas “muito ambicioso” para lançar as bases de uma "economia verde"

Não é casual. A última fase de negociações entre os partidos que compõem a coligação governamental na Alemanha para lançar as bases de uma economia verde coincide com a semana global de protesto pelo clima. Todas as sextas-feiras, os estudantes alemães manifestam-se no âmbito da ação Fridays for Future em defesa do ambiente mas hoje não é um dia qualquer. Desta vez, os alunos apelaram à sociedade civil para que se mobilizasse em força e participasse na manifestação. Sindicatos, a igreja e até uma lista vasta de empresas apoiam o protesto marcado para esta sexta-feira.

Na quinta-feira, representantes dos democratas cristãos e dos social-democratas juntaram-se para concluir um importante pacote de medidas climáticas em que têm estado a trabalhar há vários meses. Esta sexta-feira de manhã, de acordo com a imprensa alemã, ainda estavam reunidos. O objetivo é lançar as bases para que a principal economia da Europa cumpra os seus compromissos de redução dos gases com efeito de estufa e algumas das reivindicações ambientais proclamadas nas ruas e nas intenções de voto, onde os Verdes deram um salto inédito na história do país.

Angela Merkel, que quer com este pacote de medidas marcar a legislatura, pode vir a propor importantes alterações nos transportes, agricultura e habitação que vão custar 40 mil milhões de euros. Não são tempos fáceis para a chanceler alemã há 14 anos no poder e a cumprir os últimos quatro anos. O frágil governo que lidera pode estar em causa quando se espera um balanço dos parceiros políticos no fim do ano para decidir se se prossegue o trabalho conjunto ou se convoca eleições antecipadas. Tanto mais que se prevê a apresentação da iniciativa três dias antes da cimeira do clima organizada pelas Nações Unidas em Nova Iorque. O pacote climático é o último trunfo da líder alemã como evidenciava na quinta-feira o Der Spiegel: “Hoje é o dia do ano da política alemã”. O jornal sustenta que "a coligação luta esta semana não só pelo clima, mas sobretudo pela sua própria sobrevivência". 

O El País apontava esta sexta-feira que a “chanceler do clima” está em declínio. É verdade que Merkel decretou o encerramento de centrais nucleares, deu início a uma importante transição energética e confrontou o negacionismo climático de Donald Trump. Mas, explica o jornal, a chefe do governo alemão não cumpriu com a palavra dada. Se Berlim nada fizer para reverter a situação atual, a Alemanha, o sexto país do mundo que mais CO2 liberta na atmosfera, não vai conseguir cumprir as metas de redução em 40% nas emissões de gases de efeito de estufa até 2020 em relação a 1990.

Para evitar esse incumprimento e dar um impulso à indústria alemã, estão a preparar esta iniciativa que faz parte do acordo assinado pelos diferentes partidos para constituir a coligação governamental. O debate decorre há vários meses e envolve ministros com responsabilidades em setores determinantes na luta contra as alterações climáticas. De acordo com o El País, Merkel afirmou há alguns dias que "proteger o clima é um desafio para a humanidade", enquanto o vice-chanceler, Olaf Scholz, disse que estão a trabalhar num "pacote climático muito ambicioso". Os conservadores (CDU) e os sociais-democratas (SPD) defendem o mesmo objetivo mas diferentes formas de lá chegar.

Fixar um preço para as emissões de CO2 no setor dos transportes e da construção e estabelecer um mecanismo de comércio de emissões é uma das principais medidas e também um ponto de desacordo entre os membros do governo. O partido social-democrata prefere fixar um imposto sobre o dióxido de carbono, ao qual os conservadores se opõem. Os conservadores optam por fixar um preço e negociar as emissões poluentes.

Tornar os voos domésticos mais caros e, ao mesmo tempo, reduzir os bilhetes de comboio e os transportes públicos em geral é uma das medidas que se espera venham a ser incluídas no pacote. Os políticos alemães também consideram aumentar as portagens para os carros mais poluentes, encorajar os carros elétricos, proibir o aquecimento a diesel a partir de 2030 e adaptar a agricultura a práticas de baixas emissões.

Apesar da dimensão do pacote, as propostas não satisfazem as organizações ambientais. Citado pelo El País, Tobias Austrup, um especialista em energia da Greenpeace na Alemanha, acredita que o pacote "tem apenas pontos fracos". O governo quer fazer muito só com subsídios e não com medidas vinculativas. Esses planos só vão cortar metade das reduções previstas até 2030", denunciou o especialista. Acelerar a eliminação do carvão - em 2030 em vez do previsto para 2038 - de modo a que, dentro de seis anos, todos os automóveis vendidos sejam elétricos ou uma revisão profunda da política agrícola para reduzir a produção de carne são prioridades para a Greenpeace.

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