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Alemanha enfrenta "pandemia de não vacinados"
Mundo 4 min. 03.11.2021 Do nosso arquivo online
Covid-19

Alemanha enfrenta "pandemia de não vacinados"

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Alemanha enfrenta "pandemia de não vacinados"

Foto: Cesar Lanfranco/dpa
Mundo 4 min. 03.11.2021 Do nosso arquivo online
Covid-19

Alemanha enfrenta "pandemia de não vacinados"

Ministro da Saúde defende dose de reforço da vacina para todos e não apenas para grupos de risco e critica falhas na verificação do certificado de vacinação.

O número de infeções por covid-19 na Alemanha está a crescer de tal forma, principalmente entre as pessoas que não receberam a vacina, que o ministro da Saúde, Jens Spahn, fala numa "pandemia de não vacinados", pedindo uma ação mais vigorosa. "Em algumas regiões da Alemanha, as camas de cuidados intensivos estão novamente a esgotar-se", disse Spahn, em conferência de imprensa.

Na quarta-feira, as autoridades de saúde locais alemãs relataram 20.398 novos casos de covid-19 e 194 mortes relacionadas com a infeção, nas últimas 24 horas. Segundo a AFP, a incidência de novos casos em sete dias num rácio de 100 mil pessoas diminuiu - e pelo segundo dia consecutivo (de 147 para 154) - , mas os especialistas dizem que o feriado de segunda-feira (1 de novembro) pode ter afetado os números. 

O rácio de doentes covid em unidades de cuidados intensivos - por 100 mil habitantes, em sete dias -, também está a aumentar. Nesta quarta-feira foi de 3,62 (na terça-feira foi de 3,29). A maior incidência de hospitalização na Alemanha foi de cerca de 15,5 - na época de Natal do ano passado. 

  "A pandemia ainda não acabou"  

Mais de 66 por cento da população alemã está totalmente vacinada, mas Spahn expressou a sua frustração pelo facto da vacinação ter abrandado e de uma proporção significativa de pessoas entre os 18 a 59 anos ainda não terem sido vacinadas. "A pandemia ainda não acabou", disse Spahn. "Haveria significativamente menos doentes covid-19 nas unidades de cuidados intensivos se todos fossem vacinados", reforçou. 

O ministro da Saúde instou as pessoas a serem vacinadas, a continuarem a usar máscaras e a continuarem a distanciar-se e a arejar os espaços interiores. 


EUA avançam com vacina anticovid para crianças dos 5 aos 11 anos
Primeiro grupo de crianças tomou a primeira dose da vacina da Pfizer ontem à noite. O fármaco demonstrou uma eficácia de 90,7% nos ensaios clínicos e será administrado em duas tomas, mas com dosagem adaptada.

Spahn também apelou a verificações mais rigorosas em estabelecimentos - tais como restaurantes e bares - ou em eventos onde apenas aqueles que possam demonstrar que foram vacinados, que tenham recuperado da doença ou que testaram recentemente negativos (as chamadas regras 3G), estejam autorizados a entrar. 

"O meu certificado de vacinação foi controlado mais frequentemente num dia em Roma do que em quatro semanas na Alemanha", disse Spahn, citado pelo The Local, salientando que o sistema de verificação de passes de vacinação na Alemanha não é aplicado de forma consistente.

Spahn defendeu ainda que nas regiões que têm sido afetadas pela pandemia com gravidade, o acesso deveria ser limitado àqueles que estão totalmente vacinados ou podem apresentar provas de recuperação - um sistema conhecido como 2G na Alemanha. "Não tem nada a ver com intimidação", disse, "mas com evitar uma sobrecarga do sistema de saúde". 

Sugeriu também testes obrigatórios para lares de idosos, incluindo testes para pessoas vacinadas e recuperadas. Alguns estados federais já o fazem, mas não todos, e o ministro defende que estas regras "devem ser possíveis para todos". 

"O ritmo da vacinação de reforço não é suficiente"

A recomendação final de Spahn foi para se insistir na vacinação de reforço, lembrando que o Governo começou a oferecer doses de reforço ainda em agosto aos residentes e ao pessoal dos lares de idosos. "Nestes três meses, houve apenas dois milhões de terceiras vacinações", disse. "Isto é muito pouco. O ritmo da vacinação de reforço não é suficiente". 

Spahn apontou como exemplo Israel, cujos resultados indicam a "diferença que as doses de reforço podem fazer na dinâmica da infeção". Spahn reiterou o apelo da semana passada para que qualquer pessoa que deseje uma nova dose tenha a oportunidade de o fazer seis meses após a sua última vacina - independentemente de pertencer ou não a um grupo de risco.

A Comissão Permanente de Vacinação (STIKO), contudo, recomenda atualmente uma dose complementar apenas para pessoas com mais de 70 anos, pessoas que necessitam de cuidados de saúde continuados, pessoas com condições de saúde pré-existentes, e aqueles que trabalham no sistema de saúde ou com pessoas vulneráveis. 

Quem recebeu a vacina da AstraZeneca ou da Johnson & Johnson também deve receber uma vacina de reforço, recomenda o Ministério da Saúde alemão, sendo que as que receberam a vacina da J&J têm direito a uma vacina de reforço de mRNA quatro semanas após a última dose. Mas Spahn insiste que todos deveriam ter acesso à dose de reforço. Lothar Wieler, chefe do RKI, disse, na mesma conferência de imprensa, que as pessoas vacinadas estão muito mais protegidas do que as que não são vacinadas. 

Leif-Erik Sander, chefe do grupo de investigação em imunologia infeciosa e investigação de vacinas no hospital Charité, em Berlim, salientou, em declarações ao The Local, que a probabilidade de alguém contrair o vírus e de o transmitir é menor nas pessoas vacinadas.

No entanto, também apontou que é verdade que nos próprios estudos do hospital foi possível demonstrar que cerca de 40 por cento das pessoas com mais de 70 anos de idade já não tem anticorpos neutralizantes seis meses após a toma da vacina, o que aumenta o risco de voltarem a ficar infetadas.

Para o especialista, a vacinação de reforço é ainda mais importante porque aumenta novamente a proteção "acima do nível atingido após a segunda toma da vacina". 

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