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Alemães preparam-se para casas mais frias e ruas escuras neste inverno
Mundo 5 min. 11.08.2022
Energia

Alemães preparam-se para casas mais frias e ruas escuras neste inverno

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Alemães preparam-se para casas mais frias e ruas escuras neste inverno

Foto: Stefan Sauer/dpa
Mundo 5 min. 11.08.2022
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Alemães preparam-se para casas mais frias e ruas escuras neste inverno

Bloomberg
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Algumas lojas já comunicaram que estão esgotar o 'stock' de aquecedores elétricos.

Enquanto outra onda de calor atinge a Europa, a Alemanha prepara-se para um inverno longo e frio, devido à crise de energia causada também pela guerra na Ucrânia. O presidente russo, Vladimir Putin, já reduziu as entregas de gás natural para o país, através do gasoduto Nord Stream 1, em 80%, e ameaçou cortar completamente o fornecimento de gás à Alemanha. 

Quase metade de todas as residências na Alemanha usa o gás natural como principal meio de aquecimento, e a Rússia representava, até recentemente, 55% das importações de gás do país. Substituir os fornecimentos cada vez menores da Rússia e ir buscar energia a outros países em poucos meses é quase impossível, dada a falta de infraestrutura, como gasodutos ou terminais de GNL. 


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Scholz falou com os seus homólogos de Portugal, Espanha e França e com a presidente da Comissão Europeia para impulsionar esse projeto, que visa reduzir a dependência da Rússia.

Por isso, os alemães estão preocupados com os próximos meses de inverno: algumas lojas já comunicaram que estão esgotar o stock de aquecedores elétricos. “Tenho a sensação de que estamos a caminhar como sonâmbulos em direção a uma catástrofe”, disse Lamia Messari-Becker, professora de tecnologia de construção e física de construção da Universidade de Siegen, no oeste da Alemanha. 

Berlim apagou a iluminação noturna da residência presidencial  

O governo alemão pediu aos cidadãos, municípios e consumidores industriais que economizem energia, e os esforços podem ser vistos em todo o país. Berlim apagou a iluminação noturna da residência presidencial, do Palácio Bellevue e do edifício do Reichstag, a sede do parlamento do país. As autoridades estão a discutir se devem reduzir as luzes dos mercados de Natal no inverno e a debater como manter prédios públicos - como bibliotecas - abertos e aquecidos. 

O Senado de Berlim quer cortar pelo menos 10% de seu consumo de energia. Hanover, uma cidade de 530.000 habitantes e sede da maior corporação da Alemanha, a Volkswagen, baixou a temperatura da água em piscinas públicas aquecidas e desligou a água quente em todos os edifícios da cidade num esforço para reduzir o consumo de energia em 15% . Algumas ruas deixaram de ser iluminadas à noite e os chafarizes públicos pararam de funcionar. 


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Por exemplo, numa casa de família com um consumo anual de 15.000 quilowatts/hora, os "novos custos anuais ascendem a cerca de 2.918 euros, em comparação com os 1.353 euros anteriores".

Até agora, o público está a aceitar bem estas mudanças. Axel von der Ohe, primeiro vereador em Hanover, disse à rádio pública Deutschlandfunk que as medidas são necessárias e que a maioria das pessoas as entende “porque a situação é grave, e é por isso que mostram solidariedade e concordam ”.

Mesmo municípios menores começaram a reduzir o uso de energia. A cidade de Pritzwalk, com 9.000 habitantes, no leste rural do país, equipou as luzes da rua com tecnologia LED. Mas as cidades pequenas não têm muito espaço de manobra, disse o prefeito Ronald Thiel. “Há pouco potencial de economia no setor de energia em pequenos municípios como Pritzwalk no caso de funções obrigatórias, como as escolas”, afirmou. 

País não tornou obrigatórias as medidas de economia de energia  

Ao contrário de países como Espanha, a Alemanha não tornou obrigatórias as medidas de economia de energia. "Apelos" não serão suficientes, advertiu Karen Pittel, diretora do ifo Center for Energy, Climate and Resources e professora de economia da Universidade de Munique. “Em algumas áreas, como prédios públicos, escritórios, lojas ou até na iluminação externa, posso muito bem imaginar essa obrigação”, disse, embora para residências particulares, “os incentivos para economizar energia provavelmente funcionem melhor”.

 A Vonovia, o maior grupo imobiliário da Alemanha, possui centenas de milhares de apartamentos em todo o país e planeia reduzir gradualmente o aquecimento nas propriedades durante a noite para reduzir em 8% o uso de energia. Na Alemanha, o gás natural é usado principalmente para fins industriais (37% do total), seguido pelo aquecimento doméstico (31%). 

Os preços altos e a potencial escassez futura representam uma séria ameaça para a economia alemã, que depende fortemente da manufatura. Novas estimativas do Fundo Monetário Internacional preveem uma taxa de crescimento mais lenta do que o esperado anteriormente de 1,2% para 2022 e 0,8% para 2023, em parte devido à crise energética. 


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A capital alemã junta-se, assim, ao esforço coletivo para acautelar a possível escassez dos próximos meses.

Volkswagen vai usar carvão por mais tempo do que o planeado 

A indústria alemã também está a tentar ajudar a cumprir o plano da UE para reduzir o consumo de gás em 15%. A Volkswagen tem a sua própria fábrica em Wolfsburg, onde queima carvão ou gás, e diz que usará carvão por mais tempo do que o planeado. No entanto, mudar para outras fontes de energia é mais difícil para a indústria siderúrgica. A líder do setor ThyssenKrupp já está a antecipar uma queda temporária na produção. 

Os cortes no consumo devem ser complementados com o objetivo de gerar energia, disse Messari-Becker. “Não conseguiremos fazer isso [prevenir a falta de gás no inverno] apenas com economia. Também temos de gerar mais [energia]. Cada quilowatt-hora extra que produzimos dá segurança.” Messari-Becker disse também que não vê uma alternativa de curto prazo ao carvão. 

No mês passado, o parlamento alemão votou pela reativação de usinas de carvão extintas como uma medida temporária, apesar de isso contrariar as suas metas climáticas. Mas alguns especialistas dizem que as tentativas conjuntas de economizar energia precisavam de dar atenção às áreas da transição energética que foram negligenciadas — como formas mais ecológicas de fornecer calor, através de bombas de calor, por exemplo. 


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"Essa negligência está agora a prejudicar-nos, porque o número de especialistas nessa área é muito pequeno e o potencial ainda é mal compreendido pelos potenciais utilizadores”, disse Stefan Büttner, economista da Universidade de Stuttgart.

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