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Afeganistão. Véu será obrigatório para as mulheres, mas burca não
Mundo 2 min. 18.08.2021
Talibãs

Afeganistão. Véu será obrigatório para as mulheres, mas burca não

Em Barcelona, catalães pedem ao Governo que receba mulheres e crianças afegãs, em risco com o regresso dos talibãs ao poder.
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Afeganistão. Véu será obrigatório para as mulheres, mas burca não

Em Barcelona, catalães pedem ao Governo que receba mulheres e crianças afegãs, em risco com o regresso dos talibãs ao poder.
Thiago Prudencio/SOPA Images via
Mundo 2 min. 18.08.2021
Talibãs

Afeganistão. Véu será obrigatório para as mulheres, mas burca não

Os talibãs tomaram o poder no Afeganistão este domingo, voltando a assumir os destinos do país vinte anos depois da ocupação dos EUA, na sequência os ataques do 11 de setembro.

O uso do burca, no Afeganistão, vai deixar de ser obrigatório para as mulheres porque "existem diferentes tipos de véus", afirmou esta terça-feira um porta-voz dos talibãs.

Os talibãs tomaram o poder no Afeganistão este domingo, voltando a assumir os destinos do país vinte anos depois da ocupação dos EUA, na sequência os ataques do 11 de setembro.


Imagens da televisão Al-Jazeera mostram membros dos talibã no palácio presidencial, em Cabul, após a tomada de poder no Afeganistão.
Afeganistão. Emirado Islâmico diz querer mulheres no governo
Talibãs afirmaram que "uma amnistia geral foi declarada para todos (...) e que, por isso, todos devem regressar à normalidade, em confiança".

O anterior governo dos talibãs, que vigorou entre 1996 e 2001, e na altura reconhecido pelos norte-americanos, instaurou um período de terror no Afeganistão, violando direitos humanos e reduzindo particamente todos os direitos das mulheres e raparigas das raparigas. Entre outras coisas, as mulheres deixaram de poder estudar, trabalhar ou viajar, eram forçadas a casar, muitas ainda crianças, e obrigadas a usar burca em público - o véu que cobria todo o corpo e rosto, com uma rede de pano sobre os olhos. 

Os novo governo dos talibãs revelou algumas mudanças em relação às mulheres, anunciando-as em conferências de imprensa, ainda que sublinhe que qualquer uma dessas mudanças será enquadrada pela lei islâmica.

Na prática, e segundo o anunciado pelos talibãs, as mulheres já não deverão ser obrigadas a usar burca, uma vez que existem outros véus.  "A burca não é o único hijab (véu) que pode ser usado, existem diferentes tipos de hijab que não se limitam à burca", afirmou Suhail Shaheen, porta-voz do gabinete político do grupo em Doha, à televisão Sky News da Grã-Bretanha.

Shaheen não especificou, contudo, que outros tipos de hijab serão aceitáveis para os talibãs. 

O porta-voz do governo disse também que as mulheres terão direito à educação "desde o ensino primário até à universidade". "Anunciámos esta política em conferências internacionais, na conferência de Moscovo e aqui na conferência de Doha (Afeganistão)", referiu, acrescentando que milhares de escolas em áreas controladas pelos talibãs ainda estão abertas. O novo governo diz também estar disposto a incluir mulheres no governo. 


Secretário-geral da ONU preocupado com situação das mulheres e meninas face ao regresso dos talibãs
Regresso dos talibãs ao poder põe em perigo os direitos readquiridos pela população do sexo feminino, nos últimos anos, mas também a sua segurança.

Com o regresso ao poder dos talibãs, que no seu último governo aplicaram uma versão ultra-rigorosa da lei islâmica, muitos países e organizações de direitos humanos expressaram preocupação com a situação das raparigas e mulheres no Afeganistão. 

 Na semana passada, o Secretário-Geral da ONU António Guterres disse que era "particularmente horrível e desolador que os direitos duramente conquistados das raparigas e mulheres afegãs estejam a ser tirados" em áreas controladas pelo grupo radical.

De acordo com as regras anteriores dos talibãs, as mulheres só podiam deixar as suas casas acompanhadas por um "mahram", um acompanhante masculino da sua família. Flagelações e execuções públicas, incluindo apedrejamentos por adultério, ocorriam frequentemente em praças e estádios da cidade, sob o governo dos talibãs, que se tornaram também conhecidos por cortarem as mãos a ladrões, matarem em público condenados por homicídio e homossexuais. 

com AFP

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