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Administradores acusados de provocar suicídios podem acabar na prisão
Mundo 2 min. 12.07.2019

Administradores acusados de provocar suicídios podem acabar na prisão

Administradores acusados de provocar suicídios podem acabar na prisão

Foto: Le Pictorium Agency
Mundo 2 min. 12.07.2019

Administradores acusados de provocar suicídios podem acabar na prisão

A empresa France Telecom e os membros da direção estão acusados de "assédio moral" que terá conduzido a 19 suicídios e enfrentam penas de um ano de prisão e multas de dezenas de milhares de euros.

A France Telecom - que agora se chama Orange - está acusada de ser responsável pela onda de suicídios que levou à morte de 19 pessoas, devido aos métodos de assédio que usou quando decidiu iniciar um plano radical de redução dos seus 100 mil postos de trabalho, com a extinção de uma parte e a precarização dos restantes.

De acordo com a Agência France Press, as duas procuradoras que tinham a seu cargo a acusação apontaram o dedo à empresa por ter posto em prática uma "política empresarial de desestabilização" dos trabalhadores. Uma delas, a procuradora Brigitte Pesquié, destacou que, neste processo, "o que é invulgar é o assédio [erigido em] estratégia numa das maiores empresas do país".

A outra procuradora, Françoise Benezech, afirmou por seu lado que "a obsessão da saída em três anos, de 2007 a 2010, de 22 mil assalariados e da mobilidade de 10 mil pessoas tornou-se o centro da atividade dos dirigentes da France Télécom". E prosseguiu, sublinhando que os administradores tinham consciência de estarem a degradar as condições de trabalho e procuraram deliberadamente essa desestabilização.

Numa sessão de cinco horas, o Ministério Público pediu, além de uma multa quase simbólica de 75 mil euros, uma pena de prisão efetiva de um ano para os administradores de então, incluindo o antigo presidente da France Telecom, Didier Lombard, o seu lugar-tenente, Louis-Pierre Wenès, e o antigo diretor de Recursos Humanos, Olivier Barberot.

Pesquié considerou que um ano de prisão efetiva é uma pena demasiado leve para a gravidade dos factos imputados aos administradores. Mas, acrescentou, sendo esse o máximo que a lei prevê, as duas procuradoras viam-se obrigadas a pedi-lo ao tribunal.

Quatro outros diretores foram acusados de cumplicidade, sendo pedida para eles uma pena de oito meses de prisão efetiva e multas de 10 mil euros.

À imprensa, o filho de um trabalhador que se autoimolou pelo fogo no parque de estacionamento da empresa, lamentou a ligeireza das penas pedidas para ações que tiveram efeitos tão graves, chamando a atenção para a falta de arrependimento dos réus, por saberem "que não arriscam grande coisa".

A advogada Sylvie Topaloff, da acusação, reforçou o requisitório das duas magistradas lembrando que a política de assédio fora concebida "ao mais alto nível" e que os administradores procuravam cumprir a promessa feita aos bancos, de reduzir os tais 22.000 postos de trabalho. 

Do lado oposto, o advogado da defesa, Patrick Maisonneuve, sustentou que as rescisões seriam "voluntárias" e que "a  responsabilidade pessoal [dos réus, nos suicídios] não foi demonstrada". As alegações da defesa vão prosseguir na segunda feira e o processo deverá estar concluído em 11 de julho.

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