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Adiadas outra vez, para 18 de outubro, as presidenciais e legislativas na Bolívia
Mundo 3 min. 14.08.2020

Adiadas outra vez, para 18 de outubro, as presidenciais e legislativas na Bolívia

Manifestantes protestam contra o adiamento das eleições.

Adiadas outra vez, para 18 de outubro, as presidenciais e legislativas na Bolívia

Manifestantes protestam contra o adiamento das eleições.
Foto:AFP
Mundo 3 min. 14.08.2020

Adiadas outra vez, para 18 de outubro, as presidenciais e legislativas na Bolívia

Redação
Redação
Apesar de uma série de violações às regras da democracia, tentativas de impedir que a oposição possa concorrer e sucessivos adiamentos das eleições, o Governo de La Paz tem merecido o apoio dos EUA e não tem sido criticado pela União Europeia.

As eleições presidenciais e legislativas na Bolívia vão realizar-se em 18 de outubro, data que não pode ser adiada, anunciaram as autoridades eleitorais.

"O Tribunal Supremo Eleitoral aprovou, por unanimidade, a resolução 205 que confirma e fixa o domingo 18 de outubro de 2020 como data definitiva, inamovível e sem adiamento possível para a jornada eleitoral", declarou o presidente do órgão, na quinta-feira.

Salvador Romero salientou que a data agora escolhida "afasta-se do pico da epidemia", previsto pelas autoridades sanitárias bolivianas para entre final de agosto e princípio de setembro, garantindo uma eleição "limpa, transparente, preparada com capacidade técnica e conduzida com imparcialidade política", defendeu.

De acordo com o tribunal, esta data "não é a ideal, nem a escolhida por nenhuma candidatura ou força política, social, regional", mas "permite conciliar a proteção da saúde pública" com a realização das eleições.

Inicialmente marcadas para 03 de maio, as eleições foram adiadas para 06 de setembro e depois para 18 de outubro, devido aos riscos associados à pandemia da covid-19.

Dois adiamentos dos escrutínios desencadearam tensões políticas, que persistem no país, e levaram os apoiantes do ex-Presidente boliviano, Evo Morales, a bloquear várias estradas.

Os protestos foram realizados pela Central Operária Boliviana e pelo Pacto de Unidade, que integra movimentos de camponeses e de indígenas próximos do Movimento para o Socialismo (MAS) de Morales.

Na quinta-feira assinalou-se a 12.ª jornada consecutiva de bloqueios de estradas e caminhos para exigir a rápida realização das eleições e também a demissão da Presidente interina do país, Jeanine Áñez.

As eleições para escolher um novo Presidente, vice-Presidente, deputados e senadores estão pendentes desde a anulação do escrutínio de outubro do ano passado, em que Morales foi declarado vencedor, entre denúncias de fraudes, ainda sob investigação judicial.

Recorde-se que um estudo dos especialistas em integridade eleitoral Jack Williams e John Curiel, da prestigiada universidade  MIT Election Data and Science Lab, concluiu que “não há nenhuma evidência estatística de fraude” nas eleições presidenciais de outubro passado na Bolívia, que apontavam o ex-presidente Evo Morales como vencedor do escrutínio. Por causa da pressão dos militares, o líder boliviano abandonou o cargo. Os investigadores classificaram as conclusões do relatório divulgado pela Organização dos Estados Americanos (OEA) em novembro como “profundamente falhos”, de acordo com um artigo publicado a no The Washington Post. 

O então Presidente da Bolívia anunciou a renúncia ao cargo, decisão que tomou depois de um golpe de Estado, organizado para o privar da quarta vitória eleitoral consecutiva e para o afastar do poder, depois de quase 14 anos na chefia do país. Esse golpe de Estado foi apoiado pelos EUA e teve o silêncio compremetido da União Europeia.

Recentemente, O empresário Elon Musk, dono da empresa Tesla e quinta pessoa mais rica do mundo, confirmou, no final de julho, que “vai dar golpes em quem for necessário” para conseguir o lítio ao comentar o golpe de Estado que derrubou Evo Morales na Bolívia. O país tem as maiores reservas de lítio do mundo.

Para estas eleições, os atuais governantes estão a tentar impedir que possam concorrer candidatos do partido de Morales, largamente maioritário na população indígena que constitui a maior parte do país.

com Lusa

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