Escolha as suas informações

A Venezuela vai ter duas moedas e uma delas é cripto

A Venezuela vai ter duas moedas e uma delas é cripto

Foto: AFP
Mundo 2 min. 14.08.2018

A Venezuela vai ter duas moedas e uma delas é cripto

A partir da próxima segunda-feira, a Venezuela vai eliminar o bolívar e ter o petro e o bolívar soberano, eliminando cinco zeros da antiga moeda, num esforço para combater a inflação. É o primeiro país a colocar uma moeda da família dos bitcoins, petro, como moeda nacional.

 A Venezuela vai passar a ter duas unidades monetárias contabilísticas, o bolívar soberano e o petro, uma criptomoeda venezuelana, a partir da próxima segunda-feira, anunciou o Presidente Nicolás Maduro.

Naquela data, a Venezuela vai eliminar oficialmente cinco zeros da atual moeda, o bolívar forte, dando origem ao bolívar soberano, anunciou Maduro, no final de uma reunião com o gabinete económico, no palácio presidencial de Miraflores, na segunda-feira.

"Todas as operações [da PVSA] vão ser registadas com a unidade contabilística petro. Uma mudança fundamental no modelo monetário, para uma nova economia do país", afirmou.

A partir da próxima segunda-feira, o Banco Central da Venezuela começará a publicar os valores oficiais de funcionamento, com a ancoragem do bolívar soberano no petro, dia a dia", disse.

O petro vai ser a unidade contabilística de referência obrigatória para a empresa petrolífera estatal Petróleos da Venezuela SA (PDVSA).

Maduro decretou feriado a 20 de agosto, devido à entrada em vigor das novas moedas.

O Presidente anunciou que vai dar a conhecer, em breve, um "novo sistema salarial e um novo sistema de bens e serviços, [cujos preços vão estar] ancorados ao petro", o que "vai significar uma melhoria substancial para os [rendimentos dos] trabalhadores".

Nicolás Maduro declarou que será criado um sistema de subsídio direto, interno, à gasolina e aos hidrocarbonetos, produtos que passarão a ter preços iguais ao mercado internacional, como uma medida para acabar com o contrabando de combustível para países vizinhos.

"Peço a todo o país, a todos os venezuelanos, empenho para que todos os passos futuros sejam um êxito", afirmou.

Em conversa tida há algum tempo, do Contacto, com com o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, ele justificou a necessidade de uma nova política monetária, para ultrapassar os estrangulamentos e bloqueios que a economia do país está sujeita: " Sobretudo o efeito bancário. Na América, a maioria das transações passam pelo sistema financeiro em Nova Iorque e em Londres, e nenhuma transação é feita connosco. Quando vendemos o petróleo, quando as empresas nos vão pagar, não nos chega o dinheiro. Compramos medicamentos e comida e essas transações são bloqueadas pelos bancos. Temos mais de mil milhões de dólares de pagamentos às nossas mercadorias bloqueadas na UE, só num intermediário. Estamos a trabalhar com a China, Rússia, Turquia e Índia para abrir contas bancárias em moeda local, para poder contornar estas limitações que nos são impostas. Desenhámos e planificámos uma criptomoeda: os EUA sancionaram-na antes mesmo de existir, nenhum cidadão ou empresa dos EUA podem transacionar com esta moeda. É uma obsessão contra nós. Temos aliados como a China, Índia, Rússia, Turquia e até Portugal para conseguirmos ultrapassar estas dificuldades".

Nuno Ramos de Almeida com Lusa

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba a nossa newsletter das 17h30.


Notícias relacionadas

Maduro aumenta o salário mínimo 35 vezes
O Presidente da Venezuela anunciou o aumento do salário mínimo de 5.196.000 para 180.000.000 bolívares (de 1,14 euros para 39,50 euros), ou seja, 35 vezes superior ao que os venezuelanos recebem atualmente.