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A revolução é feminina
Opinião Mundo 2 min. 02.10.2022
O poder das mulheres

A revolução é feminina

Protestos no Irão
O poder das mulheres

A revolução é feminina

Protestos no Irão
AFP
Opinião Mundo 2 min. 02.10.2022
O poder das mulheres

A revolução é feminina

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
O episódio revoltante que se viveu recentemente no Irão está a provocar uma verdadeira revolução no país. Milhares de mulheres estão a sair à rua,

Com desprezo, hostilização e ódio. Foi assim que um grupo de líderes religiosos na Líbia olhou para mim, quando entrei na sala em que estavam, com os ombros descobertos. Senti-me radiografada dos pés à cabeça. Um alvo a abater que estariam dispostos a fulminar com o olhar se os seus olhos disparassem tiros. Rapidamente fui acompanhada para fora da sala. Estava em reportagem na Líbia e por mero acaso fui parar aquele hotel onde se reuniam líderes religiosos muçulmanos de diversos países. Senti-me como uma das moscas que sobrevoavam a comida que se encontrava na mesa em que comiam. Insignificante, pequenina e desprezível. Horas antes tinha falado com uma tunisina que me dizia como a Líbia era um país progressista em relação às mulheres quando comparado com a Tunísia e outros países muçulmanos. Se isto era ser progressista… Recordo esta história passada há mais de 20 anos como um dos momentos em que pior me senti na minha vida.

O  episódio revoltante que se viveu recentemente no Irão está a provocar uma verdadeira revolução no país. Milhares de mulheres estão a sair à rua, em protesto contra a morte de uma jovem pelas mãos da "polícia da moralidade" iraniana. Estão a queimar publicamente os véus islâmicos, mesmo correndo o risco de serem presas. Caso já chamou a atenção de líderes mundiais.


No Irão, já morreram 83 pessoas por saírem à rua para protestar
A Iran Human Rights referiu que "milhares" de manifestantes e ativistas civis foram detidos e denunciou que portais na internet ligados ao governo iraniano compartilharam vídeos com confissões falsas obtidas sob ameaça e tortura.

Há duas semanas que as ruas do Irão se enchem de manifestantes contra a morte da jovem Mahsa Amini, de 22 anos. 

Masha, natural do Curdistão, visitava a família em Teerão sem imaginar que aquela seria a sua última viagem. Foi detida por alegadamente usar a hijab (véu islâmico) de uma forma "imprópria". Segundo o código de vestuário das mulheres na República Islâmica do Irão, estas não podem mostrar os cabelos em público, usar saias curtas, calças justas, jeans, cores vivas.


Irão. A revolução das mulheres continua. E algumas estão a morrer pela liberdade
Os protestos pela morte de Masha Amini não têm fim à vista e a tensão entre a população e as autoridades têm aumentado. Há já mais de 50 mortos confirmados.

Presa por uma unidade especial conhecida como a "polícia da moralidade", terá sido espancada e sofrido tortura, segundo a família. A mulher, cujo primeiro nome curdo é Jhina, entrou em coma e acabou por morrer no dia 16 de setembro, num hospital da capital. As autoridades negam as acusações e afirmam que Masha morreu de causas naturais. 

Lembro-me discussões nas minhas aulas de Antropologia. Até onde deve ir a tolerância cultural pela diversidade. O limite tem que ser o respeito pelos direitos humanos. E há muito tempo que no Irão se passou esta barreira.


"É como estarmos mortas, apenas a respirar"
São refugiados afegãos que vivem no Luxemburgo. Contam o que viveram e sentiram nestes dias em que os taliban retomaram o poder no Afeganistão. Por razões de segurança e para evitar eventuais represálias sobre as suas famílias mantemos o seu anonimato. Dizem que se a comunidade internacional nada fizer o país vai viver uma “catástrofe”.

Assim como no Afeganistão, com o regresso dos Taliban ao poder. Uma realidade que indignou a comunidade internacional, mas que agora todos parecem ter esquecido. Apenas porque desapareceu das primeiras páginas dos jornais e dos alinhamentos dos telejornais.

Agora é a hora das mulheres iranianas levantarem a sua voz para mudar uma realidade que é desumana.

Porque mais uma vez a revolução é feminina.

 

 

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Em protesto contra a morte de uma jovem pelas mãos da "polícia da moralidade" iraniana, milhares de mulheres saem à rua todos os dias e estão a queimar publicamente os véus islâmicos, mesmo correndo o risco de serem presas.