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A presidência sueca da UE e o escândalo das enguias protegidas
Mundo 2 min. 24.01.2023
Suécia

A presidência sueca da UE e o escândalo das enguias protegidas

O primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson, contratou um assessor que pescou ilegalmente enguias em vias de extinção no Mar Báltico.
Suécia

A presidência sueca da UE e o escândalo das enguias protegidas

O primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson, contratou um assessor que pescou ilegalmente enguias em vias de extinção no Mar Báltico.
Foto: AFP
Mundo 2 min. 24.01.2023
Suécia

A presidência sueca da UE e o escândalo das enguias protegidas

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
O primeiro-ministro do país contratou um assessor que pescou ilegalmente enguias em vias de extinção no Mar Báltico. E sabia disso. "Foi estúpido", afirmou, mas não viu razões para não o contratar.

Em Portugal os relatos de escândalos com ministros, autarcas e indemnizações milionárias avultadas abundam na imprensa e nas televisões. Mas o reino nórdico de 10 milhões de habitantes que este mês ocupou a presidência da UE para o primeiro semestre de 2023 está a braços com outro tipo de escândalo. O primeiro-ministro Ulf Kristersson confessou - e será levado a uma comissão do Parlamento sueco por isso - que sabia que um seu assessor tinha pescado enguias protegidas quando decidiu contratá-lo.

Ulf Kristersson ganhou as eleições na Suécia em setembro e tomou posse a 18 de outubro levando esta democracia nórdica a virar bastante à direita com o seu Partido Moderado, que tem uma posição mais dura com a imigração e conta com o apoio da extrema-direita dos Democratas Suecos. 

Quando questionado pela imprensa se sabia que o assessor em causa, Peter Magnus Nilsson, tinha pescado ilegalmente enguias em vias de extinção no Mar Báltico, Kristersson disse que estava a par dos acontecimentos e que o comportamento de Nilsson tinha sido "estúpido", mas isso não significa que ele não fosse adequado ao trabalho.

A oposição dos sociais-democratas pede agora a demissão de Nilsson e explicações sobre o processo que levou à sua nomeação e ao acesso que lhe foi permitido a dossiês de segurança. A BBC relata que o porta-voz deste partido disse à televisão que era inaceitável que um assessor próximo do primeiro-ministro mentisse à polícia, dado "os problemas que temos com o crime sério na Suécia".


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Pescar ou não pescar. Mentir ou não mentir

O assessor em causa, Peter Magnus Wilson, era um jornalista especializado em assuntos financeiros quando foi convidado pelo recém-empossado Kristersson para se juntar ao seu gabinete.

O caso das enguias ocorrera um ano antes disso, no outono de 2021. Na Suécia não se pode pescar as muito apreciadas enguias sem uma licença especial. Explicando-se no Facebook, segundo a BBC, Nilsson disse que estava a tentar devolver ao mar as enguias presas nas suas redes. E, segundo um relato oficial, tinha quatro armadilhas contendo 15 enguias, que no total pesavam 11 quilos. 

Quando os fiscais apreenderam as armadilhas e lhe perguntaram se estas lhe pertenciam, o jornalista negou. Um ano depois, a polícia persistentemente telefonou-lhe a perguntar o mesmo. Nilsson manteve a sua primeira versão dos factos e disse que nada lhe pertencia.

Mais tarde, refere a BBC, telefonou ele à polícia para retificar a verdade. Por causa disso foi multado em 3.500 euros.

"Lamento muito tudo isto", disse Nilsson sobre a sua continuada relutância em admitir o crime. 


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Ulf Kristersson disse que não deixou de o convidar para o seu gabinete, uma vez que o atual assessor se arrependeu e pagou a multa. Mas mesmo assim, o PM sueco será ouvido numa comissão parlamentar.

Esta terça-feira, foi apresentado no Parlamento Europeu o plano de prioridades para a presidência sueca da União Europeia, com o lema "Mais verde, mais seguro, mais livre". E, para a oposição sueca, não fica bem a um governo ser apanhado com um pescador furtivo de uma espécie em vias de extinção nas suas fileiras.

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