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A Lei Seca fez cem anos
Mundo 2 min. 20.01.2020

A Lei Seca fez cem anos

A Lei Seca fez cem anos

Foto: Wikipedia
Mundo 2 min. 20.01.2020

A Lei Seca fez cem anos

A época de gangsters famosos como Al Capone e de bares clandestinos onde não faltava álcool de contrabando começou em janeiro de 1920 quando o Congresso dos Estados Unidos aprovou a Lei Seca proibindo o comércio e o consumo de bebidas alcoólicas.

Em janeiro de 1920, o Congresso dos Estados Unidos consagrou na legislação as exigências da parte conservadora da sociedade norte-americana que responsabilizava o álcool por vários problemas sociais. Movimentos como o Exército de Salvação defendiam a proibição total da venda das bebidas alcoólicas e as bancadas da Câmara dos Representantes e do Senado aprovaram a Lei Volstead, ou 18ª Emenda, que proibia a fabricação, a venda e a importação de bebidas alcoólicas, que ficou conhecida como Lei Seca. 

Em vigor até 6 de dezembro de 1933, teve o efeito contrário ao que pretendiam os legisladores: a fabricação e venda ilegal de bebidas alcoólicas generalizou-se e abriu porta ao período dourado de gangsters como Al Capone. O aumento do crime organizado inspirou obras-primas do cinema, como Os Intocáveis, Lowless, Scarface, Once Upon a Time in America e a trilogia O Padrinho.

No livro Last Call: The Rise and Fall of Prohibition, de Daniel Okrent, os dados são esmagadores. No século 18, um adulto consumia em média cerca de 26,5 litros anuais de álcool puro, o equivalente a 1,7 garrafas de álcool destilado por semana. Mas se nos primeiros anos a quebra no acesso ao álcool foi real com mais de 70% de redução no consumo, a escassez durou pouco. Ao longo dos 14 anos de Lei Seca, os norte-americanos foram encontrando todos os meios ilícitos de conseguir comprar bebidas, produzidas clandestinamente ou trazidas pelo contrabando a partir do Canadá.

A tentação de furar a lei frequentando os bares clandestinos fazia com que os clientes bebessem com maior intensidade e rapidez. Bebia-se mais nos últimos anos da Lei Seca do que quando o álcool voltou a ser legalizado em 1933. Em cidades como Nova York e Chicago, floresçaram os Speakeasy, bares clandestinos escondidos em porões, urinóis ou atrás de cortinas ou portas secretas, como o lendário Cotton Club, aberto em 1920 no Harlem's Black Quarter, que inspirou o filme homónimo de Francis Ford Coppola. As bebidas destiladas e espirituosas servidas naqueles bares improvisados eram tão maus que cocktails famosos como Whiskey Sour, Mint Julep ou Tom Collins foram inventados para disfarçar o mau gosto. Entre os clássicos há também o Manhattan que Marilyn Monroe preparou numa garrafa de água quente na cena do comboio da comédia Some Like it Hot de Billy Wilder. Outros preferiam viajar para Havana, onde a lei era permissiva.

Com a proibição amplamente violada, os norte-americanos, sobretudo os mais ricos, contornavam a lei sem problemas. De acordo com a BBC, dizia-se, na época, que o presidente Warren Harding serviu abertamente na Casa Branca álcool confiscado pelo seu próprio governo. A lei tornou-se cada vez mais impopular na sociedade e a perda de receitas fiscais com a venda de álcool ficou ainda mais evidente com a grave crise económica que se abateu depois do crash na bolsa de Nova Iorque em 1929. Franklin Roosevelt prometeu revogar a medida durante a sua campanha presidencial em 1932 e um ano depois a lei deixou de existir.

Atualmente, a idade legal para beber é de 21 anos, uma restrição maior do que na maioria dos países. Os condados e as cidades "secas", onde a venda de álcool é restrita ou totalmente proibida, existem ainda hoje em todo o país.

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