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A guerra entre a Arménia e o Azerbaijão volta em Nagorno-Karaback
Mundo 3 min. 28.09.2020

A guerra entre a Arménia e o Azerbaijão volta em Nagorno-Karaback

A guerra entre a Arménia e o Azerbaijão volta em Nagorno-Karaback

Foto: AFP
Mundo 3 min. 28.09.2020

A guerra entre a Arménia e o Azerbaijão volta em Nagorno-Karaback

Bruno Amaral de Carvalho
Bruno Amaral de Carvalho
O regresso às hostilidades entre a república separatista de maioria arménia e o Azerbaijão ameaça escalar para uma nova guerra na região do Cáucaso.

Até ao momento, não é certo qual dos lados começou as hostilidades mas a guerra regressou a Nagorno-Karaback, região separatista de maioria arménia no Azerbaijão que declarou a independência logo após a dissolução da União Soviética. Tanto as autoridades arménias como as azeris estão apelar à mobilização das suas tropas para uma eventual guerra direta na região.

Durante a tarde de domingo, o Ministério azeri da Defesa acusou as autoridades arménias de divulgar dados falsos sobre as primeiras baixas no conflito e alegou não corresponderem à realidade. Seria uma forma de evitar que a população soubesse “o caos no exército arménio e os êxitos do exército do Azerbaijão”.

Para este país, o exército arménio sofreu pesadas perdas como resultado dos combates no primeiro dia de combates. “Vinte e dois tanques inimigos e outros veículos blindados, 15 sistemas de mísseis antiaéreos OSA, 18 veículos aéreos não tripulados, oito instalações de artilharia foram destruídas", bem como "três depósitos de munições do exército arménio", lê-se numa declaração do Ministério azeri da Defesa, de acordo com agências da região.

"O número de mortos e feridos do pessoal inimigo ascende a mais de 550 mortos e feridos", afirma o documento.

Do outro lado, o Ministério arménio da Defesa contesta estas informações. "Durante esta noite, os combates continuaram e as nossas forças armadas alcançaram êxitos significativos. No entanto, não há pausa, a luta continua, em alguns lugares continua a troca de fogo de artilharia. As baixas entre os nossos soldados, anunciadas pelo lado azeri, não correspondem à realidade", anunciou o porta-voz arménio da Defesa, Artsrun Ovannisián. As autoridades de Erevan, capital da Arménia, assumiram 16 mortos entre as suas tropas e 100 feridos. O Azerbaijão admitiu, por sua vez, a morte de 12 dos seus efetivos militares apesar de as autoridades arménias dizerem que foram 200.

Quanto às baixas civis, o provedor de justiça de Nagorno-Karabakh, Artak Beglarian, declarou por volta do meio-dia de domingo que uma mulher e uma criança foram mortas e duas pessoas ficaram feridas. Pela sua parte, Vagram Poghosian, porta-voz do presidente da República de Nagorno-Karabakh, disse aos meios locais que "dezenas" de pessoas ficaram feridas. O Azerbaijão tinha comunicado a hospitalização de 19 civis.

Com a Arménia a apelar ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDH) para forçar o Azerbaijão a pôr termo aos "ataques militares a colonatos civis" no meio de tensões crescentes entre as duas nações na região de Nagorno-Karabakh, o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov manteve uma conversa telefónica com o seu homólogo arménio Zohrab Mnatsakhanian durante a qual "exprimiu sérias preocupações sobre as hostilidades em curso em larga escala" e apelou a um cessar-fogo entre os dois países. Lavrov também anunciou a disponibilidade de Moscovo para empreender "esforços de mediação" para estabilizar a situação em Nagorno-Karabakh.

Pela sua parte, a Turquia manifestou o seu apoio ao Azerbaijão e acusou a Arménia de iniciar o conflito. "Condenamos veementemente o ataque arménio, que constitui uma clara violação do direito internacional que causou vítimas civis", afirmou o Ministério turco dos Negócios Estrangeiros, acrescentando que apoiará o Azerbaijão "por todos os meios".

Já o Irão, país vizinho, apelou ao fim das hostilidades. "O Irão acompanha de perto o conflito com preocupação e apela ao fim imediato do conflito e ao início das conversações entre os dois países. Teerão está pronto a dar todo o seu apoio", afirmou à Reuters um porta-voz daquela pasta.

Também a NATO se pronunciou pelo fim do conflito e apelou a um cessar-fogo das duas partes. A União Europeia (UE), o Conselho Europeu, a Rússia, a França e a Alemanha já lamentaram os confrontos e pediram a cessação imediata das hostilidades, bem como o regresso à mesa de negociações. 

O Nagorno-Karabakh é um enclave de facto da Arménia no Azerbaijão cuja capital é Stepanakert com 53 mil habitantes. A república separatista fica numa região montanhosa no Transcáucaso.

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