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40 países suspendem Boeing 737 Max. EUA e Canadá mantêm voos

40 países suspendem Boeing 737 Max. EUA e Canadá mantêm voos

Foto: AFP
Mundo 4 min. 13.03.2019

40 países suspendem Boeing 737 Max. EUA e Canadá mantêm voos

No espaço de seis meses, já é o segundo avião 737 Max 8 que cai poucos minutos após a descolagem. Acidentes na Etiópia, no domingo passado, e na Indonésia, outubro de 2018, provocaram a morte de 346 pessoas.

Uma lista extensa de países proibiram a circulação do modelo Boeing 737 Max no seu espaço aéreo, após a queda de um aparelho da Etiopian Airlines no domingo passado, que vitimou 157 pessoas, à exceção dos EUA, país que produz o avião, e do Canadá que continuam a autorizar o voo destes aparelhos. 

Este foi o segundo acidente com o mesmo modelo em menos de seis meses, após um avião da Lion Air ter caído ao mar de Java, na Indonésia, a 29 de outubro de 2018. No total, os dois acidentes mataram 346 pessoas. 

"Até agora, a nossa apreciação é a de que não há nenhum problema com o desempenho [do aparelho] e não há qualquer razão para suspender a sua circulação", refere hoje a Agência Federal de Aviação (FAA, em inglês) norte-americana em comunicado. "As autoridades de aviação civis não nos providenciaram nenhuma informação que jsutifique a medida", acrescenta. 

Alguns políticos do Partido Democrata criticam esta falta de decisão dos EUA, que está também a causar algum medo e ansiedade entre os passageiros e as tripulações de aviões. Mais longe foram os trabalhadores norte-americanos do sector: Após alguns se terem recusado a embarcar numa aparelho do mesmo modelo dos que caíram o sindicato da tripulação de cabine da American Airlines encorajou mesmo os seus membros a não embarcarem se não se sentirem seguros.   

Desta forma, várias companhias, incluindo americanas, ainda mantém os aparelhos desta gama em atividade: American Airlines (EUA), United (EUA), Air Canada (Canadá) WestJet (Canadá), Southwest airlines (Havai), Fiji Airways (Fiji),  Icelandair (Islândia), Flydubai (Dubai), Spicejet (Índia). 

Tal decisão está em contraciclo com a interdição do voo deste modelo por cerca de 40 países, incluindo 28 Estados-membros da União Europeia (UE) dos modelos Max 8 e 9. A Agência de Aviação da UE decidiu suspender o voo do aparelho como "medida de precaucão". Após o anúncio, vários países europeus decidiram mesmo assim suspender o aparelho: Áustria, Bélgica, França, Alemanha, Islândia, Irlanda, Itália, Holanda e Reino Unido. A Sérbia foi a última a juntar-se à interdição.

Também a Austrália, Malásia, Omã, Singapura, Turquia, Nova Zelândia, Vietname e Hong Kong impediram o modelo 737 Max de sobrevoar os seus espaços aéreos.   

Trabalhadores inspecionam o modelo 737 Max na fábrica da Boeing em Washington, nos EUA. Os aparelhos continuam a operar nos EUA e Canadá.
Trabalhadores inspecionam o modelo 737 Max na fábrica da Boeing em Washington, nos EUA. Os aparelhos continuam a operar nos EUA e Canadá.
Foto: Jason Redmond/AFP

A China foi  a primeira nação a anunciar a suspensão dos Max 8, mesmo modelo que caiu na Etiópia. O país possui atualmente uma das maiores frotas deste modelo: 97 unidades, e confirmou que está atualmente em conversações com a fabricante de forma a confirmar as "condições de segurança" antes de retomar o voo da frota. 


Companhia aérea norueguesa pede indemnização à Boeing
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A interdição de uma aeronave desta envergadura nunca tal tinha acontecido na história da aviação civil. Os aparelhos 737 Max da Boeing estrearam em maio de 2017. Segundo a FAA, existem cerca de 350 aparelhos 737 Max 8, operados ou encomendados por 54 companhias. Mas no site da Boeing, o número sobre para 69, incluindo a Ryanair e Air Europa, que operam em grande escala no continente europeu. Segundo a revista online do Observador, só a Ryanair tem 30 aeronaves encomendadas.  

Dois acidentes, várias semelhanças

Apesar de as causas do acidente não serem ainda conhecidas, a verdade é que os dois acidentes com o Boeing 737 Max, nomeadamente o Max 8 partilham o mesmo contexto: ambos caíram minutos após terem descolado. Coincidentemente, os dois aviões caíram pouco depois de terem sido inaugurados. 

Em ambos os casos ainda não há uma explicação oficial para as quedas dos aparelhos. No caso do avião da Lion Air, que se despenhou em outubro passado, especula-se que poderá ter sido um problema nos sensores ligados ao sistema de estabilização da aeronave. Entretanto, as caixas negras do avião da Ethiopian Airlines já foram encontradas e serão enviadas para a Europa, confirmou hoje o porta-voz da Boeing à agência de notícias Associated Press (AP), sem, no entanto, indicar o país de destino das avaliações aos aparelhos. 

O acidente do passado domingo vitimou 157 pessoas de 35 nacionalidades.  O acidente soma-se às diversas tragédias aéreas da última década

Contacto/AFP

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