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36 anos na prisão por crime que não cometeram
Mundo 2 min. 26.11.2019

36 anos na prisão por crime que não cometeram

36 anos na prisão por crime que não cometeram

Foto: AFP
Mundo 2 min. 26.11.2019

36 anos na prisão por crime que não cometeram

Alfred Chestnut tinha 16 anos quando foi preso e condenado a prisão perpétua nos Estados com dois colegas seus pelo assassinato de uma jovem em 1983. Hoje, tem 52 e depois de 36 anos na prisão, os três foram declarados inocentes.

É mais um caso do género a abalar os Estados Unidos depois de inúmeras investigações que já deram como inocentes condenados à morte e a prisão perpétua. Dezenas de pessoas são libertadas todos os anos graças à revisão de casos que revelam erros ou imperícia por parte das autoridades. Em vários estados, foram mesmo criadas unidades especiais nos gabinetes do Ministério Público para investigar provas de casos antigos.

Alfred Chestnut, Ransom Watkins e Andrew Stewart foram condenados a prisão perpétua, apesar de terem reclamado sempre serem inocentes do crime que levou à morte de Dewitt Duckett, de 14 anos, baleada num corredor da escola durante o roubo do seu casaco. No dia de Ação de Graças de 1983, os três adolescentes, de outro estabelecimento de ensino, foram presos e acusados pelo assassinato.

Ao longo de 36 anos, Watkins e Stewart perderam a esperança mas Chestnut, que tinha 16 anos e agora tem 52, nunca desistiu de lutar pela inocência. Em maio, escreveu uma carta a uma unidade do procurador de Baltimore solicitando que as alegações de que a condenação era injusta fossem investigadas e acrescentou novas provas que incriminavam outra pessoa. Os promotores investigaram e perceberam que tinha razão. Foi outro estudante, agora falecido, que cometeu o homicídio.

De acordo com o El País, a procuradora-geral do estado de Maryland, Marilyn Mosby, afirmou que, desde 2015, reviu outros seis casos que acabaram em libertação. Na sexta-feira passada, Mosby visitou Chestnut, Watkins e Stewart na prisão para dizer-lhes que ia pedir a sua libertação. "Sinto muito. O sistema falhou", disse-lhes.

O verdadeiro culpado era Michael Willis. Tinha 18 anos e várias testemunhas identificaram-no, de acordo com os procuradores, mas, segundo se provou agora,  a polícia terá coagido as pessoas para que denunciassem "os três homens, todos adolescentes negros de 16 anos (...), para montar o caso". "Foi um inferno," afirmou Chestnut ontem, depois de libertado, à saída da cadeia. "Foi miserável".

De acordo com a AFP, os advogados envolvidos no caso afirmaram estar "horrorizados" com a quantidade de provas ilibatórias que foram escondidas da defesa e do júri. Os suspeitos e as testemunhas, menores de idade, foram interrogados sem a presença dos pais e outras potenciais testemunhas foram interrogadas em grupo e foi-lhes dito para acertarem entre eles a história que iam contar.

Além disso, chamadas anónimas que identificavam outro atirador foram também escondidas da defesa, indicou a procuradora Mosby. Tratar-se-ia de outro jovem, que terá sido encontrado com o blusão da vítima e confessado o crime, suspeito esse que entretanto morreu.

Na segunda-feira, os três condenados, com grilhões e uniformes de prisioneiros, compareceram perante o juiz, que os declarou inocentes. De acordo com o The Washington Post, a multidão que encheu a sala de audiências explodiu em aplausos. Assim como quando, antes de se aposentar, o juiz disse: "Em nome do nosso sistema de justiça, e tenho a certeza de que isto significa muito pouco para vocês, peço-vos desculpa”.

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