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"Porque não nos salvou Deus?"
Mundo 2 min. 10.09.2021
11 de Setembro

"Porque não nos salvou Deus?"

11 de Setembro

"Porque não nos salvou Deus?"

Foto: AFP
Mundo 2 min. 10.09.2021
11 de Setembro

"Porque não nos salvou Deus?"

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Em prol do combate ao terrorismo “abdicamos da nossa privacidade”, diz o jornalista António Rodrigues, para quem as invasões e guerras dos EUA nesta luta “foram um fracasso”.

A queda das Torres Gémeas provou o impensável: a maior superpotência do mundo podia, afinal, ser atingida e ferida de morte. “O 11 de setembro demonstrou que a violência não é proporcional ao tamanho do exército do país e expôs a fraqueza e vulnerabilidade dos EUA, provou que de nada serve ser-se superpotência”, declarou ao Contacto António Rodrigues, jornalista e autor do livro “Porque não salvou Deus a América?”, um relato sobre os dias seguintes ao atentado numa cidade e num país “incrédulo” e que procurava justificação na fé e na entidade divina.

Foto: AFP

“Como é que se pode ter tanto ódio aos EUA ao ponto de cometer uma atrocidade destas?”, “Quem nos odeia e porquê?”, “Porque não nos salvou Deus?”. 

“Olhava-se para todo o lado e havia Deus, era uma presença quase hegemónica na busca das pessoas pelas respostas ao ataque. As pessoas precisavam de fé e de Deus para explicar o sucedido. O nome do livro vem dessa busca”, contou António Rodrigues, que chegou a Nova Iorque uma semana depois do atentado de 11 de setembro de 2001, e permaneceu pelo país durante mês e meio em reportagem para o Diário de Notícias. Mais tarde viajaria para o Afeganistão.

“A grande espetacularidade do atentado levado a cabo por apenas 19 pessoas provou que o monopólio da violência não é do Estado, e que não é preciso uma grande organização hierarquizada para se cometerem atos terroristas. Basta haver uma afinidade ideológica e lobos solidários, pequenas células dispersas. Mais do que a Al-Qaeda o Estado Islâmico é disso prova”, sublinha o atual editor de internacional do Jornal Público.

Foto: AFP

 Para António Rodrigues de nada serviu depois as invasões e guerras dos EUA no combate ao terrorismo. “Desde 2001, os EUA gastaram vidas e milhares de milhões de euros e só conheceram derrotas. A última é a retirada do Afeganistão e onde deixam no poder quem eles foram tentar eliminar há vinte anos”.


ARCHIV - 11.09.2001, USA, New_York: Blick über das Häusermeer von Manhattan auf die brennenden Zwillingstürme des World Trade Centers. Zwei Flugzeuge sind innerhalb von kürzester Zeit in das World Trade Center in New York gestürzt - der Beginn einer Serie von verheerenden Terroranschlägen in den USA. Die USA gehen davon aus, dass Terroristen dafür verantwortlich sind. Die Zwillingstürme des World Trade Centers sind nach Explosionen im unteren Teil der Gebäude inzwischen eingestürzt. Tausende Menschen sollen verletzt worden sein. (zu dpa «20 Jahre 9/11: Terroranschläge in den USA») Foto: -/Ipol/dpa +++ dpa-Bildfunk +++
"Não morri nas Torres porque Deus tinha planos para mim"
Três portugueses apanhados no centro do ataque às Torres Gémeas relatam ao Contacto o dia de horror com as emoções ainda à flor da pele. Vinte anos depois os traumas permanecem.

Ataques aos valores morais

Em prol desta luta contra terroristas fizeram-se outros atentados “ao valor moral e outros pilares da democracia, como a liberdade e o direito à privacidade”.

 “Em nome do terrorismo é aceitável agora fazer-se coisas imorais”. O jornalista dá como exemplo Guantánamo, “onde estão presas pessoas porque são suspeitas de pertencerem a grupos extremistas, mas sem se poder provar que o são”, ou as prisões secretas em vários países.

Foto: dpa

Vinte anos depois, as “próprias pessoas abdicaram das suas liberdades individuais, aceitaram a intrusão da sua privacidade em prol da luta contra o terrorismo, pela sua segurança. Olhe-se para a China onde cada cidadão é seguido a cada passo por sistemas de vigilância com dados biométricos”, defendeu este repórter de guerra.

 O 11 de setembro mudou o mundo, em muitos sentidos “para pior”, concluiu António Rodrigues.

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