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Xavier Bettel acusado de plagiar tese de mestrado na Universidade de Nancy
Luxemburgo 2 min. 27.10.2021
Investigação jornalística

Xavier Bettel acusado de plagiar tese de mestrado na Universidade de Nancy

Investigação jornalística

Xavier Bettel acusado de plagiar tese de mestrado na Universidade de Nancy

Foto: AFP
Luxemburgo 2 min. 27.10.2021
Investigação jornalística

Xavier Bettel acusado de plagiar tese de mestrado na Universidade de Nancy

Jean-Michel HENNEBERT
Jean-Michel HENNEBERT
Investigação jornalística do site Reporter.lu dá conta de que o primeiro-ministro plagiou a quase totalidade do conteúdo da tese em Direito. Bettel admite que se fosse hoje teria feito de outra forma.

O primeiro-ministro, Xavier Bettel, é acusado esta quarta-feira de ter plagiado a sua tese de mestrado em Direito na Universidade de Nancy, a atual Universidade da Lorena. 

A informação é avançada numa investigação do jornal Reporter.lu que refere que o líder do Governo não divulgou as fontes na tese que escreveu para o seu trabalho de mestrado na universidade francesa. Segundo o artigo da publicação o primeiro-ministro copiou 96% do conteúdo da tese que o levou à conclusão do mestrado em Direito e Ciências Políticas.

Intitulado "Para uma possível reforma do sistema de votação para as eleições para o Parlamento Europeu", o documento de 56 páginas escrito em 1999 contém informações de quatro sites, dois livros e um artigo de jornal, sem que as fontes originais tenham sido citadas. Entre as referências utilizadas encontra-se o site do Parlamento Europeu, 20 páginas das quais se encontram em extenso na tese universitária escrita por Bettel. 

Uma não conformidade com os padrões académicos confirmada por Nicolas Sauger, professor associado da Sciences Po desde 2004, e Anna-Lena Högenauer, cientista política da Universidade, entrevistada pela Repórter. Ambos concordaram que "a extensão do plágio é demasiado grande para ser razoável" e que o homem que foi chefe de Governo durante oito anos "não poderia ter copiado várias páginas por engano".

Questionado pelo Luxemburger Wort, o Ministério do Estado, presidido por Bettel já reagiu, afirmando que "do que se lembra, escreveu o trabalho em plena consciência". Mas "do ponto de vista de hoje, reconheço que poderíamos - sim, talvez devêssemos - tê-lo feito de forma diferente", acrescenta. 

Nas declarações o chefe do Executivo sublinha que ainda que "tem plena confiança na Universidade de Nancy para que estes julguem se o seu trabalho foi feito respeitando os critérios em vigor na altura. Se não for este o caso, aceito naturalmente uma decisão correspondente neste sentido", reconhece.


Bettel na conversa com o Luxembourg Times.
"Estou disposto a viver com a crítica de que o Luxemburgo é um paraíso fiscal"
Entre as facilidades fiscais concedidas às empresas, o direito de voto para estrangeiros, despenalização da canábis e os problemas da habitação. Um apanhado do que disse Bettel, em entrevista ao Luxembourg Times.

Nas declarações o chefe do Executivo sublinha que ainda que "tem plena confiança na Universidade de Nancy para que estes julguem se o seu trabalho foi feito respeitando os critérios em vigor na altura". E acrescenta que "se não for o caso, respeitará a decisão".

Casos semelhantes já foram relatados nos últimos anos, por exemplo na Alemanha ou nos países escandinavos, onde vários ministros foram forçados a demitir-se. Em França ou na Bélgica, as consequências políticas para tais ações são mais raras.

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