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Xavier Bettel sobre Boris Johnson: "Mais do que conversa, precisamos de propostas"
Luxemburgo 2 min. 16.09.2019

Xavier Bettel sobre Boris Johnson: "Mais do que conversa, precisamos de propostas"

Xavier Bettel sobre Boris Johnson: "Mais do que conversa, precisamos de propostas"

Foto: AFP
Luxemburgo 2 min. 16.09.2019

Xavier Bettel sobre Boris Johnson: "Mais do que conversa, precisamos de propostas"

À saída do encontro com o primeiro-ministro britânico, que abandonou a sede do governo sob uma chuva de apupos, Xavier Bettel respondeu às perguntas dos jornalistas e insistiu que cabe ao governo britânico apresentar propostas concretas: "o relógio está a contar".

Numa curta visita ao Luxemburgo para um encontro com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e o primeiro-ministro, Xavier Bettel, Boris Johnson tinha deixado, à chegada, uma primeira mensagem cautelosa, apesar do optimismo, sobre possíveis progressos nas negociações do Brexit. Por sua vez, Juncker deixou um enigmático “veremos” como resposta à pergunta sobre se havia avanços ou algum tipo de acordo.

Nos últimos meses, uma saída do Reino Unido da União Europeia (UE) sem qualquer acordo tem agitado as águas políticas do continente e das ilhas britânicas e Boris Johnson anunciou que se as duas partes não chegarem a um entendimento isso resultará num Brexit ‘duro’ a 31 de outubro, opção rejeitada pelo parlamento britânico.

O almoço com Jean-Claude Juncker, com a presença do negociador da União Europeia para o Brexit, Michel Barnier, foi acompanhado do lado de fora do restaurante por manifestantes que quiseram esperar a saída do primeiro-ministro britânico para protestar. O ruído dos ativistas anti-Brexit foi bastante audível ao longo da estadia de Boris Johnson que, de seguida, esteve reunido com Xavier Bettel na sede do governo luxemburguês.

Com um importante atraso, só compareceu na conferência de imprensa agendada para as 15h15 o primeiro-ministro do Grão-Ducado que respondeu às perguntas dos jornalistas sob o aplauso de quem protestava do lado de fora contra. Boris Johnson abandonou o edifício sob uma chuva de apupos e não prestou qualquer declaração.

As primeiras palavras do primeiro-ministro foram, de resto, para a audiência sonora sublinhando que “protestar é um direito em qualquer democracia” mas que também “é importante ouvir o outro”. De seguida, agradeceu a Boris Johnson a reunião e insistiu que a “primeira prioridade nas futuras relações é a preservação do mercado comum e o Acordo de Paz de Sexta-Feira Santa”, que levou à deposição das armas do Exército Republicano Irlandês (IRA) e dos paramilitares unionistas. 

Com claridade, Xavier Bettel afirmou que “a única solução [para o Brexit] é o acordo de novembro do ano passado” apoiado pelos 27 membros da UE e pelo parlamento europeu e recordou que não está mandatado para negociar. É a Michel Barnier que cabe essa responsabilidade.

O primeiro-ministro luxemburguês foi muito peremtório e insistiu que “o relógio está a contar”, que “mais do que conversa” são precisas “propostas concretas em cima da mesa”. Deixou ainda claro que a UE não vai abandonar a Irlanda, numa referência à eventualidade de um backstop que reponha as fronteiras entre a república e o norte daquela ilha.

Questionado sobre uma possível extensão do prazo do Brexit, o líder do governo sublinhou que “uma extensão só interessa se tiver um propósito” destacando que “está nas mãos de Boris Johnson o futuro dos seus concidadãos”.

Bruno Amaral de Carvalho

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