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Xavier Bettel elogiado por afirmar que é homossexual na cimeira da Liga Árabe
Luxemburgo 3 min. 04.03.2019

Xavier Bettel elogiado por afirmar que é homossexual na cimeira da Liga Árabe

Xavier Bettel elogiado por afirmar que é homossexual na cimeira da Liga Árabe

Foto: Oliver Weiken / dpa
Luxemburgo 3 min. 04.03.2019

Xavier Bettel elogiado por afirmar que é homossexual na cimeira da Liga Árabe

O encontro foi na estância turística de Sharm el-Sheikh, no Egito, mas Xavier Bettel não folgou, aproveitando para censurar os líderes árabes por perseguirem quem vive como ele próprio, casado com outro homem.

Foi uma das declarações mais polémicas da primeira cimeira entre a União Europeia e os líderes da Liga Árabe, que decorreu no Egito, mas quase teria passado despercebida, se não fosse a televisão alemã ZDF. "Não dizer nada não era uma opção", comentou o primeiro-ministro luxemburguês no Twitter, quando partilhou uma intervenção do jornalista Stefan Leifert, do canal alemão ZDF, relatando as declarações de Bettel.

Segundo o jornalista, citado pela AFP, Xavier Bettel aproveitou o discurso que fez na cimeira para dizer que é "casado com um homem" e que esta união seria "passível de pena de morte em numerosos países" presentes naquele encontro. Na Arábia Saudita ou nos Emirados Árabes Unidos, os homossexuais arriscam a pena de morte. A declaração foi recebida com "um silêncio gélido por alguns, uma alegria silenciosa para outros", comentou o jornalista alemão.

Recorde-se que Xavier Bettel casou em 2015 com o companheiro, o arquiteto belga Gauthier Desthenay, com quem vivia em união de facto desde 2010. O luxemburguês foi o segundo primeiro-ministro assumidamente  homossexual na União Europeia (depois de Elio de Rupo, ex-chefe de Governo da Bélgica), e o primeiro na UE a casar-se com alguém do mesmo sexo.

A declaração de Xavier Bettel recebeu o apoio de vários ministros europeus. "Um grande senhor. Obrigado, Xavier Bettel", felicitou o ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, Michael Roth, no Twitter. A ministra das Finanças dinamarquesa, Kristian Jensen, elogiou igualmente a coragem do primeiro-ministro do Luxemburgo, que assume abertamente a sua homossexualidade. 

Esta não é a primeira vez que Xavier Bettel defende os direitos dos homossexuais no estrangeiro. Em 2017, durante a cimeira "Pride and Prejudice", organizada pela revista The Economist para discutir os custos económicos e financeiros da discriminação das pessoas LGBT (Lésbicas, Gay, Bissexual e Transgénero), o primeiro-ministro luxemburguês arrancou gargalhadas numa vídeo-conferência transmitida em simultâneo para Londres, Hong Kong e Nova Iorque. Tudo porque contou que foi convidado a esconder o facto de ser homossexual quando visitou outro país, chamando "assessor político" ao seu companheiro. O caso passou-se há alguns anos, quando Bettel era deputado.

"Eu era deputado e tinha um encontro noutro país, e o meu companheiro - que é hoje o meu marido - ia ter comigo. E escrevi no formulário de acreditação que o meu companheiro viajava comigo. Perguntaram-me: 'Tem a certeza? Não pode escrever que é o seu assessor político, em vez de companheiro?'", contou Xavier Bettel. "Eu respondi apenas: 'Prefiro ter a fama de ser 'gay' do que acharem que tenho relações sexuais com todo o meu 'staff''".

Em 2013, a um mês de tomar posse como primeiro-ministro do Luxemburgo, Bettel disse ao site norte-americano Buzzfeed que "nunca escondeu" a homossexualidade, e brincou, recordando que uma política uma vez lhe disse que ele era "mais senhora ["lady", no original] do que ela". "Sou como sou e quero ser honesto comigo e honesto na política", disse então ao site norte-americano.

Já em 2012, o líder do partido democrático (DP) assistiu com o companheiro à cerimónia religiosa do casamento do grão-duque herdeiro com Stéphanie de Lannoy, na catedral do Luxemburgo, uma pequena revolução nos costumes num país conservador.

O Grão-Ducado, que já tinha desde 2004 uma lei que permitia a união de facto de casais homossexuais, tornou-se em junho de 2014 o 11º país da Europa a reconhecer o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Os primeiros casamentos foram celebrados em janeiro de 2015, altura em que a lei entrou em vigor.  A proposta de legalizar o casamento homossexual já fazia parte do programa do anterior Executivo, liderado por Juncker, tendo ganho novo impulso com a chegada ao Governo de Xavier Bettel, em 2013.

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