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Violência doméstica. Morte de Dione S. em investigação há um ano
Luxemburgo 3 min. 10.08.2020

Violência doméstica. Morte de Dione S. em investigação há um ano

Violência doméstica. Morte de Dione S. em investigação há um ano

Luxemburgo 3 min. 10.08.2020

Violência doméstica. Morte de Dione S. em investigação há um ano

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
O português violou a ordem de expulsão e matou a sua companheira, a 10 de agosto de 2019. O crime chocou Esch. Ainda não há data para julgamento. Deputada do CSV pede maior celeridade.

Faz esta segunda-feira, 10 de agosto um ano, que Dione S. morreu vítima de violência doméstica, assassinada pelo companheiro, o português Francisco O. que violando a ordem de expulsão emitida no dia anterior tocou à porta de casa.

Um ano se passou e ainda não há julgamento marcado.

As investigações sobre este caso ainda não foram concluídas, declarou ao Luxemburger Wort o Ministério Público. O português continua detido.

 Este era um “crime anunciado em Esch” como titulou na altura o Contacto num dos artigos que escreveu sobre a morte de Dione S., de 54 anos às mãos do português Francisco O. seu companheiro.


Um crime anunciado em Esch
Amiga da vítima lamenta tragédia e revela que o agressor era violento e perigoso. Na véspera do assassínio, a polícia já tinha ido a casa devido a uma briga do casal, mas nada foi feito. E o homem, de nacionalidade portuguesa, que veio a matar a companheira regressou a casa.

 As vizinhas e amigas da vítima definiram o emigrante como uma pessoa “violenta e perigosa”. “Quantas vezes a avisámos!”, declarou ao Contacto Rosa, uma amiga da vítima, dois dias depois da morte de Dione S. junto ao prédio onde o casal morava.

Português violou ordem expulsão

"Minha querida amiga... isto ia acabar por acontecer mais tarde ou mais cedo”, desabafou aquela amiga.

O casal que morava na Rua Simon Bolívar, em Esch-sur-Alzette já estava assinalado pela polícia. No dia anterior, a 9 de agosto, os agentes policiais foram chamados a casa por violência doméstica tendo levado Francisco O. para a esquadra.

O Ministério Público impôs-lhe ordem de expulsão de casa de 14 dias e proibiu-o de se aproximar de Dione S. tendo de se manter afastado da companheira a uma distância superior a 100 metros. Só que o português não obedeceu e no dia seguinte, sábado à tarde foi ao apartamento para falar com Dione.


Assassinato em Esch. A morte de Dione S. poderia ter sido evitada?
A deputada Hetto-Gaasch do CSV quer saber se a assistência à vítima chegou a contactar a brasileira e como a polícia controla os agressores com ordem de restrição como o português.

Procedimentos mais céleres

Esta emigrante brasileira que morava com a sua filha mais nova de 11 anos abriu-lhe a porta, nunca imaginando que pouco depois o companheiro a iria esfaquear deixando-a gravemente ferida. Foi levada para o hospital onde viria a falecer ainda nessa noite. O agressor foi detido logo aquando da chamada da ambulância e ainda hoje está preso aguardando julgamento.


Assassinato em Esch. A morte de Dione S. poderia ter sido evitada?
A deputada Hetto-Gaasch do CSV quer saber se a assistência à vítima chegou a contactar a brasileira e como a polícia controla os agressores com ordem de restrição como o português.

 Dione S. deixou quatro filhos, além da menina que vivia consigo, era mãe de um adolescente que reside com o pai em Londres, de uma mulher já adulta que mora em Itália e outra a residir no Brasil.

Pulseira eletrónica para agressores  

Os “procedimentos têm de ser mais céleres” nos casos de violência doméstica, declarou ao Contacto Françoise Hetto-Gaasch, deputada do CSV sobre o facto da investigação sobre a morte de Dione S. ainda estar a decorrer.

Por outro lado, os “agressores reincidentes devem usar pulseira eletrónica”, defende esta deputada, que vê a medida como um meio eficaz para proteger de forma rápida as vítimas.

Esta medida já foi pedida formalmente por Hetto-Gaasch ao executivo e foi saudada em particular pela ministra Sam Tanson, durante a apresentação do último relatório sobre a violência doméstica no Luxemburgo. 


Que destino para a filha pequena da vítima de Esch
"Só peço a Deus que a irmã da menina, que vive em Itália a leve com ela", diz A.C. amiga de Dione S. que foi morta pelo namorado. A menina vivia com mãe e foi levada pela assistência social.

 O executivo está já a estudar a possibilidade de configurar uma pulseira eletrónica para estes casos. Esta é uma das novidades que irá constar na nova lei.

Reforma da lei

Atualmente, um grupo de trabalho interministerial estuda quais os melhoramentos e reformas a implementar à lei atual de violência doméstica para combater este preocupante fenómeno no Luxemburgo, cujo último relatório mostra que os números não param de aumentar.

Em 2019 foram registados 1.692 casos de violência doméstica, mais 110 do que no ano anterior. A polícia foi chamada a intervir 849 vezes, ou seja, 2,3  vezes por dia.


Luxemburgo. Crianças até aos três anos são as grandes vítimas da violência doméstica
No Luxemburgo, 87 bebés e crianças até aos 3 anos sofreram várias agressões, em 2019. O maior aumento entre as vítimas menores de violência, que neste ano diminuíram entre as crianças portuguesas. Mesmo assim foram mais de 100.

Os casos de violência doméstica continuam a aumentar no Luxemburgo. 

“A atual lei da violência doméstica tem de ser reformulada, há alterações a fazer, nomeadamente adotar penas mais duras e severas para os agressores expulsos que reincidem. E para os outros. Aumentar o controlo sobre os agressores e aumentar a vigilância, proteção e assistência às vítimas”, frisou ao Contacto a deputada do CSV. Tudo para evitar que “mortes como esta aconteçam”, alertou.

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