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Violência doméstica. Curso de 80 horas para deixar de ser um agressor no Luxemburgo
Luxemburgo 3 min. 06.03.2021

Violência doméstica. Curso de 80 horas para deixar de ser um agressor no Luxemburgo

Violência doméstica. Curso de 80 horas para deixar de ser um agressor no Luxemburgo

Luxemburgo 3 min. 06.03.2021

Violência doméstica. Curso de 80 horas para deixar de ser um agressor no Luxemburgo

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Ser capaz de gerir o conflito e mudar de comportamento. É o que os autores de violência doméstica estarão preparados para fazer após novo curso na Associação InterActions.

Em 2019, das 849 intervenções policiais num quadro de violência doméstica no Luxemburgo, 265 resultaram na expulsão de casa do agressor, de acordo com o relatório do Ministério da Igualdade entre Mulheres e Homens. No total, houve 1206 pessoas, 824 homens e 382 mulheres, que agrediram e maltrataram familiares, sobretudo filhos, indicam os últimos dados disponíveis, uma vez que o relatório de 202o ainda não foi divulgado.

É para estes agressores de violência doméstica, homens e mulheres, que vão iniciar-se os novos cursos de formação na associação sem fins lucrativos InterActions. Um projeto denominado “Ee Schrëtt géint Gewalt” (Um passo contra a violência, em português) que foi criado e financiado pelo Ministério da Igualdade e que surge como um complemento às consultas para autores de violência doméstica, no Riicht Eraus da Cruz Vermelha. Os que são expulsos de casa têm obrigatoriamente de ir a uma destas sessões de apoio psicológico.

“A luta contra a violência doméstica requer uma abordagem multidimensional que envolva todas as partes interessadas, e, portanto, não se concentra apenas nas vítimas, mas inclui também o trabalho indissociável com os autores”, declara a ministra da Igualdade, Taina Bofferding na resposta hoje publicada à questão parlamentar da deputada Françoise Hetto-Gaasch, do CSV.

Os novos cursos são voluntários e têm a duração de 80 horas. O projeto é baseado no trabalho de grupo, “numa base pragmática e confrontativa”, explica a ministra, adiantando que através das atividades propostas “os agressores aprendem a gerir os conflitos e ficar capacitados para mudar o seu comportamento, de forma mais pragmática e interativa sob a forma de exercícios, dramatizações e discussões”. 

Uma iniciativa que se junta assim às consultas individuais do Riicht Eraus. O conceito destas consultas é distinto do novo projeto, dado que como lembra a governante consiste no apoio e aconselhamento psicológicos, através de uma abordagem centrada no agressor, suspeito ou condenado, por meio de entrevistas e consultas individuais. 


As mulheres que o paraíso maltrata
São vítimas de violência doméstica, trabalhos forçados, exploração sexual. Denunciaram os abusos que sofreram às autoridades, mas sentiram que o sistema luxemburguês as abandonou. Estas são histórias que não deveríamos ter de contar.

“O objetivo dessas consultas é criar no autor uma responsabilização pelos seus atos, a fim de dissuadi-lo de recorrer à violência em caso de conflito, que o apoie a longo prazo para uma mudança no comportamento não violento, por meio da ativação de recursos próprios”, escreve a ministra da Igualdade.

Para Tania Bofferding o trabalho com os agressores “é um pilar essencial da prevenção e da luta contra a violência doméstica no Luxemburgo”.


Ministra da Igualdade. "A luta contra a violência doméstica diz respeito a todos nós"
Esta quarta-feira, 25 de novembro, é o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres.

Teatro de prevenção

No início do mês passado a ministra da Igualdade relançou o Teatro Fórum de prevenção contra a violência doméstica, em vários idiomas. Este projeto foi iniciado pela Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo em 2011 para os imigrantes portugueses com muito sucesso.

Agora Tania Bofferding vai relançá-lo. O desenvolvimento do projeto está a cargo da Escola de Teatro e estão programados seis espetáculos, isto dependendo da evolução da pandemia. Através participação do público no Teatro Fórum pretende-se acabar com o estigma e o tabu da violência doméstica, aumentando a consciência da igualdade entre mulheres e homens.

"O Teatro Fórum conta uma história provocadora de pensamento e desperta um sentido de responsabilidade cívica. A violência dói. Queremos dar às pessoas ferramentas para compreenderem as facetas da violência doméstica e encorajar todos a agirem", declarou a ministra na cerimónia de lançamento do projeto, a 8 de fevereiro.

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