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Video. “Fiquem em casa!”, apelam os profissionais de saúde
Luxemburgo 1 4 min. 20.03.2020 Do nosso arquivo online

Video. “Fiquem em casa!”, apelam os profissionais de saúde

Video. “Fiquem em casa!”, apelam os profissionais de saúde

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Luxemburgo 1 4 min. 20.03.2020 Do nosso arquivo online

Video. “Fiquem em casa!”, apelam os profissionais de saúde

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Os ‘soingnants’ do Luxemburgo pedem à população para cumprir medidas do coronavírus e evitar o contágio. Em Itália, já há 2629 infetados entre estes profissionais de saúde. Veja o apelo desesperado dos italianos.

“Fiquem em casa”. O apelo para os habitantes do Grão-Ducado ficarem em casa, em confinamento, é lançado através de fotografias de equipas de médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde dos Hospitais Robert Schuman (HRS) e dos colegas do Centre Hospitalier do Nord (CHdn).

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“Porque eu vos amo. Porque preciso de vocês. Porque vocês precisam de nós. Adotem as boas práticas. Fiquem em casa”, lê-se na mensagem em papel que uma profissional de saúde dos HRS mostra. O confinamento já imposto pelo governo é a medida primordial para desacelerar a propagação do novo coronavírus que no Luxemburgo já contagiou 484 pessoas.

As fotografias das equipas foram colocadas nas redes sociais dos hospitais onde o HRS escreveu na legenda “Coragem. Tomem conta de vós e dos outros”.

Os comentários às publicações são de agradecimento a todos por tratarem da população “tratarem de nós”.

São estes profissionais “soldados na frente” da ‘guerra’ contra a pandemia que assola o planeta, mais intensamente a Europa, nestes dias.

Há que evitar a propagação do vírus para evitar a sobrelotação de doentes nos hospitais e a falta de camas e recursos humanos. E evitar que também estes profissionais fiquem doentes. Porque o "risco de contraírem a doença é mais elevado", garante um especialista ao Le Monde.

O apelo desesperado de Itália

Em Itália, já há mais de 2.629 infetados entre os profissionais de saúde, que compõem 8,3% do total de doentes contaminados, segundo o último balanço da Fondazione Gimbe. E o país está de quarentena.

Neste país, onde só em 24 horas, se registaram mais 4.484 infetados, num total de 41.035 pelo país, e onde as mortes ( 3.405) já utrapassaram as da China, os enfermeiros estão desesperados e continuam a alertar a população para ficar em casa.

“Não temos mais tempo!”, avisam os enfermeiros italianos neste  vídeo emocionante, onde pedem ao país reforço de pessoal “urgente” para o coronavírus não ganhar a batalha. 

Os vídeos 360 não têm suporte aqui. Ver o vídeo na aplicação Youtube.

 "Já não há tempo para chorar"

“Já nem sequer há tempo para chorar, exceto no final dos longos e exaustivos turnos. Vemos a morte que já perdeu a dignidade nas suas celebrações”, conta a voz off do vídeo onde muitos enfermeiros mostram o rosto com marcas dos óculos de proteção causadas pelas longas horas de trabalho. Queixam-se de não haver material de proteção. 

"Somos obrigados a reutilizar equipamentos de proteção individual porque são escassos e, muitas vezes, os disponíveis não são adequados". "Não há mais tempo. Não temos mais locais para hospitalizar pessoas”, dizem.

“Estamos em perigo constante, sabemos que corremos o risco de contágio todos os dias, assim como vivemos o medo constante de trazer o vírus para as nossas casas”, confessam enquanto as imagens desta gente corajosa vão passando.


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 “Somos poucos, somos julgados, no hospital e na terra. Entramos nas casas das pessoas como soldados na frente, sem proteção, num território que não consegue atender às enormes exigências dos cuidados necessários. Estamos sozinhos”.

"Precisamos de vocês"

"Estamos sozinhos", e "se não pararmos esta avalanche”, o pior acontece, será “o fracasso de todo o sistema e de tudo aquilo pelo qual faz sentido viver”. E lançam o apelo: “Precisamos de hospitais, precisamos de pessoal. Precisamos deles agora. Agora. Não amanhã. Precisamos de profissionais qualificados, não atirados para a frente como peões. Precisamos de vocês, queridos cidadãos, também. Fechem-se em casa. Todas as saídas abrem a porta para o vírus. Já não temos dinheiro. Não temos mais tempo."

 Mais riscos para os ‘soingnants’

Pelo mundo, como em França, onde o presidente Macron os chama de “heróis de bata branca” multiplicam-se as homenagens dos cidadãos a estes profissionais, entre aplausos à janela da população em isolamento, que ecoam pelos países inteiros, como mensagens de força e de apreço.

Na linha da frente, o risco de contaminação é acrescido. “Os profissionais de saúde podem ser infetados como qualquer outra pessoa, fora do local de trabalho, mas devido a essa possibilidade no contexto de sua profissão, eles têm um risco maior do que o da população em geral", declara ao jornal francês Le Monde, Bruno Grandbastien, presidente da Sociedade Francesa de Higiene Hospitalar (SFHH).


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No entanto, na China, onde também mais de dois mil profissionais de saúde foram infetados, em muitos deles o contágio aconteceu nas suas casas, e não no hospital, indica este médico, realçando que os dados são da missão conjunta da OMS-China, realizada em fevereiro passado.

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