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Veganismo: apenas uma questão de saúde ou de direitos dos animais?

Veganismo: apenas uma questão de saúde ou de direitos dos animais?

Foto: Catarina Osório/Contacto
Luxemburgo 2 min. 10.09.2018

Veganismo: apenas uma questão de saúde ou de direitos dos animais?

A cidade de Esch-sur-Alzette acolheu a conferência internacional sobre os direitos dos animais entre 6 a 9 de setembro. O encontro centrou-se em temas como o veganismo e o ativismo em defesa e proteção dos animais.

Durante quatro dias vários investigadores, ativistas e defensores dos direitos dos animais reuniram-se na Kulturfabrik, em Esch-sur-Alzette, para debater ideias e vários pontos de vista sobre o tema.

O evento, que tinha naturalmente porta aberta a animais domésticos, incluiu vários workshops e conferências ligadas ao veganismo: um estilo de vida que tenta excluir qualquer sofrimento e maus tratos a animais, por exemplo através da alimentação e vestuário. Desta forma, um vegano rejeita qualquer produto de origem animal. O veganismo é tido, aliás, como uma das soluções para atenuar o problema de maus tratos a animais, mas não é uma "panaceia", defende Victor Sjodin, vice-presidente da Vegan Outreach, uma organização não-governamental norte-americana para a promoção deste estilo de vida.

Segundo um inquérito realizado em 2018 pelo portal Statista, 75% dos luxemburgueses comem carne habitualmente. 18% dos participantes dizem-se "flexitarians", ou seja, não consomem carne em alguns dias. Para além disso, apenas 2% dos luxemburgueses diz adotar um regime vegano.

Apesar de a melhor forma de ajudar os animais é "obviamente não comê-los", o ativista sueco-americano acredita que é possível não ser-se vegan e ainda assim atenuar o sofrimento dos animais de alguma forma. Por exemplo, mudando alguns hábitos alimentares, como reduzir o consumo de carne, e ir à procura de diferentes realidades e pontos de vista, como documentários sobre a indústria alimentar e a produção animal. "Não há um vegan perfeito, todos nós causamos sofrimento de alguma forma mas é um objetivo de causar o menor sofrimento possível. Mas quando temos a opção de escolher, devemos escolher aquela que causará menos sofrimento", refere Sjodin.

Segundo a Asssociação Europeia Vegetariana, o número de veganos, vegetarianos e adeptos de dietas com base em plantas tem vindo a aumentar nos últimos anos.  De acordo com o portal Statista, a Alemanha é o país da União Europeia onde esta tendência é mais significativa. "Estudos recentes indicam que a razão primária porque as pessoas adirem ao veganismo é a de salvar animais, a número dois tem a ver com questões de saúde", refere Sjodin.

Apesar de considerar a saúde um argumento válido, quem se preocupa com o lado ético acaba por conseguir ser vegan por muito mais tempo. "O veganismo é uma forma de ética. Um vegan não é só alguém que está numa dieta específica. Um vegan não vai a um zoo, não vai comprar um cinto ou sapatos de pele", explica.

"O veganismo é uma revolução social"

A frase deu o título à palestra de Sjodin, onde o sueco-americano falou não só sobre a sua experiência pessoal mas também sobre o veganismo como uma "coisa inevitável e necessária" para a sociedade. Para que este ideal se concretize terá de existir uma "revolução" que passa simplesmente por espalhar mais a mensagem.

"A mensagem não está nas escolas, nos governos, na televisão, nas igrejas. É uma revolução social no sentido em que todos os dias cidadãos comuns e ativistas partilham e espalham este belo modo de vida e a mensagem um pouco por todo o mundo", remata Victor.

Catarina Osório

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