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Varíola dos macacos. Luxemburgo vai declarar 21 dias de quarentena para infetados
Luxemburgo 4 min. 31.05.2022
Vigilância

Varíola dos macacos. Luxemburgo vai declarar 21 dias de quarentena para infetados

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Varíola dos macacos. Luxemburgo vai declarar 21 dias de quarentena para infetados

Foto: Anouk Antony/Luxemburger Wort
Luxemburgo 4 min. 31.05.2022
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Varíola dos macacos. Luxemburgo vai declarar 21 dias de quarentena para infetados

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Até ao momento, não há registo de casos no país. Se surgirem, as pessoas infetadas vão ficar em isolamento três semanas, indica o Ministério da Saúde que deixa várias recomendações.

Na Europa já foram registados 500 casos de infeção pela varíola dos macacos, e mais 55 casos em países não endémicos fora deste continente, de acordo com os dados do site Our World Data.

No Luxemburgo, ainda não há registo de nenhuma infeção pela doença viral, mas as autoridades estão em alerta. A ausência da doença no Grão-Ducado foi confirmada pela Ministra da Saúde, Paulette Lenert, numa resposta parlamentar na segunda-feira sobre a doença no país. 

Mesmo sem registos, a ministra refere na resposta que as autoridades estão vigilantes e já a preparar-se para a possibilidade da doença chegar ao Luxemburgo, como já chegou aos países vizinhos. A Alemanha regista até à data 25 casos, a França 17 e a Bélgica 8, indica o "Our World Data", esta terça-feira.  

O vírus Monkeypox já atinge 24 países fora de África, onde é endémica, afetando sobretudo a Europa. O Reino Unido contabiliza 179 casos confirmados, a Espanha 125 e Portugal 96, sendo os países com mais infeções por este vírus. 

Isolamento de três semanas

Uma das medidas anunciadas será a quarentena de 21 dias para as pessoas infetadas, esclarece Paulette Lenert na resposta à questão parlamentar colocada pela deputada Nancy Arendt (CSV).

“O Luxemburgo alinha-se com as recomendações do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) que recomenda uma quarentena de 21 dias para as pessoas infetadas”, confirmou ao Contacto fonte do Ministério da Saúde.

A Bélgica foi o primeiro país a introduzir a quarentena obrigatória por três semanas para as pessoas infetadas pela varíola dos macacos.


Pessoas com sintomas suspeitos de varíola dos macacos devem dirigir-se ao CHL
O Ministério da Saúde declara que não há casos da doença no país, mas emitiu este sábado um alerta para que as pessoas se desloquem ao hospital CHL em caso de sintomas suspeitos.

Este isolamento destina-se somente às pessoas infetadas. Os contactos próximos não têm de ficar em quarentena, mas devem seguir sérias recomendações para evitar o contágio, realça a ministra da Saúde do Luxemburgo.

Porquê uma quarentena de 21 dias?

A longa quarentena deve-se ao período de incubação (intervalo de tempo que decorre desde a infeção ao surgimento dos sintomas) da doença, também ele extenso: entre 5 a 21 dias.

O mais comum é a incubação entre 7 a 14 dias, mas pode estender-se até às três semanas. Quando as crostas das lesões na pele caem, a pessoa já não é contagiosa. Por norma, o doente recupera entre duas a quatro semanas.

"O risco de transmissão do vírus é baixo", garantiu ainda a governante. No caso de sintomas suspeitos é recomendável dirigir-se ao serviço de doenças infeciosas do Centro Hospitalar do Luxemburgo para avaliar a situação, recomendou o Ministério da Saúde recentemente.

O diagnóstico da infeção é feito através de um teste de rastreio PCR.

Evitar contactos próximos

Os infetados devem evitar contactos próximos com outras pessoas, nomeadamente contactos íntimos ou sexuais  e não partilhar objetos. Apesar de não existir ainda comprovação de contágio por via respiratória, o ministério aconselha o uso de máscara ao infetado, quando não puder respeitar uma distância de dois metros.


Varíola dos macacos. Quais são os sintomas
O que é, como se transmite e quais são os sintomas.

Quais os sintomas da doença?

Erupções cutâneas, febre, dor de cabeça, dores musculares, sonolência, gânglios linfáticos inflamados, fraturas e fadiga. Estes são os sintomas suspeitos da varíola dos macacos. As postulas, bolhas na pele com pus são uma das vias de contágio, pelo que os contactos próximos dos infetados não devem partilhar ou mexer nas toalhas, lençóis ou objetos de quem está doente. A abstinência sexual do infetado é também recomendada seriamente, pois os fluidos são transmissores. A lavagem frequente das mãos é outra das recomendações para evitar transmissão.

Internamento raro

No Luxemburgo, a Direção da Saúde já enviou uma carta circular aos médicos informando sobre a varíola dos macacos e em breve a Comissão Nacional de Doenças Infeciosas deverá emitir as recomendações sobre o vírus. 

A necessidade de internamento por esta infeção é muito rara. Apesar de os riscos de transmissão serem reduzidos entre a população geral, o Luxemburgo está já a tomar precauções para o rastreamento e tratamento, caso surja no país.


Varíola dos macacos. "Não estamos na mesma situação que a covid-19"
Gérard Schockmel, especialista em doenças infecciosas nos Hospitais Robert Schuman e perito da Agência Europeia de Medicamentos, deu uma entrevista onde fala sobre o surto atual da varíola dos macacos.

Compra de vacinas

Na resposta parlamentar, a ministra da Saúde anunciou ainda que a Direção da Saúde irá comprar uma pequena quantidade de vacinas contra a varíola, e adquirir ainda o medicamento antiviral Tecovimat, para tratar a doença. Compras feitas no âmbito de uma aquisição conjunta da União Europeia, através da Autoridade de Preparação e Resposta a Emergências (HERA). "As vacinas poderão eventualmente ser usadas para 'vacinações em anel', de inoculação de casos de contacto".   

O risco da varíola dos macacos desenvolver formas mais graves da doença afeta sobretudo as pessoas imunodeprimidas, e se houver necessidade o medicamento antiviral será destinado especialmente a estes doentes.   

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