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"Vamos estudar formas de apoiar a comunidade portuguesa no Luxemburgo"
Luxemburgo 5 min. 10.05.2022
Visita a Portugal

"Vamos estudar formas de apoiar a comunidade portuguesa no Luxemburgo"

Corinne Cahen
Visita a Portugal

"Vamos estudar formas de apoiar a comunidade portuguesa no Luxemburgo"

Corinne Cahen
Guy Jallay/LW-Archiv
Luxemburgo 5 min. 10.05.2022
Visita a Portugal

"Vamos estudar formas de apoiar a comunidade portuguesa no Luxemburgo"

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
"É muito importante ver como podemos ajudar a vida dos portugueses no Luxemburgo", revela Corinne Cahen, ministra da Família e Integração, em entrevista ao Contacto.

Formas de apoiar as necessidades da comunidade portuguesa a viver no Luxemburgo vão estar em cima da mesa no encontro que terá com o Governo português, durante a visita de Estado do Grão-Duque a Portugal. Para Corinnne Cahen, ministra da Família e Integração do Luxemburgo, esta visita de Estado é “uma das mais importantes”. A necessidade de aumentar a participação eleitoral dos portugueses nas eleições para as comunas no Luxemburgo é uma das principais mensagens que pretende passar nesta visita a Portugal. 

Qual a importância desta visita?

Já me tinha encontrado com o primeiro-ministro e o Presidente da República português, enquanto ministra da Família e Integração. As ligações que temos, esta amizade e respeito que temos um pelo outro - porque temos quase cem mil portugueses a viver no Luxemburgo- é muito importante que os dois países tenham uma relação privilegiada. É uma visita de Estado importante em termos simbólicos e de amizade. É uma das visitas de Estado mais importantes.


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Que acordos de cooperação nas áreas do seu ministério poderão ser assinados nesta visita?

De facto vou encontrar-me com Paulo Cafôfo, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas. Sempre tive uma boa relação com os secretários de estado responsáveis pelos portugueses no estrangeiro. Nunca estive em Portugal, mas vamos olhar em conjunto para as formas de apoiar a comunidade portuguesa no Luxemburgo, tendo em conta as suas necessidades. É muito importante ver como podemos ajudar a vida dos portugueses no Luxemburgo.

A integração é considerada como de “importância capital” para o Governo do Luxemburgo. Como é que avalia os resultados do recente inquérito sobre racismo no Luxemburgo que revela que um em cada três portugueses se sente vítima de discriminação no acesso ao trabalho, habitação e emprego. O que pode ser feito para melhorar esta integração?

É uma das nossas grandes preocupações, garantir o “Vivermos juntos” a diferentes níveis. Em primeiro lugar é necessário lançar um apelo para que os portugueses se tornem mais ativos. Por exemplo, os residentes portugueses apresentaram a taxa de respostas mais baixa a este inquérito sobre racismo e discriminação. Apenas 10,8% de portugueses responderam, quando em média tivemos uma média de taxa de resposta de 20%. É preciso que se sintam mais interessados e tentamos fazê-lo a diversos níveis. Por exemplo, ao nível das Comunas, porque é nas Comunas que se organiza o “Vivermos juntos”. 

Neste momento estamos a assinar com as comunas um pacto de “Vivermos Juntos”, onde toda a população, de origem estrangeira e de origem luxemburguesa, devem tornar-se atores do “Vivermos Juntos” e não apenas de uma forma passiva. Porque não funciona se formos nós a propor as iniciativas. Temos diferentes campos em que estamos a trabalhar numa nova lei de “Vivermos Juntos” com todas as organizações: o Conselho Nacional dos Emigrantes, o CLAE e todos os nossos parceiros. Porque ainda há um grande trabalho a fazer, sobretudo no combate à discriminação no que diz respeito à habitação. Mas penso que é um problema recorrente porque todos os que procuram alojamento se sentem discriminados, porque é um verdadeiro problema no Luxemburgo para todos. 

Há ainda metade dos portugueses que se sente discriminado no acesso ao emprego. Vamos sensibilizar as empresas para que estejam atentas para que não seja a nacionalidade, cor de pele ou origem que faz com que um CV seja melhor que outro, mas que sejam tidas em conta as competências das pessoas. Depois, também no setor da educação em que os portugueses se sentem discriminados, estamos a trabalhar com o Ministério da Educação para promover medidas anti-discriminação logo no início da formação de professores.

É possível apresentar alguns pontos da nova lei do “Vivermos Juntos”?

Ainda não apresentei a lei no Conselho de Governo. E por isso não posso avançar muitos detalhes. Mas todos me dizem que não devemos falar mais de “integração” porque isso significa que chegamos a um sítio e que nos temos que integrar. Hoje o importante é o conceito de “Vivermos juntos”, tendo em conta a especificidade de cada um e dar-lhe destaque nas comunas, nos países e na Europa em geral. Porque todos temos alguma coisa a trazer à comunidade e à nossa sociedade. Não será uma nova lei sobre a integração, mas será uma lei de “Vivermos Juntos”. Porque é isso que pretendemos: vivermos juntos, de igual para igual, e não dizer que aqueles têm de se integrar, mas vermos as fraquezas e forças de cada um para que vivamos juntos num país em que 48% da população não tem a nacionalidade luxemburguesa.

A participação política da comunidade portuguesa é muito baixa. O que poderá ser feito para a incrementar?

Vamos fazer tudo o que é possível para sensibilizar todas as comunidades estrangeiras para se inscreverem para poderem votar. Fiquei um pouco desiludida, porque quando o Presidente português, em 2017, em visita ao Luxemburgo, num ato muito espontâneo, decidiu inscrever um casal português para votar e nessa altura foi feita uma grande publicidade. Pensei que pelo facto do Presidente da República, que é amado e adorado pelos portugueses, pensei que [esse gesto] motivasse aos portugueses para se inscreverem para que votassem nas eleições comunais. Tivemos uma taxa de participação melhor que nas eleições precedentes, mas gostaria que a taxa de votantes estrangeiros fosse mais elevada que os 20% que atingimos em 2017. É um grande desafio. E a mensagem é que a política comunal nos interessa a todos. Porque a vida de todos os dias passa-se nas Comunas.


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Gostava que as pessoas tivessem mais consciência que a vida da comuna lhes interessa e que se devem inscrever para votar nas próximas eleições comunais, em junho do próximo ano. Para mim é uma das mensagens mais importantes que vou repetir na próxima semana. Que estejam atentos, as pessoas que têm direito de voto, que a sua voz conta. E que podem decidir também sobre o que se passa nas suas comunas. Devem inscrever-se e votar no próximo ano. Penso que essa é a mensagem mais importante a passar quando vivemos num país democrático. É preciso que a democracia se faça e ela faz-se com o voto de todos.

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