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"Vai ser tão difícil ficar sem os jantares de família cá em casa"
Luxemburgo 8 min. 25.11.2020 Do nosso arquivo online

"Vai ser tão difícil ficar sem os jantares de família cá em casa"

"Vai ser tão difícil ficar sem os jantares de família cá em casa"

Luxemburgo 8 min. 25.11.2020 Do nosso arquivo online

"Vai ser tão difícil ficar sem os jantares de família cá em casa"

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
A família de Tina Ferreira vai cumprir o apelo de Bettel: "Três semanas de sacrifício para evitar o reconfinamento total". Os receios de não haver Natal da família portuguesa e as novas medidas que entram amanhã em vigor.

Todas as quintas-feiras Tina Craveiro Ferreira compunha a mesa para um jantar familiar de nove pessoas, em casa, na cidade do Luxemburgo. São a sua família mais chegada: Ela e o marido, os três filhos, dois genros e os dois netos. Depois de maio, "seremos 10 ao todo porque há mais um neto que vem a caminho", conta ao Contacto.

Com as medidas de restrição, a mesa do jantar familiar tem sido cada vez mais pequena e a reunião de amanhã, quinta-feira, em casa desta portuguesa de Barcelos foi cancelada. "Vai ser tão difícil outra vez ficar sem os jantares de família cá em casa. Somos uma família muito unida, estamos sempre juntos os nove, até nas férias", suspira Tina Craveiro Ferreira (na foto).

"Não sei se vou aguentar estar três semanas sem ver as minhas filhas e netos.  Se as saudades apertarem eu e o meu marido vamos jantar a casa de cada uma. Como somos dois, seremos nós a ir a casa delas, agora", confessa na videochamada com o Contacto.

"Claro que vamos respeitar as regras, vamos fazer tudo para que possamos estar todos juntos no Natal. Nem quero pensar que tal não seja possível", confessa temerosa, esta portuguesa que adora decorar a mesa de jantar da Consoada, como comprova a imagem em baixo. Na família muitos já realizaram testes de rastreio e "sempre deram todos negativos", por questões profissionais ou de cirurgias. "Felizmente temos passado ao lado, até agora, desta epidemia". 

Mas as restrições dos encontros familiares "são um sacrifício muito grande que fazemos", desabafa Tina Craveiro Ferreira frisando que "tem medo do vírus" e respeita todas as medidas.

Há quase um ano que esta portuguesa andava a planear a celebração do seu 60º aniversário, a 28 janeiro de 2021, mas a segunda vaga da epidemia fez cair por terra este sonho. "Queria fazer uma grande festa com a família daqui e convidar também familiares de Portugal. Não é todos os dias que se faz 60 anos. Mas acho que não vai ser possível, acho que em janeiro ainda vamos estar a viver com a epidemia e sem festas".

Tina Craveiro Ferreira prepara-se para voltar às suas diversas videochamadas diárias para as duas filhas e netos. O filho ainda vive lá em casa, com os pais. "Foi o que me consolou durante o confinamento, foi termos ao dispor estas novas tecnologias. Eu e as minhas duas filhas chegávamos a fazer bolos ao mesmo tempo, cada uma na sua cozinha, por videochamada", disse a rir e de seguida mostrou, o seu bolo de banana, com ótimo aspeto, que tinha acabado de fazer para o seu filho, o único que ainda vive lá em casa. Nas próximas três semanas continuará a não haver os grandes jantares em família em casa dos Craveiro Ferreira e que tanto aquecem o coração de Tina.

O primeiro-ministro Xavier Bettel foi muito claro na conferência de segunda-feira quando anunciou que as novas restrições entram em vigor esta quinta-feira: "É preciso fazemos agora este sacrifício durante três semanas para evitar um reconfinamento total". Esse risco é grande pois as infeções embora "estejam estáveis, continuam muito elevadas".

Neste momento, é impossível identificar as fontes de contágio pelo que as restrições visam os locais de maior interação social, que são a restauração e os eventos familiares, explicou o primeiro-ministro. Numa mesa à refeição, tira-se a máscara e não há o distanciamento necessário, e existe o risco de contágio.


Covid-19. As interações têm de ser reduzidas ao mínimo nas próximas três semanas
O anúncio foi feito hoje pelo primeiro-ministro, Xavier Bettel, que não afastou a hipótese de um confinamento total se a situação não acalmar.

"Não é altura para reuniões familiares. As visitas devem-se restringir àquelas que são mesmo necessárias", declarou por seu turno, a ministra da Saúde, na mesma conferência, lembrando a necessidade de se adotar novas medidas, uma vez que as infeções não diminuíram para a média de 500 casos diários, o teto para evitar regras mais duras.

Assim até 15 dezembro são proibidos mais do que dois convidados nas casas do Grão-Ducado. "Dois por casa, e têm de ser da mesma família ou viverem juntos", precisou Bettel. O Governo apelou à população para cumprir estas medidas para que a curva da epidemia diminua. "As interações sociais têm de ser reduzidas ao máximo", só se mantendo os contactos que sejam estritamente necessários, para evitarmos ter de "confinar totalmente", diz Bettel.

O que vai fechar e o que fica aberto

A partir de quinta-feira, dia 26, entra assim em vigor o confinamento parcial: Restaurantes, bares e cafés encerrados, ginásios de fitness e atividades desportivas no interior com limite máximo de quatro pessoas, cinemas, teatros encerrados, apenas museus, bibliotecas e locais onde se possam manter o distanciamento social continuam abertos.

O comércio vai continuar aberto porque são "locais onde é obrigatório a máscara e permitem o distanciamento de dois metros por pessoa". "Esta é a regra, onde tal não seja possível há que encerrar agora, até dia 15 dezembro", explica Bettel. Por isso, as cantinas escolares vão continuar abertas, mas estas vão ter agora regras mais apertadas. "Nas cantinas é possível realizar o distanciamento social, na restauração não é em muitos estabelecimentos", defende o governante.


Saiba todas as restrições que vão ser impostas a partir de quinta-feira
Xavier Bettel anunciou que o país vai entrar em confinamento parcial já a partir de quinta-feira. Saiba o que está na calha.

O recolher obrigatório entre as 23h00 e as 06h00 mantém-se também e o uso da máscara passa a ser obrigatório em todos os locais onde não é possível as pessoas estarem afastadas dois metros, seja local de trabalho e locais públicos. Mesmo em casa e nas famílias onde existam avós, pessoas idosas ou frágeis aconselha-se o uso de máscara quando não pode haver distanciamento. As infeções estão a aumentar entre a população com mais de 65 anos, e na semana passada este era o segundo grupo etário mais afetado.

Pessoas idosas contaminadas correm mais riscos e necessitam mais de hospitalizações. "A situação nos hospitais está sob pressão. Ainda temos margem e queremos continuar com esta margem para poder continuar a tratar todos os doentes, sejam os infetados sejam pacientes de outras doenças", defendeu a ministra da Saúde.

Terça-feira, dia 24, estavam hospitalizadas 195 pessoas nos cuidados normais e 47 nos cuidados intensivos, estando estas últimas unidades com cerca de metade das camas ocupadas pela epidemia. Perante o aumento de internamentos originados pelo vírus da covid-19 os hospitais do país acionaram a fase 4 do plano de contingência, reorganizando-se para concentrar os esforços e profissionais nas unidades covid-19. Por isso, consultas e cirurgias agendadas e não urgentes podem vir a ser adiadas.

Nos últimos sete dias faleceram 37 pessoas infetadas, subindo para 273 os óbitos que a covid já fez no país desde o início da epidemia. Mais de 40% deste total ocorreu neste mês de novembro. A segunda vaga está a ter um impacto maior do que a primeira, em março e abril, com mais infeções, óbitos, hospitalizações e disseminação do novo coronavírus no país.

O Luxemburgo é o país da Europa onde o vírus mais circula entre a população nos últimos 14 dias, com mais casos diários por 100 mil habitantes, indicam as estatísticas da Organização Mundial da Saúde.

Embora a curva tenha estabilizado e os números descido ligeiramente a "situação continua muito preocupante", reconhece o Governo. "É hora de agir", antes que seja tarde demais, e que não haja outra alternativa senão o "reconfinamento total", com prejuízos grandes para a população e para a economia, lembrou Bettel.

"Só com o cumprimento das restrições, e dos gestos barreira e com a redução das interações sociais se pode contrariar a dinâmica elevada da das infeções", adverte Paul Wilmes, porta-voz da task-force covid, o grupo de cientistas que estuda a evolução da epidemia e traça previsões sobre a doença no país. Nos próximos dias, prevê-se uma média de 720 novas infeções diárias, com os números a duplicarem a cada nove dias, de acordo com os últimos estudos da task-force enviados para o governo.

"O ideal seria baixarmos até às 200 infeções diárias antes do Natal para evitar um novo aumento exponencial da curva da doença em janeiro ou fevereiro por causa das férias da quadra festiva", disse o porta-voz em entrevista à rádio 100,7. Cientistas e Governo pedem à população um "esforço coletivo" até dia 15 de novembro para baixar o planalto elevado da curva da doença e isso só será possível com a "redução ao máximo dos contactos sociais".


Covid-19. Luxemburgo é o país europeu com mais casos por cem mil habitantes
Já no número de vítimas mortais, por cem mil habitantes, o Luxemburgo é o 10° da lista dos países europeus.

Novos centros de vacinação anti-covid  

As primeiras 45 mil doses de vacinas anti-covid chegam ao país em meados de dezembro, anunciou o primeiro-ministro. O Governo está já a ultimar a estratégia de vacinação, devendo em breve anunciá-la à população, nomeadamente quais serão os grupos prioritários, os que serão vacinados primeiro.

"É preciso mais do que uma dose de vacina para uma pessoa ficar imune ao novo coronavírus. Daí ser essencial estabelecer um plano com os grupos de pessoas prioritárias para receber a vacina contra a covid-19", disse Xavier Bettel.

Centros de vacinação anti-covid vão ser criados, para que "as pessoas podem ser vacinadas mais rapidamente do que no seu médico", anunciou o chefe do executivo."Estamos conscientes que é necessário vacinar a população o mais rapidamente possível", "não podemos perder tempo", vincou.

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