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Vai acolher refugiados da Ucrânia no Luxemburgo? Saiba o que deve fazer
Luxemburgo 5 min. 03.03.2022 Do nosso arquivo online
Guerra na Ucrânia

Vai acolher refugiados da Ucrânia no Luxemburgo? Saiba o que deve fazer

Várias famílias já começaram a receber refugiados esta semana no Grão-Ducado.
Guerra na Ucrânia

Vai acolher refugiados da Ucrânia no Luxemburgo? Saiba o que deve fazer

Várias famílias já começaram a receber refugiados esta semana no Grão-Ducado.
Foto. AFP
Luxemburgo 5 min. 03.03.2022 Do nosso arquivo online
Guerra na Ucrânia

Vai acolher refugiados da Ucrânia no Luxemburgo? Saiba o que deve fazer

Tiago RODRIGUES
Tiago RODRIGUES
Já há muitos refugiados da guerra na Ucrânia a chegar ao Luxemburgo esta semana. Muitos mais virão nos próximos dias. Várias famílias voluntariaram-se para acolher estas pessoas. Mas o que é que devem fazer quando elas chegarem?

O Luxemburgo está preparado para receber "um grande número de refugiados da Ucrânia", garantiu o primeiro-ministro, Xavier Bettel, esta semana. Aliás, o país vai acolher mais refugiados "do que as capacidades anunciadas".

Os ucranianos serão recebidos o mais rapidamente possível, graças a um sistema de vistos temporários na União Europeia, garantiu Bettel.  

O governante não estimou um número exato, mas indicou que até quatro milhões de pessoas poderão refugiar-se na Europa. Segundo o mais recente balanço da ONU, na quarta-feira, o número de refugiados da Ucrânia só nos países vizinhos atingiu as 836 mil pessoas.

Várias famílias já começaram a receber refugiados esta semana no Grão-Ducado. Muitas delas voluntariaram-se para acolhimento através do grupo de Facebook "Host families for refugees of war in Ukraine/Luxembourg" ("Famílias de acolhimento para refugiados de guerra", em português), que foi criado na semana passada para esse efeito.  

Uma das administradoras do grupo, Kateryna Okhrimenko, fez uma publicação na noite de quinta-feira a lembrar que "pessoas e famílias da Ucrânia já começaram a chegar" ao país.

"Não podemos agradecer-vos o suficiente pela vossa gentileza e prontidão em dar uma primeira mão às famílias. Quanto mais cuidamos das crianças, mulheres e pessoas vulneráveis da Ucrânia, mais espaço de manobra o exército ucraniano tem na luta incessante por todos nós, europeus", acrescentou Kateryna.  

A ucraniana, que vive no Luxemburgo, recomenda às pessoas que vão receber refugiados que os ajudem a preencher este formulário, que deverá depois ser enviado para o email immigration.desk@mae.etat.lu.  

Alguns conselhos para as famílias que vão acolher refugiados:

Além de ajudar as famílias a preencher o formulário, quem acolhe estas pessoas deve ter em conta outras medidas importantes. A administradora do grupo deixou alguns conselhos sobre como devem proceder no momento da chegada dos refugiados às suas casas.

Comer, dormir e tomar banho

"À chegada, as pessoas muito provavelmente irão precisar de comer, dormir e tomar banho. Se houver crianças pequenas, então muito provavelmente serão necessárias coisas básicas como fraldas. Muitas vezes as mulheres podem precisar de coisas como pensos higiénicos. Basta deixá-los nas casas de banho, elas podem sentir-se muito desconfortáveis para as pedir. Toalhas limpas e roupa interior de algodão também podem ser úteis. Escovas de dentes para adultos e crianças. Creme facial e uma escova de cabelo".

Alimentação

"É melhor que não comam alimentos muito gordurosos e fritos. Os seus estômagos podem estar muito sensíveis. Não sabemos o que comeram nos últimos sete dias".

Ajuda da associação

"Se tivermos a oportunidade de entrar em contacto com as famílias antes da chegada, teremos mais detalhes sobre as suas necessidades e partilhá-las-emos convosco. Alguns bens essenciais estão disponíveis no nosso armazém".

Respeitar o silêncio

"Por favor, tenha em mente que as pessoas que estão a chegar podem estar devastadas. Deixaram as suas casas. Algumas podem ter andado quilómetros a pé antes de chegar à fronteira. A maioria delas passou por bombardeamentos, tiroteios, viu pessoas a morrer à sua volta. Nem todas elas poderão sorrir em troca da vossa hospitalidade. Nem todas elas serão conversadoras e sociáveis no início. Nem todas elas falam uma das vossas línguas".

Comunicar com amor

"Há uma língua universal que todos sabemos falar: compaixão, amor e bondade. Torna o coração um pouco mais forte; faz-nos voltar a acreditar na humanidade, faz-nos confiar uns nos outros, ajuda a sentirmo-nos vivos novamente, acende o sorriso nos rostos. Vocês serão as suas pontes de volta à vida, à normalidade. Não é uma sensação fantástica desempenhar um papel tão importante na vida de alguém?"


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"Governo está a trabalhar na organização de uma entrada decente"

A administradora do grupo do Facebook "Famílias de acolhimento para refugiados de guerra" Kateryna Okhrimenko afirmou ainda que o diretor da associação LUkraine asbl, Nicolas Zharov, teve uma reunião com o primeiro-ministro.  

"O governo está a trabalhar na organização de uma entrada decente de refugiados de guerra na Ucrânia na comunidade luxemburguesa. Iremos publicar mais atualizações sobre a forma como isto será organizado nos próximos dias", anunciou a administradora, confirmando que as pessoas terão permissão para  trabalhar e ter acesso aos cuidados médicos.

O Contacto questionou o Ministério dos Negócios Estrangeiros sobre quais as medidas que estão a ser preparadas para a integração destas pessoas e fonte da pasta respondeu que será emitido um comunicado sobre o tema ainda esta quinta-feira.


A Comissão Europeia espera mais milhões de refugiados a entrar na UE nos próximos dias.
Um milhão de refugiados da Ucrânia já estão na UE mas Bruxelas espera mais
Um milhão de ucranianos estão já na União Europeia devido à invasão russa do país, revelou esta quinta-feira a Comissão Europeia.

Esta quinta-feira, a Comissão Europeia revelou que pelo menos um milhão de ucranianos estão já na União Europeia e que são esperados mais milhões de pessoas nos próximos dias.

Os ministros europeus analisam atualmente proposta da Comissão Europeia de ativar a diretiva sobre proteção temporária para pessoas que fogem e procuram refúgio na União Europeia. Esta legislação, que será usada pela primeira vez apesar de existir há 20 anos, poderá entrar em vigor dentro de alguns dias.


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