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Vacina anti-covid. Transporte e armazenamento são um desafio para o Luxemburgo
Luxemburgo 5 4 min. 30.11.2020

Vacina anti-covid. Transporte e armazenamento são um desafio para o Luxemburgo

Vacina anti-covid. Transporte e armazenamento são um desafio para o Luxemburgo

Photo: AFP
Luxemburgo 5 4 min. 30.11.2020

Vacina anti-covid. Transporte e armazenamento são um desafio para o Luxemburgo

Para distribuir as vacinas anti-covid pela população, o Ministério da Saúde e peritos em logística estão a trabalhar em conjunto há semanas para encontrar as melhores soluções. Este é um grande desafio, em particular devido à gestão do armazenamento a baixas temperaturas de algumas das vacinas.

(Marco Meng com Jmh) - Quer se chamem BNT162b1, CvnCoV ou AZD1222, todas elas representam uma esperança face à pandemia, já que correspondem ao nome das vacinas desenvolvidas pelos gigantes farmacêuticos Binontech/Pfizer, Curevac e Astrazeneca, que podem entrar em produção até ao final do ano. Embora seja uma grande notícia na luta contra a pandemia, as vacinas  levantam uma série de desafios logísticos, incluindo a necessidade de produzir, transportar e armazenar alguns destes produtos a temperaturas tão baixas como -70°C.

Estas questões estão a ser planeadas por um grupo de trabalho denominado ''logística-vacinas' no âmbito do Ministério da Saúde e devem ser decididas no quadro da estratégia de imunização atualmente em desenvolvimento. Mas a equação a resolver não é simples, uma vez que nem o prazo de validade das doses nem as temperaturas necessárias para a máxima eficácia são uniformes. O mesmo se aplica ao seu preço, que varia entre 2,50 e 20 euros por dose.

"O aeroporto e as empresas de transporte responsáveis pelo transporte refrigerado já estão em contacto permanente e trabalham em estreita colaboração com o Ministério da Saúde, que acabará por tomar decisões para o Luxemburgo com os negociadores da UE", diz Malik Zeniti do 'Cluster for Logistics', contactado pelos nossos colegas do Luxemburger Wort. No total, a Comissão Europeia encomendou cerca de 1,4 mil milhões de doses aos principais laboratórios, distribuídas de acordo com a dimensão dos países. 


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Oficialmente, o Grão-Ducado receberá 0,14% do stock encomendado pela Comissão Europeia, o que ainda representa mais de um milhão de doses. Este número é superior ao da população residente, uma vez que tem em conta os 17.000 trabalhadores da saúde considerados prioritários. A maioria destes profissionais de saúde vive fora do Luxemburgo. Embora as doses previstas não tenham de percorrer longas distâncias desde que sejam produzidas em fábricas localizadas perto de Amesterdão, Frankfurt ou Munique, os modos de transporte mais apropriados ainda não foram determinados.

Todos os atores da área do transporte estão em pé de guerra. Sejam transportadores rodoviários como Arthur Welter, Wallenborn ou Kühne&Nagel, transportadores ferroviários como a CFL Multimodal ou os operadores aéreos. Só que atualmente, todos se interrogam sobre o modus operandi a ser seguido, uma vez que "não existe informação sobre como as vacinas devem ser transportadas". No centro destas questões está a manutenção da cadeia de frio. Enquanto muitos deles tenham equipamento de armazenamento de produtos a temperaturas até aos -23°C, só alguns possuem capacidade para armazenar  produtos que necessitam de temperaturas ainda mais baixas.


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Este é o grande problema da vacina produzida pela Biontech, que só pode ser armazenada por um máximo de seis meses e num espaço refrigerado a -70°C. E durante cerca de cinco dias a temperaturas entre 2 e 8°C. E aqui há duas opções: ou trazer as doses desta vacina diretamente do local de produção e utilizá-las durante os quatro dias seguintes, ou armazená-las em espaços amplos e com equipamentos adequados à conservação das vacinas a estas temperaturas.

O 'Hub Pharma & Healthecare' do Findel pode acomodar 350 paletes em 818 m2 a temperaturas adequadas. Uma opção que ainda não foi tida em conta, uma vez que até à data não foi assinado qualquer contrato para o efeito. O Freeport, localizado a poucos passos de distância, representa também uma alternativa, dado que o local pode armazenar medicamentos "numa área refrigerada de 400 m2", diz o porta-voz do Findel, que também menciona a possibilidade de utilizar mais 2.000 m2 com congeladores.


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Outra opção será a utilização de contentores frigoríficos especiais dedicados ao transporte de medicamentos sensíveis, capazes de manter uma temperatura de -70°C durante 200 horas. Equipamentos já utilizados pela Cargolux e DHL no envio conjunto de 3,3 milhões de doses de vacina contra a meningite C para o Brasil, a partir de Itália. Para transportar as primeiras 280.000 doses de vacina da Biontech seriam necessários cerca de 1.400 destes equipamentos e a utilização de seis Boeing 747-8F . 

No total, espera-se que cerca de 480.000 doses de vacina cheguem ao Grão-Ducado no primeiro trimestre de 2021 e sejam entregues nos primeiros centros de vacinação que vão ser criados.

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