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Vídeo. “Há pessoas que têm vergonha de pedir ajuda. Aqui não pedimos explicações”
Luxemburgo 1 2 min. 22.01.2020 Do nosso arquivo online

Vídeo. “Há pessoas que têm vergonha de pedir ajuda. Aqui não pedimos explicações”

Vídeo. “Há pessoas que têm vergonha de pedir ajuda. Aqui não pedimos explicações”

Foto: Sibila Lind
Luxemburgo 1 2 min. 22.01.2020 Do nosso arquivo online

Vídeo. “Há pessoas que têm vergonha de pedir ajuda. Aqui não pedimos explicações”

Sibila LIND
Sibila LIND
No início do ano, Josiane Schoder, enfermeira de 53 anos, decidiu criar um projeto de recolha de casacos de inverno para dar a quem mais precisa. Até agora, já foram oferecidos mais de 1300 casacos.

Em frente ao cabeleireiro ByTun, na rua Alzette, em Esch, dois suportes para cabides enchem e esvaziam-se de casacos a cada dia que passa. No cartaz pendurado, ao contrário dos outros das lojas vizinhas em que se lê: "Promoção" ou "Preço mais baixo", está escrito: "Tem frio? Sirva-se. É grátis".

"Esch é uma grande cidade onde vivem muitas pessoas que precisam de ajuda. E foi por isso que escolhi fazer o projeto aqui", diz Josiane, a luxemburguesa responsável por esta iniciativa.

A ideia surgiu quando Josiane leu um artigo sobre a Turquia em que as pessoas penduravam casacos nas árvores para oferecer. "Comentei isso com um amigo meu turco que me disse: 'Isso no Luxemburgo não funcionava'. 'Pois eu acho que sim'".

Esch é uma grande cidade onde vivem muitas pessoas que precisam de ajuda.

Josiane Schoder

Em dezembro, Josiane lançou um apelo nas redes sociais a pedir casacos de inverno e entrou em contacto com alguns amigos. Quando já tinha 100 casacos, decidiu começar a oferecê-los. Em poucas horas, os casacos "voaram". A maior parte das pessoas que os vêm buscar são imigrantes. No dia em que o Contacto esteve lá, encontrou sobretudo portugueses. 

"Há muitas pessoas que me agradecem. Houve um senhor que me ligou da prisão a agradecer. E outro senhor que vive aqui em Esch, que não tem grandes possibilidades, que ofereceu bolos aos funcionários do cabeleireiro", conta Josiane. 

Foto: Sibila Lind

Desde o dia 2 de janeiro, data em que arrancou esta ação solidária, Josiane tenta repor os casacos todos os dias, conforme os vai recebendo. Já chegou a fazer 12 viagens de carro num dia para ir buscar casacos a casa de pessoas que a contactaram. Até ao momento, foram oferecidos mais de 1300 casacos.

"Enquanto tiver casacos, vou continuar este projeto. Depois gostava de escrever um livro sobre a história dos casacos que me chegam. Houve uma mulher que tinha a roupa do marido guardada no armário - ele tinha morrido há três anos - e ela decidiu doá-la", conta Josiane. "Acho incrível. Ela não queria separar-se da roupa dele, mas ofereceu-ma, para ajudar alguém que precise".