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Universidades de Vila Real e Luxemburgo unem esforços para proteger vinhas
Luxemburgo 2 min. 07.02.2019

Universidades de Vila Real e Luxemburgo unem esforços para proteger vinhas

Universidades de Vila Real e Luxemburgo unem esforços para proteger vinhas

Foto: Tessy Hansen
Luxemburgo 2 min. 07.02.2019

Universidades de Vila Real e Luxemburgo unem esforços para proteger vinhas

Qual é o impacto das alterações climáticas para os países que produzem vinho? É possível combater a seca com simples palha espalhada no solo? Um projeto europeu liderado pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, que conta com a colaboração do Luxemburgo, quer dar resposta a estas e outras questões. A ideia é trocar boas práticas para diminuir o impacto das alterações climáticas na viticultura europeia.

Dois mil quilómetros separam as vinhas do rio Moselle da zona vinhateira do Douro, mas os problemas que afetam os viticultores são globais e vão ser estudados no projeto Clim4Vitis, coordenado pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Com um financiamento de um milhão de euros da União Europeia, o projeto vai avaliar os impactos das alterações climáticas na viticultura europeia. O consórcio, formado por vários países europeus, associa ainda o Instituto de Ciência e Tecnologia do Luxemburgo (Luxembourg Institute of Science and Technology - LIST), o Instituto Potsdam de Pesquisas sobre o Impacto Climático, na Alemanha, a Universidade de Florença, em Itália, e a Sociedade Portuguesa de Inovação (SPI). 

“O Clim4Vitis tem como objetivo desenvolver uma rede de parcerias a nível europeu na área da viticultura e das alterações climáticas que pretende, acima de tudo, a transferência de conhecimento entre parceiros de topo a nível europeu”, explicou à agência Lusa João Santos, coordenador do projeto e investigador da UTAD.

É esta universidade, localizada em Vila Real, que acolhe entre os dias 18 e 20 de fevereiro o “Clim4Vitis Days”, o evento de lançamento do projeto, que junta parceiros da Alemanha, Itália e Luxemburgo e vai ser implementado até ao final de 2021.

A questão das alterações climáticas é “pertinente” e “atual”, explica João Santos, salientando que é importante defender a viticultura em países como Portugal, onde há muitas regiões dependentes desta atividade económica. "No nosso país, a perspetiva é que ao aumento das temperaturas se associe o problema da secura, ou seja, da falta de recursos hídricos".

O investigador disse que a questão da seca é “muito grave” e lembrou que já estão a ser preparadas medidas de mitigação, como o recurso a diferentes podas e formas de mobilização do solo ou a aplicação de protetores solares (caulino). Mas para João Santos é preciso ir mais longe e desenhar novas vinhas com uma estrutura diferente, escolhendo uma menor exposição solar, maiores altitudes, recorrer à seleção de castas ou clones mais resistentes a climas secos, e também ao sombreamento da própria vinha, plantando árvores como a oliveira, que podem criar uma proteção para a videira.

Alguns países quentes e secos, segundo o especialista, estão a recorrer à técnica ‘mulching’, que consiste em, simplesmente, espalhar palha seca na vinha, o que reduz drasticamente a evaporação da água do solo.

Durante os três dias do “Clim4Vitis Days”, a UTAD vai receber especialistas de organismos europeus especializados em alterações climáticas e viticultura. O evento inclui uma "workshop" que visa fornecer uma visão geral de diferentes abordagens de última geração de modelação de videira e abordará a fenologia, o crescimento, pragas e doenças sob diferentes condições ambientais. Está previsto também um curso de formação avançado dedicado às alterações climáticas e à viticultura, que irá fornecer informação sobre as melhores práticas com valor agregado ao setor. A conferência é organizada pelo Centro de Investigação e Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB) da UTAD e dirige-se a estudantes, investigadores, produtores e empresas do setor.

O projeto, que arranca este mês, vai contar no final com um manual de boas práticas, que vai ser divulgado junto do setor e disponibilizado ‘online’.