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União Europeia mais solidária exigida em debate
Luxemburgo 4 min. 01.03.2019

União Europeia mais solidária exigida em debate

União Europeia mais solidária exigida em debate

Foto: Pierre Matgé
Luxemburgo 4 min. 01.03.2019

União Europeia mais solidária exigida em debate

Conferência foi organizada no Festival das Migrações e contou com representantes dos partidos luxemburgueses. David Wagner (Déi Lénk) e Ali Ruckert (KPL) foram as vozes mais críticas.

Uma União Europeia que saiba ser mais solidária e acolhedora, respeitadora dos Direitos Humanos, cobrando impostos às grandes multinacionais e estabelecendo verdadeiros acordos de cooperação com os seus parceiros, sobretudo em África, além de empenhada na paz e não parecendo disfarçada de Estados Unidos no seu envolvimento em conflitos por todo o mundo: em síntese, foi isto que se pediu na conferência-debate desta noite, realizada no primeiro dia do Festival das Migrações.

David Wagner (Déi Lénk) e Ali Ruckert (KPL) não poupavam nas críticas. O primeiro lembrou o exemplo da Grécia em 2015 para lamentar aquilo que classificou como "golpe de Estado económico" face às ameaças feitas pelo então ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, perante a opção do povo, "cansado de políticas ultraliberais", por um Governo de esquerda. Além disso, acusou a União Europeia de "organizar a fome em África através de acordos neocolonialistas" e de fechar as suas fronteiras, duvidando que os valores daquela entidade sejam, de facto, humanistas. "É preciso ser solidário e lutar por uma União Europeia de verdadeiros direitos sociais", disse, não esquecendo o apoio de muitos países do grupo dos 28 àquilo que chamou o "putsch na Venezuela".

Quanto a Ruckert, acusou o projeto europeu de estar mais empenhado, "desde o início, em garantir os interesses dos bancos e dos grupos económicos" do que na proteção dos cidadãos. "Liberalizações e privatizações têm sido feitas neste sentido e conduziram a uma enorme desmontagem social", afirmou. "Votar comunista é a única forma de estar contra esta Europa do capital e permitir aos trabalhadores que sejam eles a decidir o futuro". Ao mesmo tempo, condenou a participação europeia em "tentativas de chantagem como na Venezuela onde muitos na União apoiam um Presidente fantoche".

Nicolas Schmit (LSAP) falou da necessidade de "alterar a forma de governar a Europa, reconciliando os europeus com o projeto" da União e evitando a sua "alienação e aproximação aos populistas". Em síntese, defendeu que "não pode haver cedências a quem não respeitar os Direitos Humanos, é preciso democratizar a economia, taxar os grandes grupos económicos e reforçar a negociação coletiva com os sindicatos", lembrando ainda a ideia de uma "política de 'détente', tal como o fez Willy Brandt numa altura muito delicada da História".

Deputada europeia pelo Déi Gréng, Tilly Metz, que haveria de criticar Kartheiser em função das suas referências ao papel dos refugiados - "os refugiados políticos são 0,2% e revolta-me que alguém os considere responsáveis e os indique como fatores de desestabilização quando são mulheres e homens como nós", disse a política -, acentuou: "Temos de estar unidos na diversidade contra problemas que não conhecem fronteiras", além de "organizar e regular melhor uma migração legal sem construir um muro à volta da Europa", cujo papel de "mediadora da paz pelo mundo fora deve ser exercido".

Charles Goerens (deputado europeu pelo DP) apontou a Europa "como exemplo para o resto do mundo", recordou a "manifestação de meio milhão de jovens em Londres há cerca de um mês para que todos percebam o que perdem com a saída do Reino Unido da União Europeia", explicando que "gostaria de ver em todos os países da UE um salário mínimo e o fim do dumping social e fiscal".

Para Christophe Hansen (deputado europeu pelo CSV), "o grande problema não é a Europa, mas a forma como diversos Estados no seu interior não se identificam com os seus métodos". Hansen apoiou ainda Goerens nas suas declarações sobre o salário mínimo e, sobre a questão das migrações, sugeriu "uma política de relocalização sólida".

Pelo Partido Pirata, Marie-Paule Dondlinger recordou que "as políticas europeias são, por vezes, incompreensíveis para os cidadãos e os governos acabam por estar em discrepância com eles. Por isso, é preciso haver melhores políticas nacionais e europeias".

Fernand Kartheiser (ADR) insistiu na crise do federalismo e na proteção das fronteiras, considerou que "a liberdade de circulação está ameaçada porque se perdeu o controlo das migrações" e opinou que "salvar a Europa exige coragem para a tornar mais sólida e democrática".

Joé Thein (Déi Konservativ), que se autoclassificou como "eurocético e eurorealista", quis "mais Luxemburgo no projeto europeu" e, num debate em que fora decidido usar o francês como língua corrente, sugeriu a passagem para o luxemburguês "que ainda não está proibido", mas não teve companhia.

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