Escolha as suas informações

Uma greve das super-heroínas do quotidiano
Luxemburgo 3 min. 04.03.2020 Do nosso arquivo online

Uma greve das super-heroínas do quotidiano

Uma greve das super-heroínas do quotidiano

Foto: Chris Karaba
Luxemburgo 3 min. 04.03.2020 Do nosso arquivo online

Uma greve das super-heroínas do quotidiano

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
Durante o Festival das Migrações vários debates falaram dos direito das mulheres. O mais participado foi o de preparação da Greve das Mulheres marcada para 7 de Março.

  “Levantar-se às 5h00 da manhã, preparar sozinha os dois filhos e levá-los à escola. Trabalhar a partir das 8h00, ir buscar os filhos à escola, ajudar a fazer os trabalhos de casa, levar os filhos às atividades desportivas. Ir às compras, preparar o jantar e lavar a loiça. Discutir com os filhos para que vão para a cama. Acabar as tarefas de casa”. Este é o relato de um dia típico de uma mãe de uma família monoparental. “Educo os meus filhos sozinha e isso é duro”, relata Pascal, uma mãe com três filhos no debate de apresentação da Greve das Mulheres que se realizou no Festival das Migrações, no passado domingo. “O pagamento do alojamento é a grande dificuldade das famílias monoparentais”, esclareceu. “Who cares? We care!” deu o mote ao debate que contou também com a presença representantes das trabalhadoras do setor do comércio e do setor da limpeza da OGBL.

Uma paralisação para “tornar visível a desigualdade de divisão de trabalho “e exigir “tempo para a igualdade”. Hoje as mulheres trabalham, em média, mais duas horas por dia que os homens. Há também um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que prevê que só dentro de 200 anos haverá igualdade entre mulheres e homens na partilha da trabalho doméstico. “Se as mulheres parassem de fazer este trabalho não remunerado o mundo ia ao fundo”, revela uma das oradoras do debate. Porque “as mulheres investem sempre mais tempo que os homens neste trabalho invisivel, na prestação de cuidados e na educação dos filhos” afirmou uma das mulheres presentes na audiência.

Depois há a realidade de diferença salarial em que as mulheres ganham menos 6% que os homens para o mesmo trabalho no Luxemburgo.

Diferentes modos de protesto

“Ir trabalhar com maquiagem de guerreira. Responder apenas sim e não. Vestir-se de roxo. Passar uma playlist de músicas feministas no local de trabalho. Parar de trabalhar durante uma hora”. Estão são apenas algumas das formas propostas para participar na greve das mulheres, que está marcada para o próximo sábado, dia 7 de março. Pela primeira vez, o Luxemburgo adere a este protesto que tem como principal objetivo tornar vísiveis as desigualdades entre homens e mulheres. Outra das formas de aderir a este movimento é afixar uma cartaz que anuncie a “Greve das Mulheres” no local de trabalho. Podem ainda reservar uma sala de reuniões em que todas as mulheres da empresa possam afixar as suas principais reivindicações ou fazer uma sondagem junto das trabalhadoras sobre as suas principais exigências. Nas redes sociais poderá subsitituir sua fotografia de perfil pelo logotipo da greve como forma de anunciar que aderiu a esta paralisação. A jornada termina com uma manifestação, a partir das das 15h00, deste próximo sábado, que parte da “Place d’Armes” no Luxemburgo, seguindo em desfile até às “Rotondes”.

Dar visibilidade às mulheres muçulmanas

A estreia do filme “Women Sense tour in Muslim Countries – Maroc”, uma viagem para conhecer as ativistas dos direitos das mulheres nos países muçulmanos provocou um aceso debate no painel em que foi exibido.

O objetivo do documentário é mostrar que as “mulheres muçulmanas não são todas submissas, oprimidas e invisíveis”, declarou ao Contacto, Sarah Zouak uma das autoras do documentário. “Como em todas as sociedades, as mulheres organizam-se para fazer ouvir outras mulheres”, sublinha. “Quisemos mostrar estas atrizes da mudança que existem nos diferentes países muçulmanos”, acrescenta. Ao longo de cinco episódios as autoras contam a história de 25 mulheres que lutam pela igualdade.

Mas esta não é apenas uma luta do mundo árabe. “É preciso destruir o capitalismo porque ele está muito ligado ao patriarcado”, conclui Justine Devillaine, outra das autoras do filme.