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"Um crime brutal". MP volta a pedir perpétua em julgamento de recurso do homicídio de Ana Lopes
Luxemburgo 3 min. 17.11.2021
Justiça

"Um crime brutal". MP volta a pedir perpétua em julgamento de recurso do homicídio de Ana Lopes

Ana Lopes tinha 25 anos. Ex-companheiro é acusado de a ter sequestrado e matado e ainda de ter queimado o corpo e o carro da vítima, deixando-os do outro lado da fronteira francesa.
Justiça

"Um crime brutal". MP volta a pedir perpétua em julgamento de recurso do homicídio de Ana Lopes

Ana Lopes tinha 25 anos. Ex-companheiro é acusado de a ter sequestrado e matado e ainda de ter queimado o corpo e o carro da vítima, deixando-os do outro lado da fronteira francesa.
Foto: Reprodução TVI
Luxemburgo 3 min. 17.11.2021
Justiça

"Um crime brutal". MP volta a pedir perpétua em julgamento de recurso do homicídio de Ana Lopes

Paula DE FREITAS FERREIRA
Paula DE FREITAS FERREIRA
Testemunho do perito ouvido em tribunal na terça-feira foi considerado válido - foi o terceiro a ser ouvido no caso. Na sexta-feira é a vez da defesa de Marco Silva apresentar os seus argumentos.

A defesa de Marco Silva, o português condenado em janeiro a prisão perpétua pelo homicídio da ex-namorada, bem tentou, em julgamento de recurso, invocar a pouca certeza em relação à origem dos vestígios de ADN encontrados num rolo de fita adesiva junto ao carro da vítima. Por essa razão, o julgamento foi interrompido na sexta-feira e retomado na terça-feira. Que se ouvisse, então, o perito.

Ouvido, conta a RTL, explicou que foram encontrados vestígios do haplótipo Y, o que significa que pertencem a qualquer membro do sexo masculino da família de Marco Silva: ou ele mesmo, ou um filho, o pai, um tio ou um irmão. O Ministério Público (MP) refutou todas as tentativas da defesa do português que alegou não ser claro que o ADN pertencesse, sem sombra de dúvida, ao acusado. Mas o testemunho do perito foi considerado válido - era o terceiro a ser ouvido no caso. O tribunal decidiu ainda que não, não se ouvirá um quarto perito.


Cena do crime em Roussy-le-Village.
Suspenso julgamento de recurso do homicídio de Ana Lopes
Juizes querem ouvir um especialista em ADN, depois dos advogados de Marco Silva terem constestado os vestígios biológicos encontrados num rolo de fita adesiva junto ao local do crime. Julgamento é retomado na terça-feira.

O ex-companheiro de Ana Lopes, também de nacionalidade portuguesa, é acusado de a ter sequestrado e matado - tinha a jovem apenas 25 anos -, e ainda de ter queimado o corpo e o carro da vítima, deixando-os do outro lado da fronteira francesa.   

  "Ana Lopes não tinha hipóteses de sobreviver"

"Um crime brutal, executado com uma frieza chocante ", disse o MP, nas suas alegações finais, antes de pedir prisão perpétua para o acusado, a mesma a que o português foi condenado, em janeiro. 

A "sua ausência de confissão, arrependimento ou responsabilidade" não o torna elegível para circunstâncias atenuantes ou qualquer adiamento, alegou, escreve o L'essentiel.

Os argumentos do Ministério Público elencam o conjunto de pistas que apontam para Marco Silva como o autor do homicídio. De todos os indícios, até aqueles que a defesa do português põe em causa: a braçadeira e o rolo de fita adesiva usados ​​para cometer o crime são materiais que podiam ser encontrados na garagem onde trabalhava.

"Ele é um mentiroso. Mentiu sobre o álibi e não estava em casa na hora dos factos [...] O autor do crime decidiu transportar o corpo para a França, planeou e premeditou o ato. Esse autor é Marco Silva ”, disse o Ministério Público.


Imagem de arquivo.
Marco Silva volta a declarar-se inocente do homicídio de Ana Lopes
Português foi condenado a prisão perpétua em janeiro deste ano pelo assassínio da ex-namorada e mãe do seu filho, mas desde o início do processo que tem negado a autoria do crime.

"Estou inocente". Marco Silva voltou a negar autoria do crime

 “Ana não tinha hipóteses de sobreviver. Ele odiava-a ”, defendeu ainda o MP, recordando as queixas de violência doméstica de Ana Lopes contra o arguido e ainda declarações de outras mulheres que estiveram num relacionamento com o português. Uma delas, relembrou o MP, disse mesmo: “Se ele estiver livre, virá atrás de mim”. Na próxima sexta-feira é a vez da defesa de Marco Silva expor os seus argumentos. 

Em janeiro, os juízes consideraram o jovem de 33 anos culpado de raptar a ex-companheira e mãe do filho de ambos na noite de 16 de janeiro de 2017.  Na altura com 25 anos, Ana Lopes tinha sido dada como desaparecida a 15 de janeiro, em Bonnevoie, na cidade do Luxemburgo. Dois dias depois do alerta de desaparecimento, o carro da portuguesa foi localizado em território francês, em Roussy-le-Village, perto da fronteira com o Grão-Ducado, completamente carbonizado. Mais tarde, a autópsia confirmaria que o corpo encontrado na viatura era o de Ana Lopes.  


Suspeito da morte de Ana Lopes ameaça ex-namorada: "Tu é que merecias o que aconteceu"
Acusado de matar e deitar fogo ao corpo da mãe do filho, Marco Silva promete agora arruinar a vida da namorada que se seguiu a Ana Lopes. O Contacto teve acesso às mensagens intimidatórias.

O português foi detido seis meses após o homicídio encontrando-se preso desde essa altura. No dia em que conheceu a sentença voltou a afirmar que estava inocente - desde o início do processo que tem negado a autoria do crime - e passados poucos dias recorreu da sentença. Na terça-feira, na primeira sessão do recurso, voltou a reafirmar o mesmo. "Estou inocente", declarou, citado pelo Luxemburger Wort.

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