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Tripartida. Limiar da dívida pública divide oposição
Luxemburgo 3 min. 20.09.2022
Inflação

Tripartida. Limiar da dívida pública divide oposição

Ministro da Segurança Social afirmou nas redes sociais que, no contexto atual, não devemos ficar presos ao "dogmatismo orçamental".
Inflação

Tripartida. Limiar da dívida pública divide oposição

Ministro da Segurança Social afirmou nas redes sociais que, no contexto atual, não devemos ficar presos ao "dogmatismo orçamental".
Foto: Anouk Antony/Luxemburger Wort
Luxemburgo 3 min. 20.09.2022
Inflação

Tripartida. Limiar da dívida pública divide oposição

Thomas BERTHOL
Thomas BERTHOL
No seu acordo governamental, DP, LSAP e dei Gréng concordaram em não ultrapassar o limiar de 30% do PIB para a dívida pública. Mas com o atual contexto inflacionário, algumas posições mudaram.

Por vezes, basta um tweet para semear a discórdia: "O limiar de 30% do PIB para a dívida pública é um objetivo político criado no Luxemburgo, enquanto que a única norma de limite de dívida vinculativa para os países europeus é de 60%". Em resposta a estas observações do antigo colega socialista, Alex Bodry, o ministro da Segurança Social, Claude Haagen, afirmou nas redes sociais que, no contexto atual, não devemos ficar presos ao "dogmatismo orçamental".

Isto chega para semear a discórdia no seio da coligação DP-LSAP-déi Gréng? Uma divisão que vem em má altura, uma vez que Governo, sindicatos e empregadores se reúnem novamente esta terça-feira no Castelo de Senningen para encontrar soluções para aliviar as famílias e empresas no atual contexto inflacionário.


Esta terça-feira era a última ronda de três dias de negociações entre o Governo, sindicatos e patronato.
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Xavier Bettel (DP) já tinha relembrado antes do lançamento da tripartida que não queria exceder o limiar de 30% da dívida pública. O primeiro-ministro recordou que este princípio está inscrito no acordo da coligação. Entrevistada pelo Tageblatt na segunda-feira, a copresidente do LSAP, Francine Closener, salientou que Xavier Bettel tinha assegurado que não haveria "discussões tabu" durante a nova tripartida.

"A situação atual requer outras medidas"

De acordo com o jornal, os membros do partido e do grupo parlamentar socialista consultaram-se mutuamente e chegaram à conclusão maioritária de que os 30% só foram fixados como limiar no Luxemburgo, mas que não estão condicionados por regras externas rigorosas, tais como os critérios de Maastricht. "Espero, claro, que se chegue a uma conclusão com os parceiros sociais, onde não tenhamos sequer de falar sobre tudo isto", declarou Francine Closener.

O outro parceiro da coligação, dei Gréng, já tinha previsto em agosto uma violação do teto máximo da dívida como um problema a considerar. "Temos atualmente margem de manobra financeira e temos agora de ser flexíveis", disse o copresidente do partido Meris Sehovic. A líder do grupo parlamentar ecologista Josée Lorsché disse ainda ao Tageblatt que o limite de 30% foi fixado num contexto em que não havia crise, mas que "a situação atual também requer outras medidas".

Claude Wiseler aponta falta de seriedade da coligação

As divisões aparentes na coligação sobre o limiar da dívida pública não deixaram Claude Wiseler, o co-líder do principal partido da oposição (CSV), indiferente. "Tenho a impressão de que o Governo não está unido na sua luta contra a inflação. Isto não é muito sério numa crise destas, bem como no quadro das complicadas negociações tripartidas", lamentou Wiseler na segunda-feira de manhã à RTL.


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O representante do Partido Cristão-Social está em linha com a posição do DP sobre a dívida. Segundo ele, é importante manter a classificação de triplo A - relativa à avaliação de crédito - para garantir a credibilidade do centro financeiro: "Também temos de conseguir pedir dinheiro emprestado em condições atrativas, se necessário, porque o problema reside na falta de reservas. Claude Wiseler também criticou os nove anos de despesa do Governo.

Questionado pelo Luxemburger Wort, o presidente do ADR, Fred Keup, também expressou o seu apego ao limiar de 30%: "Não exceder o limiar de 30% da dívida pública é muito importante para a ADR. Caso contrário arriscamo-nos a perder a nossa classificação de triplo A e a pôr em risco o nosso centro financeiro e, consequentemente, toda a nossa economia. Ir além deste limiar não seria razoável", considerou o líder do partido nacionalista.

Já Myriam Cecchetti, do dei Lénk, concordou com os comentários de Claude Haagen sobre a recusa de se deixar fechar no "dogmatismo orçamental". Segundo a deputada devemos "adaptar os nossos esforços à situação de crise".

(Este artigo foi originalmente publicado na edição francesa do Luxemburger Wort.)

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