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Tribunal absolve rapper luxemburguês acusado por música que critica extremismo
Luxemburgo 1 3 min. 08.05.2019 Do nosso arquivo online

Tribunal absolve rapper luxemburguês acusado por música que critica extremismo

Tribunal absolve rapper luxemburguês acusado por música que critica extremismo

Foto: Matic Zorman / Contacto
Luxemburgo 1 3 min. 08.05.2019 Do nosso arquivo online

Tribunal absolve rapper luxemburguês acusado por música que critica extremismo

Paula TELO ALVES
Paula TELO ALVES
Tun Tonnar, de 25 anos, era acusado de ofender políticos e o fundador de uma associação nacionalista com uma canção em que defendia os imigrantes e denunciava o populismo.

O Tribunal do Luxemburgo absolveu hoje o rapper luxemburguês Tun Tonnar das três queixas-crime que o levaram ao banco dos réus. O músico era acusado de ofender dois políticos e um dos fundadores da associação nacionalista Lëtzebuerger Patrioten ("Patriotas Luxemburgueses"), por causa da canção “FCK LXB” (Féck Lëtzebuerg) [que se foda o Luxemburgo], em que critica extremistas e populistas no país. 

Na canção, divulgada dias antes das últimas eleições legislativas, em outubro do ano passado, a palavra “Féck” é repetida mais de trinta vezes. O rapper, de 25 anos, usa-a para protestar contra a intolerância (“Féck Intoleranz”), “os patriotas”, “os idiotas” e os neo-nazis, nomeando também militantes de partidos nacionalistas e movimentos populistas e pessoas já condenadas por incitação ao ódio. 


Tun Tonnar poses for a portrait in his studio. Mersch, Luxembourg - 20. 04. 2019 photo: Matic Zorman / Luxemburger Wort
Entrevista. "É impossível apagar esta canção"
O rapper luxemburguês Tun Tonnar, filho do conhecido músico Serge Tonnar, foi processado por ter, na linguagem normal do rap, mandado bugiar o racismo e os comportamentos xenófobos. Na dia 8 de maio saberá se é condenado.

Três das pessoas referidas na canção apresentaram queixa contra o músico. Uma delas veio de Fred Keup, candidato pelo ADR às europeias, que se opôs ao direito de voto dos estrangeiros no referendo e fundou o movimento "Nee2015" (Não2015), mais tarde convertido em Wee2050 ("caminho2050"). Joe Thein, expulso do ADR e fundador do partido Konservativ, também apresentou queixa. O terceiro queixoso era Dan Schmitz, fundador da associação Lëtzebuerger Patrioten ("Patriotas Luxemburgueses"), já condenado a prisão em 2015 por ter ameaçado de morte dois membros da ASTI, a associação de defesa dos direitos dos imigrantes.

O tribunal aceitou os argumentos de defesa do rapper, que afirmou ter agido no exercício de seus direitos de liberdade de expressão e criação artística, e condenou os queixosos a pagar as custas do processo. Os três homens reclamavam também o pagamento de uma indemnização, mas os juízes recusaram a pretensão, declarando que o "tribunal não é competente" para julgar o pedido cível.  


Rapper luxemburguês diz “foda-se” à extrema-direita e é processado
A música chama-se “FCK LXB” (Féck Lëtzebuerg), ou, em bom português, “que se foda o Luxemburgo”, e é uma crítica aos extremistas, populistas e xenófobos do país. Mas valeu uma queixa-crime ao seu autor. Um caso que testa os limites da liberdade de expressão no Luxemburgo.

Na letra, o rapper dizia “Foda-se Fred Keup [que se opunha ao direito de voto dos estrangeiros no referendo] e a sua matilha, não há ninguém que perceba que ele difunde o próprio medo?”. No caso de Joe Thein, o rapper criticava o partido Konservativ, que Thein fundou depois de ser expulso do ADR, afirmando que, "para um partido-palhaço, são pouco criativos". E criticava ainda a obsessão com a defesa da língua luxemburguesa de Dan Schmitz, condenado duas vezes por comentários no Facebook. 

Os vídeos 360 não têm suporte aqui. Ver o vídeo na aplicação Youtube.

O músico luxemburguês, que estuda em Berlim, não assistiu à leitura da sentença. A decisão do Tribunal contraria o pedido da Procuradoria, que tinha defendido a condenação do músico a uma multa de 1.500 euros. 

Numa entrevista ao Contacto publicada ontem, o rapper, filho do conhecido músico Serge Tonnar, afirmou que escreveu a canção para "criticar a situação a que são sujeitos os imigrantes", considerando que está em causa a "censura e liberdade de expressão" e que seria "perigoso condenar um estudante porque mandou bugiar determinadas pessoas por razões políticas". "Quantas pessoas acha que já disseram numa canção 'nique' [foda-se] Marine Le Pen? Nenhuma delas foi processada. Donald Trump tem milhares de pessoas que lhe dizem 'Fuck Trump', mas não processou ninguém", defendeu. 


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