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Transporte de doentes covid graves pode ser feito mesmo com a distância de Portugal ao Luxemburgo
Luxemburgo 6 min. 02.02.2021 Do nosso arquivo online

Transporte de doentes covid graves pode ser feito mesmo com a distância de Portugal ao Luxemburgo

Transporte de doentes covid graves pode ser feito mesmo com a distância de Portugal ao Luxemburgo

Foto: Luxembourg Air Rescue
Luxemburgo 6 min. 02.02.2021 Do nosso arquivo online

Transporte de doentes covid graves pode ser feito mesmo com a distância de Portugal ao Luxemburgo

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
Se vier a ser acionada a oferta de ajuda do Grão-Ducado, a Luxembourg Air Rescue está preparada para responder e explica ao Contacto quais as condições necessárias para transportar este tipo de doentes, entre dois países que distam mais de 2000 km entre si.

Portugal vai receber ajuda da Alemanha e, ao que tudo indica, também da Áustria. Estes são os países cujo contacto com as autoridades portuguesas já foi confirmado. Mas o apoio do exterior pode não se esgotar apenas nestes dois Estados-membros da União Europeia. Espanha ofereceu ajuda esta terça-feira, e no dia anterior, segunda-feira, a ministra da Saúde portuguesa, Marta Temido, afirmou, em conferência de imprensa, que o Governo está "a trabalhar com vários países em várias hipóteses de solução". 

O Ministério da Saúde mantém o que afirmou ao Contacto, na semana passada: que "todas as hipóteses estão a ser consideradas no sentido de continuar a assegurar os cuidados de saúde aos portugueses" e que, "num quadro de apoio externo, os mecanismos de cooperação europeia são obviamente uma possibilidade, em função da evolução que se vier a verificar". Ou seja, a disponibilidade do Luxemburgo para receber doentes portugueses - o primeiro país europeu a oferecer, publicamente, ajuda a Portugal, no âmbito da pandemia - não está descartada, embora, até ao fecho desta edição, essa oferta ainda não tivesse sido acionada pelas autoridades portuguesas. 


Luxemburgo disposto a receber pacientes com covid-19 vindos de Portugal
Garantia foi dada pela ministra da Saúde, Paulette Lenert.

Certo é que, se for necessário transferir doentes portugueses para o Grão-Ducado, a Luxembourg Air Rescue, organização privada e humanitária de resgate aéreo, sem fins lucrativos e com sede no país, tem condições para o fazer. Terá sido a ela, segundo noticiou o Luxemburger Wort, que Cristiano Ronaldo recorreu quando testou positivo para a covid-19, em outubro de 2020, para poder viajar, cumprindo as regras de saúde, do aeródromo de Tires, em Lisboa, para a sua casa em Turim, em Itália.

Ao Contacto, a Luxembourg Air Rescue, que possui helicópteros e aviões ambulância e que opera na zona da Grande Região e em todo o mundo, explicou como seria feito o transporte de doentes covid de Portugal para o Luxemburgo, caso fossem usadas as suas aeronaves.

Foto: Claude Piscitelli

De acordo com a porta-voz da organização, Antje Voss, os seus meios de transporte de doentes estão "perfeitamente equipados levar a cabo essas missões". "Dispomos de procedimentos específicos para o transporte de doentes com um diagnóstico covid-19 confirmado e todo o transporte é coordenado com as autoridades sanitárias locais e internacionais." 

Se um paciente já estiver em estado considerado grave, há alguns procedimentos a observar, mas não significa que não possam ser transportados, mesmo considerando a distância e o tempo de voo (um voo comercial, por exemplo, entre os dois países costuma durar duas a três horas, consoante a cidade de onde sai o avião, ou seja, se sai do Porto, de Lisboa ou de Faro). Depende sempre do "estado preciso do doente", explica Antje Voss. "Os pacientes devem ser sempre considerados 'aptos a voar', o que significa que a sua condição médica tem de ser cuidadosamente avaliada. Cada caso é verificado individualmente e as decisões são sempre tomadas no melhor interesse do paciente", acrescenta. 


Covid-19. Luxemburgo continua sem receber qualquer pedido para acolher pacientes portugueses
Apesar de ter sido o primeiro país a oferecer ajuda a Portugal, o Grão-Ducado continua sem receber nenhum pedido formal para acolher pacientes infetados com covid-19. A disponibilidade mantêm-se, "se a situação nos hospitais do país o permitir".

Os aviões da Luxembourg Air Rescue estão equipados com todo o equipamento médico necessário numa unidade de cuidados intensivos, o que permite "transportar pacientes críticos e entubados". "Estamos prontos para descolar dia e noite, 365 dias por ano, e muito bem equipados para o transporte de pacientes altamente infecciosos", refere a relações públicas da organização, que transporta e salva doentes há mais de três décadas. 

Entre os recursos especializados em doenças infecciosas que os aparelhos dispõem, destaca as câmaras de isolamento e unidades de doenças infecciosas e os sistemas de tenda modular de baixo peso, ergonómicos e versáteis, com flexibilidade para serem reconfigurados, que permitem "os mais altos níveis de proteção tanto dos pacientes como da tripulação". A melhor unidade é decidida caso a caso em função dessa garantia de segurança para todos os que seguem no avião.

Quanto ao número de doentes que cada aeronave poderá levar, em caso de transporte de doentes de Portugal para o Grão-Ducado, dependerá da situação médica específica de cada um. "Mas, se a avaliação clínica dos pacientes o permitir, podemos voar com dois ao mesmo tempo", conclui Antje Voss.  

Ajudas já confirmadas

A Alemanha vai enviar para o país 26 profissionais de saúde para Portugal, entre eles oito médicos, já esta quarta-feira. 

Num comunicado enviado à agência Lusa, esta terça-feira, o Ministério da Defesa alemão referiu também o envio de material médico, entre ventiladores, bombas e seringas de infusão. 

"Face ao trabalho técnico realizado, até ao momento, estima-se a chegada a Portugal, quarta-feira, dia 3 de fevereiro, de uma equipa de profissionais de saúde militares com competências ao nível da Medicina Intensiva", refere, por sua vez, um comunicado conjunto dos ministérios da Defesa Nacional e da Saúde portugueses. Os profissionais permanecerão em Portugal "durante um período de três semanas, estando prevista a sua substituição a cada 21 dias, até ao final de março, caso seja necessário". 

Já a Áustria, que se disponibilizou para receber doentes de Portugal, está a fazer um levantamento junto das várias províncias daquele país para saber quantas camas de cuidados intensivos estão disponíveis para receber os pacientes, afirmou, em declarações à Lusa, o embaixador Robert Zischg, um dia depois do chanceler austríaco, Sebastian Kurz, ter anunciado, através da rede social Twitter, que a Áustria tinha oferecido este apoio a Portugal. 

Esta terça-feira, o Governo espanhol disse estar a aguardar por um pedido oficial de ajuda por parte de Portugal para organizar com as suas comunidades autónomas apoio para aliviar a pressão hospitalar do país vizinho, revelou fonte diplomática espanhola à agência Lusa.

“Temos total disponibilidade para ajudar Portugal” a lutar contra a pandemia de covid-19, disse fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros espanhol, acrescentando que, assim que se formalize o pedido de apoio, a questão será discutida com as comunidades autónomas do país.

Na conferência de imprensa de segunda-feira, a ministra da Saúde, Marta Temido afirmou que, nesta fase, a ajuda externa poderá passar pelo reforço dos hospitais portugueses.


Portugal. Médicos alemães chegam quarta-feira para ajudar a combater covid-19
São 26 profissionais de saúde, 150 camas hospitalares e 50 ventiladores que a Alemanha envia para os hospitais portugueses, já lotados e sem meios. Transferência de doentes para Áustria e Espanha está a ser equacionada.

"Aquela  [opção] que mais colhe junto dos nossos profissionais é, em primeiro lugar e ainda, alargar a nossa resposta em cuidados intensivos. É, sobretudo, dessa linha e dessa vertente que estamos a falar.(...) Esta semana será ainda uma semana de muita pressão nos internamentos de enfermaria e as próximas duas semanas, a semana dois e três de fevereiro, serão, provavelmente, muito difíceis ao nível dos cuidados intensivos", explicou.

Por isso, o reforço que for feito, como é o caso do dispositivo alemão que chega ao país amanhã, servirá para reforçar o alargamento daquela que é a capacidade instalada no país, numa altura em que os hospitais da área metropolitana de Lisboa, a região mais pressionada, estão a reorganizar a triagem de doentes, canalizando os menos grave para os centros de saúde. Por outro lado, o governo quer "garantir que a melhor articulação entre todos os hospitais é feita e ter um plano para ativar outras soluções nos casos em que isso seja eficiente e de qualidade" para os utentes.

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