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Testes rápidos instalam a confusão nos cafés, restaurantes e hotéis
Luxemburgo 5 min. 12.05.2021

Testes rápidos instalam a confusão nos cafés, restaurantes e hotéis

Testes rápidos instalam a confusão nos cafés, restaurantes e hotéis

Foto: Chris Karaba
Luxemburgo 5 min. 12.05.2021

Testes rápidos instalam a confusão nos cafés, restaurantes e hotéis

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
A falta de clareza do Governo sobre a realização obrigatória dos testes rápidos anti-covid para entrar no interior dos restaurantes está a gerar o caos em véspera da abertura das salas, a 16 de maio. E quando acabarem os testes oferecidos ao setor, quem os vai pagar?, questionam ao Contacto proprietários e políticos.

Após a reabertura das esplanadas chegou a vez das salas dos restaurantes, cafés e pastelarias poderem abrir as suas portas e voltar a receber clientes no interior dos estabelecimentos. A partir de 16 de maio tal será possível, mas só é servido quem apresentar um teste anti-covid negativo, anunciou o Governo especificando as três medidas possíveis.

Os clientes podem apresentar um teste PCR realizado até 72 horas antes, com resultado negativo; podem apresentar um teste antigénico realizado na farmácia até 24 horas antes, com resultado negativo ou podem realizar um teste rápido no restaurante, ou autoteste antes de iniciar a refeição.

E é sobre esta última possibilidade que reina a confusão. É que, se o cliente não possuir o teste PCR ou o da farmácia, cada vez que desejar tomar um café, pequeno-almoço ou fazer uma refeição no interior do restaurante ou pastelaria tem de realizar o teste rápido à chegada.

É aqui que há muitas perguntas sem resposta, como explicam ao Contacto a Horeca, proprietários da restauração e a deputada Françoise Hetto-Gaasch do CSV. Todos eles falam de incongruências que irão afastar os clientes da restauração.


Que tipo de testes são obrigatórios para ir jantar fora?
Cafés e restaurantes vão poder reabrir os espaços interiores a partir de 16 de maio, mas nestes casos, quem quiser sentar-se no interior terá de apresentar um teste negativo à covid-19.

Fernanda Batalau, proprietária de cinco restaurantes é a favor da testagem, mas critica a falta de informação do executivo sobre os procedimentos quanto aos testes rápidos para acesso ao interior destes espaços. E dá o primeiro exemplo. “Inicialmente foi aconselhado que um empregado de cada restaurante tinha de ter uma formação para saber realizar os testes rápidos aos clientes. Uma funcionária minha foi fazer. Recebeu um diploma e a documentação com as normas e eu estou muito confusa. 

Por exemplo, é preciso um reservatório especial para colocar os testes realizados aos clientes pois são considerados lixo hospitalar. A documentação indica também que cada cliente deve deixar nome e contacto para associarmos ao teste rápido realizado. São normas importantes, mas o Governo ainda nada disse sobre estas matérias e eu não sei como proceder”, declara esta conhecida empresária portuguesa da restauração. E continua: “Diz-se agora que os clientes podem realizar o seu próprio teste. Preciso de respostas”. Para esta empresária estas novas regras “parecem um presente envenenado do Governo”.

Um teste e o menu, s’il vous plaît

A obrigação de testagem a cada entrada no interior de um estabelecimento também parece “exagerada” para Fernanda Batalau. “Temo que a restauração vá perder clientes. As pessoas vão deixar de tomar pequeno-almoço ou almoço no restaurante, pois não têm tempo para ficar à espera na fila de realizar o teste e esperar pelo resultado. Nem mesmo ao jantar. Não faz sentido num dia ter de realizar vários testes”. E deixa um desabafo: “A minha esperança é que estas regras não passem na votação desta sexta-feira no Parlamento e que tenham de ser alteradas, senão vai ser complicado para todos”.

A Federação Horesca também tem alertado para a “confusão” instalada. Ao Contacto François Koepp, secretário-geral da Horesca começa também com um exemplo:

“Quem der entrada num hotel terá de fazer um teste à chegada. Quando for tomar o pequeno almoço terá de fazer outro teste, ao almoço outro e ao jantar terá de repetir a testagem. É a grande confusão”. Por isso, este responsável pede ao Parlamento que na votação, altere as regras para acabar com esta “situação caricata” que se pode vir a passar a partir de domingo na restauração e nas unidades hoteleiras.

“Os clientes vão concordar esperar em fila indiana pela realização dos testes, espera dos resultados até iniciar a sua refeição? Vários donos de restaurantes já disseram que temem perder clientes com estas imposições e esta confusão”, declara ao Contacto Françoise Hetto-Gaasch, deputada do CSV.

Fernanda Batalau é uma das proprietárias que teme perder clientes. “Nas esplanadas não há problema, mas no interior penso que muitos residentes vão deixar de ir ao restaurante com estas medidas. Apenas os que por razões profissionais ou outras tenham de realizar testes PCR ou os da farmácia podem continuar a frequentar a restauração pois é mais simples”.

No ar estão também ficam outras questões. “Um cliente faz o teste rápido no interior do restaurante, espera pelo resultado sentado à mesa, cinco minutos ou vinte minutos e imagine que dá positivo. Então, ele levanta-se e deixa o restaurante depois de eventualmente ter tocado nos couverts e nos copos?” A dúvida é colocada ao Contacto pela deputada do CSV que critica igualmente a “confusão reinante” sobre as novas medidas ligadas à abertura da restauração, da hotelaria e do resto do setor da Horeca. Segundo as normas um cliente que teste positivo têm de sair imediatamente do local e entrar em auto-isolamento, até realizar um teste PCR e ter o resultado.

Clientes a pagar os autotestes?

Mais uma dúvida: Desde segunda-feira começaram a ser distribuídos 500 mil testes rápidos ao setor da Horeca para testar todos os trabalhadores do setor e os clientes gratuitamente. Mas, e quando terminarem estes testes gratuitos, quem os vai passar a pagar? Quando acabarem estes testes “os clientes terão que pagar”, esclarece François Koepp.

Os autotestes de rastreio à covid à venda nas farmácias custam entre dois a 10 euros cada unidade, podendo ser vendidos à unidade ou em embalagens com várias unidades. O que significa que cada vez que um residente desejar ir fazer uma refeição no interior de um restaurante, além desta despesa tem de pagar ainda o autoteste. Para os nossos entrevistados a frequência da obrigatoriedade dos testes rápidos já é desmotivante aliado ao pagamento do próprio teste torna-se mais um fator dissuasor da ida ao restaurante.


Comissão dos Direitos Humanos defende testes gratuitos para todos na Horeca
Parecer da CCDH levanta muitas dúvidas sobre as novas regras na restauração, nomeadamente os testes obrigatórios para quem quer sentar-se no interior.

Já os testes antigénicos realizados nas farmácias e cujo resultado é valido por 24 horas para a restauração custam entre 30 a 35 euros cada. “Há muitas questões em aberto, não está claro, sequer, se os 500 mil testes antigénicos que a Horeca está a receber serão para apenas para os profissionais do setor ou também para os clientes. Há muitas questões por clarificar e deste modo não é fazível”, frisa Hetto-Gaasch que à hora de fecho desta edição se preparava para questionar o Governo no Parlamento sobre este problema, pedindo clarificações.

Também a Comissão de Direitos Humanos do Luxemburgo e a Câmara de Funcionários Públicos levantam fortes críticas à proposta de lei apresentada pelo Governo. O Ministério da Saúde, esclareceu ao Contacto que a Direção da Saúde, o Ministério das Classes Médias “estão ainda a finalizar os detalhes práticos conjuntamente com a Horeca” destas novas regras. 

*com MQ

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