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Teste desenvolvido no Luxemburgo mede eficácia de anticorpos contra a covid-19
Luxemburgo 3 min. 03.08.2020

Teste desenvolvido no Luxemburgo mede eficácia de anticorpos contra a covid-19

Teste desenvolvido no Luxemburgo mede eficácia de anticorpos contra a covid-19

Foto: shutterstock
Luxemburgo 3 min. 03.08.2020

Teste desenvolvido no Luxemburgo mede eficácia de anticorpos contra a covid-19

Jacques GANSER
Jacques GANSER
Até ao momento nenhuma vacina conseguiu imunidade a longo prazo contra a covid-19.

A responsável do projeto Neutracov, Danielle Perez Bercoff, falou sobre a importância deste teste no combate ao mais recente coronavírus em entrevista à edição alemã do Luxemburger Wort.

A virologista está há doze anos no departamento de Infeção e Imunidade do Instituto de Saúde do Luxemburgo. A equipa do Neutracov está a tentar medir o efeito dos anticorpos em pacientes infetados com a covid-19.  

Danielle Perez Bercoff, pode começar por explicar qual é o papel dos anticorpos no corpo?

Os anticorpos, encontrados no plasma sanguíneo, ajudam a neutralizar um vírus e impedem que ele infete certas células do corpo. Por outras palavras, impede que ele se espalhe. Por enquanto, o nosso teste mostra que a capacidade dos anticorpos para bloquear este vírus é específica. 

Isso significa que nem todos os anticorpos são eficazes da mesma maneira?

Sim, existem diferenças. Nem todos os anticorpos podem impedir o vírus de infetar uma célula hospedeira. Também existem anticorpos que sinalizam o vírus. Tornam-no visível de forma a que as células assassinas possam destruí-lo. Mas, por enquanto, estamos interessados apenas no bloqueio do vírus.

Danielle Perez Bercoff
Danielle Perez Bercoff
Foto: LIH

Como se mede exatamente a eficácia dos anticorpos?

Existem várias maneiras de testar: podemos apenas medir a quantidade de anticorpos produzidos e verificar se esses anticorpos foram produzidos recentemente ou há muito tempo. Mas isso não nos diz nada sobre a sua qualidade. Para desenvolver o teste, infetamos deliberadamente uma célula hospedeira com um vírus, em laboratório, num ambiente onde vários anticorpos já estão presentes. Quanto mais anticorpos são necessários para prevenir a infeção da célula, mais ineficaz é a resposta do sistema imunitário e e, logicamente, os próprios anticorpos são.


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E, na prática, como é que os testes podem ser usados?

A médio prazo podem ser desenvolvidos métodos de tratamento. Atualmente não existe medicamento para a cura de um paciente com covid-19. Vários medicamentos estão em desenvolvimento, incluindo a cloroquina ou a cortisona. No entanto, estes foram desenvolvidos para outras doenças e uma cura, no verdadeiro sentido da palavra, ainda não é possível. Estamos, portanto, a focar-nos cada vez nos tratamentos com plasma.

O vosso teste mede a eficácia dos anticorpos?

Exatamente. Para saber se o plasma obtido em laboratório é realmente eficaz, ele é testado antes de ser administrado ao paciente. Existem diferentes níveis de eficácia, por isso, procuramos o que é mais eficaz e que pode realmente ajudar o paciente. A vantagem é que o número de potenciais dadores de plasma, ou seja, de pacientes curados, está a aumentar. Além disso, o plasma pode ser facilmente congelado e reutilizado, se necessário.

O tratamento com plasma é uma inovação? 

Não, já foi usado para o vírus ébola. Em relação à covid-19, ainda estamos muito no início, na fase de experimentação e pesquisa.


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O segundo campo de aplicação do teste diz respeito ao desenvolvimento de vacinas. Como encaram essa etapa. É a próxima?

Uma vacina é projetada para preparar o sistema imunológico para que ele possa responder imediata e intensivamente à infeção viral. Cerca de 200 laboratórios em todo o mundo estão a trabalhar em diferentes tipos de vacinas. Existem vacinas que estimulam a produção de anticorpos e outras que ativam células imunes e concentram-se num patogénico específico. Com os nossos testes, podemos medir a resposta imune após a vacinação. É então possível fazer correções ou excluir imediatamente substâncias que não seriam eficazes. No entanto, só saberemos se uma vacina é eficaz quando um grande número de pessoas vacinadas for exposta ao vírus em condições reais.

E a imunidade permanente à covid-19?

Não sabemos. Uma coisa é certa: o número de anticorpos no sangue diminui novamente após alguns meses. Estudos sobre o surto do Sars-1 que atingiu a China em 2002-2003 (também causada por um coronavírus) mostraram apenas uma curta imunidade. Para nós isso significa que desenvolver uma vacina que produz apenas anticorpos é a solução mais provável a curto prazo. Mas isso pode não ser suficiente. A longo prazo precisamos de uma vacina que produz anticorpos e uma resposta celular. 

Edição de Ana Patrícia Cardoso.

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