Escolha as suas informações

Tertius Barnard. O exercício físico para 2021 é o "foco no que nos faz felizes"
Luxemburgo 7 4 min. 31.12.2020

Tertius Barnard. O exercício físico para 2021 é o "foco no que nos faz felizes"

Tertius Barnard. O exercício físico para 2021 é o "foco no que nos faz felizes"

Foto: António Pires
Luxemburgo 7 4 min. 31.12.2020

Tertius Barnard. O exercício físico para 2021 é o "foco no que nos faz felizes"

Catarina OSÓRIO
Catarina OSÓRIO
A trabalhar num dos setores mais impactados pela pandemia, Tertius Barnard diz que o vírus demonstrou que o exercício físico tem muito menos a ver com a aparência e muito mais com a saúde e bem-estar.

A dois meses de completar 30 anos, o personal trainer Tertius Barnard está notoriamente feliz por voltar ao seu habitual local de trabalho. Só que desta vez não vai dar uma sessão de coaching, mas sim conversar com o Contacto.

"O meu trabalho atual não tem nada a ver com o de antes da pandemia", afirma. Num setor fortemente afetado pela covid-19, e atualmente num segundo confinamento, os dias de Tertius são agora muito menos preenchidos, com metade dos clientes que tinha antes da crise.

"No primeiro confinamento passei de trabalhar das 05h às 22h a nada. Absolutamente nada". "Tudo aconteceu muito rápido, os ginásios tiveram de fechar de repente e muitos dos personal trainers não estavam acostumados às aulas online". No caso de Tertius ainda mais, já que trabalha com clientes que precisam de uma presença real na realização dos exercícios.

De nacionalidade sul-africana e luxemburguesa, chegou ao Luxemburgo há 13 anos. Há quatro que é personal trainer na área da obesidade e diabetes. Fez grande parte dos estudos no Reino Unido e voltou novamente ao Luxemburgo onde uma nova formação o levou a conhecer o Factory4, onde trabalha desde então a meio tempo.

"Metade dos meus clientes não têm auto-confiança para vir ao ginásio treinar, por isso vejo-os em privado, seja no hospital, em casa ou noutro sítio (…) precisam de apoio, de equipamento especial. A questão da segurança é o elemento chave nas minhas sessões", algo que a net não resolve. "Não se consegue confirmar, controlar, ajudar, é muito limitado2, considera. Daí que grande parte do apoio que dá atualmente é o aconselhamento psicológico por telefone e/ou email.

"O não fazer nada não está na natureza humana"

Se para muitos a pandemia foi um entrave, para outros foi um impulso para começar a praticar desporto. Confinados em casa, muitos viraram-se para as aulas online implementadas por ginásios, incluindo o Factory4, ou simplesmente o YouTube ou outras plataformas de vídeo. "O não fazer nada não está na natureza humana, e estar confinado testa um pouco os nossos limites. Uma das razões por que muita gente começou a treinar em casa, sobretudo no primeiro confinamento, é porque tinham tempo mas não queriam estar sem fazer nada", explica Tertius.

Mas o online é uma concorrente que não teme. No treino online "falta o fator de socialização e mesmo de divertimento", algo que considera cada vez mais relevante num ano em que nos pedem distância de tudo e de todos. E acredita que estas componentes poderão ser a chave para os ginásios na era pós-covid-19. "Acho que o fator comunidade e de grupo vai continuar a ser a prioridade em detrimento do online. Não se tem o mesmo tipo de boost ou satisfação com o treino online", diz.

Apesar da net como a principal companheira da crise, os especialistas continuam a alertar para a dureza dos confinamentos, do isolamento social e a depressão e ansiedade, fenómenos a que o próprio treinador não foi alheio. "No meu caso é desafiante passar de dias ocupados e conversas com imensas pessoas a ficar apenas limitado ao telefone", reflete.

A pandemia "fez as pessoas mais conscientes da sua saúde"

Se há algo positivo que a covid-19 fez foi tornar as "pessoas mais conscientes da sua saúde. Fez as pessoas ficarem com medo, por elas próprias e pelas famílias e pessoas que amam, e atualmente querem fazer o máximo possível para serem mais saudáveis", argumenta.

Esta preocupação está na base daquela que considera ser a principal tendência do fitness para o próximo ano: "ser mais ativo, mais saudável. Fazer qualquer coisa", resume. A grande questão hoje é "fazer as pessoas mais energéticas e positivas, algo que tem estado em falta… o fator 'sentir-se bem'".

"Ficaria surpreendida com a quantidade de clientes que não querem atingir nenhum objetivo físico. É mais pela questão psicológica", denota. Por exemplo, na área financeira onde "há imensa gente que trabalha muitas horas, com muito stress". "Essas pessoas querem vir ao ginásio treinar com alguém que lhes dê essa sensação boa de alívio da tensão, stress, de um dia agitado. "A motivação não é perder peso ou ganhar músculo, é apenas sentirem-se fantásticos, sentirem-se bem".

Apesar de um ano com "mais baixos do que altos", Tertius está otimista para 2021. Acredita que "vai demorar algum tempo" até os ginásios recuperarem a clientela já que "muita gente vai continuar a ter medo de ficar doente". Mas o facto de precisarmos urgentemente de socializar mais e de estar em comunidade será primordial. O conselho para o próximo ano: "focar-se nos aspetos positivos, coisas que nos mantêm motivados e felizes". Quer seja a dançar, caminhar, correr, ou a mexer-se de qualquer outra forma.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.