Ter curso superior ainda garante emprego

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) escolheu a semana do regresso às aulas para divulgar o seu relatório dedicado ao ensino: ’Education at a Glance 2017’. Aquele organismo internacional faz uma avaliação por país sobre o estado da educação em 35 Estados e analisa a estrutura, as finanças e a performance do sistema de ensino em cada um deles.

Foto: Guy Jallay

O capítulo dedicado ao Luxemburgo analisa sobretudo o ensino superior, os salários dos professores e a formação profissional para aqueles que só têm o ensino secundário.

Lição n°1

Sumário: Ter curso superior ainda garante emprego

Foto: Gerry Huberty

Ter um curso superior no Luxemburgo continua a ser sinónimo de emprego. Isto é verdade, em termos gerais – nos 35 países analisados pela OCDE – mas também no Grão-Ducado. No Luxemburgo, a taxa de emprego dos jovens-adultos (entre os 25 e os 34 anos) com um curso superior é de 90%. Mais elevada do que a média de 83% do conjunto dos países da OCDE. No entanto, a OCDE ressalva que o Luxemburgo apresenta um nível de emprego superior à média qualquer que seja o nível de escolaridade. Por exemplo, aqueles que têm o ensino secundário têm uma taxa de emprego de 73%, contra apenas 59% na OCDE. O relatório mostra que em 2016, 43% dos adultos em idade laboral (dos 25 aos 64 anos) tinha um curso superior, valor que sobe para os 51% se se considerarem os jovens entre os 25 e os 34 anos.

Em termos gerais (no conjunto dos 35 países), conclui-se que os adultos com um curso superior “têm 10% mais probabilidades de estar empregados, e podem ganhar em média mais 56% do que os adultos que apenas concluíram os seus estudos secundários superiores”. “São também os primeiros a recuperar de crises económicas: as taxas de emprego para jovens adultos com cursos superiores regressaram aos níveis pré-crise, enquanto que as taxas relativamente aos que não concluíram o ensino secundário superior ainda não recuperaram”, afirma a OCDE. No entanto, a análise demonstra, por outro lado, que muitas vezes as universidades falham em oferecer cursos que garantam taxas mais elevadas de empregabilidade e que, muitas vezes, os alunos também não procuram os cursos nas áreas profissionais mais procuradas pelas empresas.

Voltando ao Luxemburgo, a OCDE conclui ainda que o retorno daqueles que têm um curso superior é superior à média dos outros países. O retorno é medido, segundo o esclarecimento da OCDE, entre os custos e benefícios associados a ter um nível de educação adicional. Entre os custos contam-se, por exemplo, as propinas pagas ou dinheiro que o estudante deixa de receber por estar a estudar e não a trabalhar. Entre os benefícios consideram-se, por exemplo, os ganhos extra que os estudantes recebem (quando arranjam emprego) por terem um curso superior, face àqueles que não o têm.

O relatório mostra que os benefícios são ainda mais expressivos no sexo feminino. É que o ’gap’ salarial entre homens e mulheres é mais pequeno no Grão-Ducado. Por exemplo, mulheres entre os 35 e os 44 anos com ensino superior ganham cerca de 90% do que recebem os homens. Ora, a média da OCDE é de o equivalente a 76% do ordenado de um homem.

Lição n° 2

Sumário: Os alunos do ensino superior preferem cursos de gestão, administração de empresas e direito

Foto: Guy Jallay

Os cursos mais procurados pelos alunos do ensino superior são gestão, administração de empresas e direito. Quase 40% dos alunos que frequentam o ensino superior no Luxemburgo graduam-se naquelas áreas, valor que compara com 24% na média da OCDE. Apenas 5% escolhem engenharia, indústria e construção, valor que compara com a média de 14%.

O Luxemburgo também se destaca pelo grande número de alunos estrangeiros que frequentam as salas da universidade: 46% dos alunos do ensino superior são de outra nacionalidade. E tal como os luxemburgueses, preferem os cursos de gestão, administração e direito (48%). Mais de metade dos alunos estrangeiros (63%) vem dos países vizinhos. Isto deve-se em parte, segundo a OCDE, ao facto de os cursos serem mais baratos do que nos países de origem.

Lição n°3

Sumário: Os professores são dos mais bem pagos e as turmas são mais pequenas

Foto: Pierre Matgé

Neste ponto, o cenário apresentado para o Luxemburgo é bem diferente do vivido na média dos países analisados. “A profissão é cada vez menos apelativa para os jovens estudantes”; “os salários dos professores são baixos comparados com outros trabalhadores a tempo inteiro com formação académica semelhante” , facto que se torna “um obstáculo importante na atração de jovens para a profissão docente”. Isto é válido para muitos dos países da OCDE, mas não para o Grão-Ducado, onde o panorama é o oposto. Os professores são relativamente jovens, quando comparados com a média da OCDE: 17% dos professores têm mesmo menos de 30 anos. A profissão é uma das mais atrativas devido aos elevados salários, logo desde o começo da carreira. Os professores da primária e pré-primária têm o ordenado inicial mais elevado quando iniciam a carreira: de cerca de 57 mil euros por ano, mais do dobro dos 24 mil euros recebidos pela média dos professores nos restantes países analisados. E os salários elevados continuam durante o decorrer dos anos de carreira. A diferença é ainda maior se se considerarem níveis educacionais superiores. A título de exemplo, um professor do ensino secundário ganha mais de 66 mil euros por ano, segundo a OCDE, muito acima dos cerca de 28 mil euros recebidos por um docente que dê aulas aos 10°, 11° e 12° anos de escolaridade.

Além disso, um professor no Luxemburgo recebe mais do que outros profissionais com um curso superior que trabalhem noutros setores: um professor do ensino secundário aufere mais 26% do que os profissionais de outras áreas. Nos restantes países europeus é o contrário: os professores ganham até menos 21% do que outros profissionais.

Outro dos motivos que torna a profissão de docente atrativa é o facto de o Luxemburgo ter das turmas mais pequenas. De facto, as salas de aula contam com uma média de 16 alunos, comparado com os 26 do Reino Unido ou até 30, no Chile.

Lição n°4

Sumário: Muitos alunos em cursos de formação profissional

Foto: Steve Eastwood

Fora das salas da universidade, a OCDE também avalia o ensino secundário. O relatório conclui que o Luxemburgo tem uma das mais altas taxas de inscrição em cursos de formação profissional. Entre os 15 e os 19 anos, a percentagem ultrapassa mesmo a dos inscritos nos cursos gerais. A percentagem é de 36% para os cursos de formação profissional e de 27% para os gerais. Ora, na média da OCDE, aquelas percentagens estão invertidas.

A via do ensino profissional é também muito procurada pelos jovens entre os 20 e os 24 anos: 9% estão inscritos, quase o dobro da média da OCDE. O relatório explica mesmo que quase todos os jovens inscritos no ensino secundário (10° ao 12° anos) com aquela idade estão inscritos no ensino profissional.

Para a OCDE isto é positivo, uma vez que o ensino profissional está associado a boas perspetivas de trabalho: a taxa de desemprego para quem tem o ensino secundário completado através da via profissional é de 5%, enquanto aqueles que concluíram o 12° ano através da via clássica têm uma taxa de desemprego de 10%.

Paula Cravina de Sousa

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