Escolha as suas informações

Tempestade Ciara passou pelo Luxemburgo sem estragos de maior
Luxemburgo 8 2 min. 10.02.2020

Tempestade Ciara passou pelo Luxemburgo sem estragos de maior

Tempestade Ciara passou pelo Luxemburgo sem estragos de maior

Foto: Sibila Lind
Luxemburgo 8 2 min. 10.02.2020

Tempestade Ciara passou pelo Luxemburgo sem estragos de maior

Ricardo J. RODRIGUES
Ricardo J. RODRIGUES
Percorrer o Luxemburgo que esteve em alerta vermelho à procura dos efeitos catastróficos da tempestade Ciara. E perceber que, afinal, a intempérie foi branda com o Grão-Ducado.

Às sete da manhã desta segunda-feira, ir da capital até Grousbous não parecia uma decisão fácil. Na lista das estradas fechadas ao trânsito por causa das condições atmosféricas constavam a N 12 e a CR 306, e isso indicava que a aldeia do cantão de Redange estava praticamente isolada. Só que não. “As estradas estiveram sempre abertas”, diz Paul Engel, o burgomestre do município, com uma gargalhada. “Bom, talvez o trânsito tivesse parado para tirar um ou outro ramo da via, mas nunca por mais de dois minutos.”

Apesar de 22 voos terem sido cancelados esta manhã do aeroporto de Findel, apesar da dezena de estradas cortadas (sobretudo pela queda de ramos) e das aulas terem sido canceladas hoje em todo o país, os efeitos da tormenta foram relativamente clementes no Grão-Ducado. Galgando esta manhã o país de norte a sul, e percorrendo precisamente as povoações onde se temiam os maiores estragos, o cenário estava muito longe da catástrofe que a tempestade Ciara provocou na restante Europa Central. Ao início da tarde de segunda-feira, estavam confirmadas seis mortes: duas na Polónia e uma no Reino Unido, Suécia, República Checa e Eslovénia.

“Na verdade isto não é muito pior do que um dia ventoso de inverno”, relativizava Jerome Thill, na aldeia de Grevels. Os únicos estragos que a povoação sofreu foram seus: “Voaram-me duas tábuas da porta de uma capoeira, mas eu nem sequer tinha galinhas lá dentro.” Wiltz, uns quilómetros mais a norte, era uma das comunas assinaladas com alerta vermelho. “Não registámos qualquer estrago”, disse Bob Wetzel, responsável pelos programas de gestão urbana do município. Mesmo o santuário de Fátima em Wiltz, que fica num dos pontos mais altos do país e por isso está bastante exposto, árvores, estátuas e plantas aguentaram estoicamente a ventania.

Donato Storiane e Mário Cesário
Donato Storiane e Mário Cesário
Foto: Sibila Lind

Rumando até sul junto à fronteira belga, o cenário era o mesmo pelos caminhos de contracurvas. Algumas árvores caídas, alguns ramos no chão, folhas e caruma a invadirem as estradas. Siga-se então a rota de Pétange, onde em agosto de 2019 um tornado destruiu 100 casas. “Oh, quando ouvimos aquela ventania e a chuva ontem à noite todos pensámos no que se tinha passado há uns meses”, dizem Mário Cesário e Donato Storiane, funcionários da câmara que trabalham nas obras de reconstrução das habitações. “Mas na verdade não sofremos nenhum estrago aqui, nem sequer nos telhados que estavam em obras. Penso que o governo jogou pelo seguro e emitiu um alerta maior do que o perigo real. Estamos habituados a tempestades muito piores do que esta.”

Uma parte do telhado da estação de serviço de Berchem voou com a força do vento
Uma parte do telhado da estação de serviço de Berchem voou com a força do vento
Foto: Sibila Lind

Às nove da manhã, a Proteção Civil reduziu o nível de alerta de vermelho para laranja em todo o país. Mas a noite anterior obrigou a 117 intervenções de emergência e 179 operações em pontes e estradas, além de perturbar a circulação pelo território. A tempestade Ciara fez-se notar, sim, mas não assim tanto.