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Temperaturas. 2021 não deve superar recordes, mas 2022 pode trazer novo aumento
Luxemburgo 5 min. 06.01.2021 Do nosso arquivo online

Temperaturas. 2021 não deve superar recordes, mas 2022 pode trazer novo aumento

Temperaturas. 2021 não deve superar recordes, mas 2022 pode trazer novo aumento

Foto: Julien Pierrot
Luxemburgo 5 min. 06.01.2021 Do nosso arquivo online

Temperaturas. 2021 não deve superar recordes, mas 2022 pode trazer novo aumento

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
O ano de 2020 foi o mais quente registado no Luxemburgo, desde 1947, e já está entre os três mais quentes de sempre do mundo.

O inverno trouxe de novo um Natal com neve ao Luxemburgo, mas os termómetros com valores persistentemente negativos, na reta final do ano, não foram suficientes para evitar que se batessem, no país, recordes na subida da temperatura. O ano de 2020 foi mesmo o mais quente registado no Grão-Ducado desde 1947, segundo a análise do Meteolux.

A temperatura média anual situou-se nos 11,3°C, o que fez com que os últimos 12 meses destronassem os valores registados nos anos de 2018 (11,1 °C) e 2014 (10,8 °C). Além disso, 2020 ficou 2°C acima da temperatura média registada entre 1981 e 2010 (9,3 °C).

Durante o ano que passou, as estações também refletiram a subida. Se o inverno de 2019-2020 foi “extremamente ameno” e a primavera se caracterizou por um clima igualmente “ameno”, o verão e o outono foram mais quentes do que o normal, refere a análise do instituto de meteorologia.

Não foi, contudo, apenas no Luxemburgo que se verificou uma subida recorde das temperaturas. O ano de 2020 foi um dos mais quentes a nível global, com a Organização Meteorológica Mundial a considerá-lo, pelo menos, entre os três anos mais quentes desde que há registos, admitindo-se que possa vir a igualar ou a superar o de 2016, considerado o mais quente de sempre.

Já 2021, não deverá bater novos recordes em relação a 2020, mas a partir de 2022 a temperatura média poderá voltar a subir. Segundo as projeções de Francisco Rodrigues, cofundador da empresa de análises e previsões meteorológicas Bestweather, “de acordo com o que é possível ver, neste momento, em termos de evolução do clima, não é suposto este ano de 2021 ser extraordinariamente quente. Ou seja, a probabilidade de ultrapassar outra vez recordes não é muito alta”, explica ao Contacto. Ainda assim, o especialista ressalva que não se trata de uma inversão, uma vez que “vai ser um ano quente dentro do contexto da última década”. “Não se espera descida da temperatura [média], poderá é não ser tão alta como a de 2020”.

Para esta relativa estabilização, contribuem, de acordo com Francisco Rodrigues, “efeitos de ciclos naturais” mais do que de qualquer intervenção humana, como a paragem de quase todas atividades durante alguns meses, no início de 2020, devido aos confinamentos aplicados por causa da pandemia. “No ano de 2021, vamos ter fenómenos naturais que não deixarão que haja esse aquecimento tão excessivo.” Mas o especialista em meteorologia avisa que “a partir de 2022 ou 2023 poderá haver outra vez um novo pico de temperatura ou um aquecimento mais significativo em termos globais”, tanto por novas oscilações naturais como pela persistência da determinadas atividades humanas.

Os meses de interrupção dos confinamentos do primeiro trimestre de 2020 não foram suficientes para mitigar os efeitos da ação humana no aquecimento global, que vai continuar nos próximos anos. “Mesmo que os seres humanos parassem as emissões, ele iria continuar durante mais tempo porque a Terra não responde de forma imediata. Na próxima década, a temperatura média global do planeta poderá aquecer mais entre 0,2ºC a 0,5ºC.”

Por isso, e numa altura em que Portugal assume a presidência da União Europeia com as questões do clima na agenda e que o secretário-geral da ONU, António Guterres pede aos países para declararem estado de emergência climática até que alcancem a neutralidade em carbono, as medidas de combate às alterações climáticas que se tomarem dificilmente reverterão o cenário atual, mas poderão um papel fundamental para impedir que ele não se agrave. “Tudo aquilo que foi feito nos últimos 30 a 50 anos já é suficiente para que este efeito de aquecimento global se propague no tempo durante várias décadas. Mesmo que decidíssemos parar tudo hoje este efeito de aquecimento ia continuar e só íamos estabilizar, digamos assim, daqui a algumas décadas. Essas reduções das emissões [de CO2] são úteis para evitar um cenário catastrófico”, sublinha Francisco Rodrigues.

Uma das consequências já conhecidas desse cenário é a subida do nível do mar e a destruição de cidades costeiras, o que terá um impacto significativo em Portugal. “Nos próximos 70 anos, estamos à espera que a Baixa de Lisboa comece a ficar inundada com a maré cheia e de que haja cheias mais frequentes. O mar poderá subir entre um a dois metros.” Já em relação ao Luxemburgo e à região da Europa central, prevê-se que sejam “cada vez mais afetados por tempestades, tanto no inverno como no verão”. Em Portugal também poderá haver mais tempestades alternadas com situações de seca. “No fundo, poderemos vir a ter anos de temporal e depois dois a três anos seguidos de seca”, assim como uma alteração das características das estações, que pode levar a que haja menos pluviosidade no inverno e mais na primavera, provocando alterações nos ciclos agrícolas.

2020 foi um ano com mais sol no Luxemburgo

O último ano foi também um dos mais secos e com mais horas de sol, no Luxemburgo, segundo as conclusões da análise do Meteolux. Ainda que sem bater o recorde de baixa pluviosidade de 1976, 2020 continuou a ser “marcado por um défice pluviométrico significativo”, tendo sido o sétimo ano consecutivo com um défice de chuva e em que o nível de precipitação anual acumulada foi “muito inferior à média trienal 1981-2010, que ascendeu a 896,9 l/m²”.

A par da pouca chuva, o sol brilhou mais tempo no país, ao longo dos 12 meses, o que fez de 2020 o sexto ano mais soalheiro, com 2030,4 horas de sol registadas, 305,5 horas mais do que o período de referência de 1981 a 2010 (com uma média de 1724,9 horas).

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